O Erro Alheio e a Irrelevância


Na época das eleições, é impossível discutir algo que não seja eleições. E, infelizmente, é muito difícil fugir de uma discussão empobrecida temas irrelevantes, e discutir planos de governo e políticas públicas.
Infelizmente, a cultura política brasileira é muito falha nesse ponto, e planos de governo são muito pouco discutidos. Os partidos e a imprensa contribuem de forma decisiva para isso, desviando o foco do debate das boas práticas de governo, das políticas públicas e do projeto de país ou estado de cada candidato para concentrar o debate em fatos irrelevantes para o país como um todo, com aquela bateria de perguntas irrelevantes padrão como “qual sua posição sobre o aborto?”, “qual sua posição sobre o casamento gay?”, e “você já usou drogas?”. Independente de qualquer argumentação, a resposta a qualquer uma dessas perguntas é irrelevante para a sociedade, e, principalmente, para o que exatamente a sociedade espera de um governo.
A culpa também não é toda da imprensa. Os candidatos não tratam temas irrelevantes de forma irrelevante. Pelo contrário. Criam factóides, se dizem perseguidos, inventam dossiês e dão – ou pedem para o vice dar – declarações polêmicas ofendendo o candidato adversário.
Empobrecer o debate político é isso. Não se discutem propostas, não se discute um modelo de país. Os candidatos buscam convencer o eleitor da forma errada. Os candidatos não tentam convencer o eleitor a votar porque seu programa é melhor, mas porque o adversário é pior.
O debate torna-se ainda mais pobre quando tentam atribuir estigmas ao adversário para justificar que realmente ele é pior. E esses estigmas geralmente são associados a assuntos irrelevantes, como a legalização do aborto, o casamento gay e se o candidato já usou drogas. Então, adota-se o discurso patético de “olhem, candidato X é a favor do aborto, é um drogado, e vai acabar com a família brasileira”. Daí o que tinha sobrado de racionalidade no debate se perde, e verificam-se ligações lógicas absurdas, do tipo “Ele é a favor do casamento gay, portanto, não acredita em Deus”.
E 20 milhões de pessoas deixam de votar em um candidato porque seu adversário espalha um boato sem nexo nenhum.
Proponho, a partir de agora, que façamos, até as eleições, o caminho inverso. Abro espaço, neste blog, para que todos os candidatos, independente de partido, coloquem seus planos de governo e suas propostas, nas áreas que julga relevantes para a sociedade. Enviem-me as propostas pelo e-mail leorossatto@gmail.com e farei questão de divulgar aqui as porpostas na íntegra, inclusive para que possamos todos discutí-las aqui, enriquecendo o debate pré-eleitoral.
Abraço!
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