Educação – A Maior Prioridade (parte 4)


Na última postagem, falamos sobre o modelo coreano de educação, e sobre algumas coisas que podem ser aprendidas com ele. Depois de algum tempo de delay, voltamos com nossa série sobre educação aqui.
Devemos tomar a educação como fundamental. E devemos partir de um princípio básico. O de que o aluno não é um ser pro-ativo. Pelo menos não é quando inicia seu ciclo escolar.
Partindo desse princípio, uma coisa parece básica. Não é dever do aluno se interessar pela escola, ter a pró-atividade de se matricular, de ir a escola todos os dias ou coisa do tipo. O dever de fazer com que isso aconteça, sem sobressaltos, é do Estado. O Estado deve ter controle sobre os alunos em idade escolar, sistemas georeferenciados para saber quais escolas são mais próximas às residências das crianças, sistemas de transporte escolar que levem os alunos para a escola e os tragam para casa, sistemas de segurança alimentar para a família dos estudantes e maneiras de verificar a estrutura familiar dos mesmos.
É possível tornar a escola uma centralizadora de todos os incentivos sociais do governo. Existem programas sociais amplos e bem sucedidos. São necessários, uma vez que o desempenho escolar também depende de fatores externos, como a qualidade de vida do aluno fora da escola, a estrutura familiar e a segurança alimentar do mesmo. Para investir em educação, o estudante e sua família devem estar em um patamar mínimo de dignidade, que permita ao aluno a concentração necessária para adquirir conhecimentos.
A conclusão: não existe educação de qualidade sem um sistema de garantias por trás. A preocupação com o estudante não deve se restringir ao período em que o mesmo está na escola.
Qualidade do Ensino

Todos falam em valorização do professor. É um trunfo político nas campanhas eleitorais, muitos candidatos ganham votos com esse discurso. Além disso, há as tradicionais promessas de “investiremos X% do PIB em educação”. Ok, louvável. Mas sem planejamento, a educação será apenas mais um sorvedouro de dinheiro público.
Mas o que é valorizar um professor de educação básica, ou de ensino médio? Dar mais dinheiro? Ou dar credibilidade?
A credibilidade vale mais do que o dinheiro. Os salários obviamente devem ser aumentados, pois encontram-se muito defasados, mas o professor deve ter uma estrutura que favoreça o ensino em torno de si. Como fazer isso? Mudando o regime de trabalho, óbvio.
Soluções possíveis:
1) Criar “cátedras” para professores de ensino básico. Contrate-os em um regime de 40 horas semanais.
2) Crie uma estrutura para os mesmos. Cada professor deve ter uma sala própria, em um ambiente em que possa estudar e se aperfeiçoar durante o período em que não está em aula. O conceito de”sala dos professores”, sem um espaço próprio para cada profissional, é típico de estruturas de ensino sucateadas.
3) Criar programas de pesquisa para o ensino médio, de menor complexidade, para professores continuarem motivados e desenvolvendo projetos. E para familiarizar os alunos os alunos com ambientes de pesquisa.
4) Criar cursos de aperfeiçoamento para o professor fazer na escola, durante seu horário de trabalho. É insano um professor dar 33 horas-aula semanais, prepará-las e ainda fazer cursos de capacitação. Também é óbvio que os cursos devem ser de qualidade e estarem de acordo com a ementa das matérias.
5) Criação de uma estrutura de laboratórios, salas de informática e bibliotecas, empregando técnicos de laboratórios, técnicos de informática e bibliotecários em cada escola.
6) Fornecimento de alimentação de qualidade para os alunos e opções reais de estudo e lazer para os mesmos, incentivando a pró-atividade de cada um (que, como já disse, NÃO é algo natural).
Existem outras soluções possíveis. Essa série ainda não acabou. Discorrerei mais sobre o tema e organizarei melhor as idéias. Peço a todos que continuem prestigiando a série.
Um abraço!
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