Educação – A Maior Prioridade (parte 1)


Pretendo aqui falar o máximo que puder sobre o tema que julgo mais importante para o futuro do país, e que tem sido constantemente negligenciado pelos nossos políticos. O Brasil tem pagado um preço alto demais pela falta de investimentos e de planejamento na educação nas últimas décadas, e o preço da universalização ainda não foi completamente pago. Ninguém percebeu que a universalização não é o ideal, se não cuidarmos da qualidade do ensino, e que estamos perdendo uma geração de jovens, que poderiam ser grandes talentos, mas crescem com uma educação deficiente e tornam-se analfabetos funcionais.
Não pretendo colocar a questão da educação em apenas uma postagem. O problema é importante demais para isso. Então vou colocando aos poucos, para não ficar muito cansativo para você e para que eu também possa receber eventuais propostas.
O foco desse blog é sempre discutir soluções, o que fazer, como melhorar. Como solucionar os problemas da sociedade de Santo André, do Estado de SP e do Brasil. Encontrar culpados não é o mais importante. Encontrar soluções é o mais importante.
Na eleição, os candidatos falam de muita coisa. Prometem creches, metrô, Escolas Técnicas, ampliação do bolsa-família, desenvolvimento sustentável, aerotrem, tudo. Na época da eleição, tudo é possível e as coisas mais absurdas são prometidas. Mentiras viram verdades incontestáveis, e o país melhora ou piora exponencialmente de acordo com o interesse político do candidato.
Mas o fato é que pouca coisa tem se falado sobre o mais grave e importante dos temas do próximo governo (e de todos os próximos): a educação. Chegamos a ouvir, na propaganda eleitoral, absurdos como “a educação em São Paulo é ótima”. Não, não é. E não adianta mudar a base de comparação: a educação básica no Brasil é péssima, e precisa ser reformulada com urgência.
Existem duas “modas” entre os candidatos desse ano, em relação ao problema da educação: o “Ensino Técnico” e a “Educação em tempo integral”. Ambos são necessários, mas prometê-los da boca pra fora é fácil. Infelizmente o eleitor ainda não tem maturidade política para cobrar as promessas de campanha após a eleição como deveria.
O problema, basicamente, está na forma como as coisas estão sendo feitas. O Brasil é um país muito peculiar, em que as coisas não funcionam exatamente como em outros lugares do mundo. Alguns problemas devem ser solucionados para que a educação funcione no país:
1) Dar prioridade REAL à educação, investindo em qualidade, e não apenas fazer marketing.
Educação de estatísticas não funciona. É fácil falar que “a educação melhorou” quando você parte de um benchmark péssimo.
Nos países da ex-URSS, por exemplo, houve um empobrecimento tão violento durante a década de 90 que na última década alguns desses países, como Azerbaijão e Armênia, tiveram as maiores taxas de crescimento do PIB do mundo todo. Mas isso só ocorreu porque a base de comparação anterior era muito ruim, e a melhora do quadro foi mais um reflexo à uma situação adversa anterior.
Da mesma forma, no Brasil você pode dizer que houve uma melhoria na educação. Mas ela só ocorreu porque o quadro anterior era realmente calamitoso, e a melhoria não foi mérito, uma vez que está estipulado na CF que 25% da arrecadação deve ser obrigatoriamente investido em educação. Há 22 anos já. A situação deveria estar muito melhor.
O investimento deve ser contínuo, intenso, e nada deve ser mais importante que a formação intelectual da atual geração e das próximas que virão. A partir daí, é necessário um planejamento e a valorização cultural da educação. O marketing entra em cena não para maquiar estatísticas, mas para convencer a população de que nada é e nada pode ser mais importante paara um país do que a educação.
2) Integração de União, Estados e Municípios além do repasse de verbas.
A Educação é a maior prioridade que um povo pode ter.A produção de conhecimento é o maior trunfo de uma nação, e construir conhecimento é o objetivo mais nobre que os habitantes de um país podem ter.
Um dos maiores problemas do país em relação a eduacação é a completa ausência de padronização. A educação básica fica a cargo dos Estados e Municípios, em uma separação lograda na CF de 1988 erealizada na LDB de 1996, que até agora mostrou-se ineficiente. O Ensino Fundamental, em tese, está a cargo dos municípios, o Ensino Médio, a cargo dos Estados, e o Ensino Superior, a cargo da União. No entanto, as estruturas atuais revelam-se um grande Frankestein, com a municipalização fracassando miseravelmente em alguns casos, os Estados administrando muito mal suas escolas e a União começando a investir no Ensino Superior nos últimos anos, e se restringindo a repassar verbas para Estados e Municípios tocarem seus sistemas de Educação.
Toda essa bagunça resultou em um fracasso institucional sem precedentes, com o sistema educacional cada vez mais sucateado, casos freqüentes de corrupção, falta de colaboração e nenhuma padronização entre os sistemas educacionais, apesar das diretivas do MEC.
O ensino municipal está sucateado a ponto de prefeitos comemorarem o fato de que finalmente alunos tem uniforme (!!!), que não passa de uma obrigação básica, como ocorreu em Santo André recentemente. O clima é de desânimo na rede municipal e estadual, os professores são mal remunerados, precisam fazer milagres para dar aulas razoáveis sem estrutura nenhuma (existem escolas municipais, em SP, com Globos Terrestres em que a União Soviética ainda existe como material didático, só para ficar em um exemplo). A formação básica é tão deficiente que a função de um professor de Ciências, História ou Geografia, na 5ª ou 6ª série, é ensinar o aluno a ler.
Uma das bases da educação é a curiosidade e a vontade de aprender e adquirir conhecimento por parte dos alunos. E essa vontade surge apenas quando o aluno começa a aprender, sente o desejo de aprender mais, e forma em si um continuum positivo de curiosidade científica, e neste ponto está a gênese da formação dos cientistas, pesquisadores e grandes profissionais. No entanto, se nem esse passo inicial é dado, é impossível fazer com que o interesse científico floresça em um aluno que não tem base nenhuma.
Para isso, é necessária a criação de um programa conjunto de educação, que integre União, Estados e Municípios, com uma colaboração que passe por cima das rivalidades políticas existentes entre governantes de diferentes unidades federativas. É isso o que chamam de “pacto pela educação”, e é algo absolutamente urgente em nosso país.
Continuarei em breve esta postagem, abordando temas como a qualificação de professores, a recuperação de alunos “mal formados”, os problemas e méritos de estruturas como Escolas Técnicas e Escolas em tempo Integral e a necessidade da criação e do aperfeiçoamento de uma estrutura que cuide do desenvolvimento da educação da fase mais básica, na infância, até a absorção de profissionais extremamente qualificados (mestres e doutores), por instituições científicas e centros de pesquisa que desenvolvam a Ciência e a Tecnologia Nacional, passando pela formação de mão-de obra qualificada em quantidade suficiente para um mercado de trabalho em franca expansão.
Aguardo as opiniões e sugestões de todos.
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Uma resposta para Educação – A Maior Prioridade (parte 1)

  1. C disse:

    Acho que em matéria de educação, teríamos que apagar tudo e começar novamente da “Cartilha Sodré”.Inclusive os professores…”O Governo faz de conta que paga””O professorado faz de conta que ensina””E os alunos, saem da escola semi-analfabetos”

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