Liberdade de Expressão – II


Estamos em uma sociedade cada vez mais inconstante e repleta de surpresas, e a Internet é o grande catalisador deste paradigma. Enquanto autores como o Sr. Zygmunt Bauman ficam filosofando sobre “Vida Líquida” e outras coisas do gênero, a vida se desenvolve em nossa frente, nos levando a novos desafios diários que surgem com a utilização de tecnologias relacionadas à Internet e à comunicação.

A Internet foi revolucionada com o surgimento das redes sociais, que permitiram a utilização da Internet como instrumento de integração social. A informação na Internet é obviamente importante, mas a interação proporcionada pelas redes sociais de Internet levou a proliferação da informação a um outro nível. Hoje as informações se proliferam de forma muito mais rápida e viral.

Em um terceiro momento entramos na “tube age”. A facilidade de se postar vídeos na Internet, aliada à proteção do anonimato, fez com que surgissem esporadicamente novos “hits” na Internet, fez com que situações engraçadas e inusitadas fossem filmadas e trazidas ao grande público, se espelhando rápido pelas redes sociais e aliando as duas tecnologias na proliferação desenfreada de informação.

Tudo ocorreu tão rápido (a primeira rede social foi criada em janeiro de 2004, e o primeiro site “tube”, em abril de 2006) que não foram pensadas as consequências positivas e negativas destas duas revoluções nos relacionamentos provocadas pela Internet.

Tudo isso contriuiu para facilitar a interação entre as pessoas de forma inédita no mundo virtual. Contando redes sociais, e-mail, MSN Messenger, fóruns de discussão e outras coisas do tipo, temos em média sete ou oito meios de interagir na Internet, muitas vezes de forma integrada. Duvida? Conta aí então: orkut, Facebook, Twitter, Msn Messenger, Google Talk, Google Wave, blogs, fóruns de discussão diversos… Todas maneiras diferentes de interagir com outras pessoas e produzir informação.

No entanto, há problemas. O anonimato que a Internet proporciona é o pior deles. E é um anonimato implícito, porque muitas vezes a pessoa pode até se identificar, mas se comporta de forma diferente na Internet justamente por estar protegida, na tela de um computador, de coerções diversas e ataques físicos. É um “anonimato não-anônimo”. Sua imagem na Internet não é você, mas sim uma espécie de personagem. As pessoas, em geral, assumem, nos sites de relacionamentos, imagens idealizadas de si próprias.

Este anonimato contribui para um problema sério e recorrente: o recrudescimento de um sentimento geral de “politicamente correto”, uma fiscalização ideológica catalisada pela facilidade no fluxo de informações proporcionada pelo aperfeiçoamento constante das redes sociais.

Então, o passo final foi dado: as redes sociais serviram para espalhar, de forma viral, quaisquer manifestações, criando fenômenos sociais. Alguns deles são meramente engraçados, como o “Me dá meu chip, Pedro”, vídeo que fez sucesso no Youtube tempos atrás. Outros, no entanto, suscitam, para o grande público, discussões que anteriormente permaneciam apenas na esfera privada, como ocorreu com o caso da garota que saiu escoltada pela polícia na Uniban por estar com um vestido excessivamente curto e se portar de forma provocativa.

Casos como o explicitado, que tiveram grande repercussão na mídia nacional, com toda espécie de julgamento por parte da imprensa, que adota posturas cada vez mais sensacionalistas como uma espécie de recrudescimento desta demanda de atitudes politicamente corretas. A fiscalização, o julgamento e a condenação de qualquer atitude politicamente incorreta tomada no âmbito privado, quando um vídeo do Youtube se torna público, torna escancarada a postura da imprensa de polemizar e descontextualizar assuntos com o único objetivo de conseguir audiência.

O uso indevido de vídeos anônimos pela grande imprensa, de forma descontextualizada e polemizante, é algo que deve ser combatido com veemência e disciplinado por lei. Obviamente, a justiça brasileira, que é extremamente ineficiente e clusterizada, tem poucos meios para obter veredictos justos acerca de crimes na Internet, especialmente quando estes envolvem materiais de autoria difusa, como os vídeos doYoutube. Você nunca consegue responsabilizar criminalmente um profile, que nada mais é do que um personagem. E não há legislação sobre o tema que abborde o assunto com eficiência.

Como não há solução técnica e de responsabilização no curto prazo, a única medida possível é contar com o bom senso daqueles que produzem material editorial. É nítido que estes são presssionados por seus editores para produzirem material rápido, descartável e de sucess instantâneo. Mas existem códigos de ética e normas de conduta que devem ser respeitadas, pois a Internet só serviu para catalisar ainda mais o poder de dissuasão de informações da imprensa, que não é mais um cluster de editoriais definidos, mas uma massa difusa de informações que pode, na prática, ser produzida e difundida em qualquer lugar na Internet.

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Uma resposta para Liberdade de Expressão – II

  1. Quem assiste os telejornais matutinos e vespertinos, pode constatar que muitas materias são pautadas a partir de “filmagens” enviadas por telespectadores. Uma coisa que sempre me chama a atenção é que as imagens exibidas como autênticas podem ser mera montagem, e aí a quem recorrer? Existe legislação à respeito? Como fica a questão do direito de imagem?

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