Sobre a rejeição e o individualismo


Estamos criando uma geração que não sabe receber respostas negativas e nem lidar com a rejeição. Em todos os aspectos.
Os pais criam os filhos mal, em geral. Em troca da ausência, existem presentes e a percepção de que defender os filhos é uma obrigação, afinal, “o mundo lá fora está cada vez pior”. Pelo menos é o que a mídia tem dito, e para o brasileiro médio que assiste a Globo (ou o Datena em horas vagas) e lê a Veja o que a imprensa diz é verdade.
Sendo assim, os pais, frustrados e se sentindo fracassados como tais, buscam formas de defender seus filhos. De duas maneiras igualmente prejudiciais: não dizendo não a nada do que eles pedem (em geral presentes, coisa que faz com que as crianças se aproveitem cada vez mais) e defendendo sempre a criança em quaisquer problemas da mesma em seu relacionamento com o mundo.
Isso faz crescer uma geração de crianças individualistas, possessivas e mimadas. Essas crianças crescem, se tornam adultas, e não sabem lidar com negativas e com a rejeição. E este não é um movimento apenas dos pais, é um movimento da sociedade como um todo.
Quer exemplos: se você vai na maioria das igrejas das religiões ocidentais, na maioria das vezes o preletor fala sobre vitórias individuais, e não sobre como melhorar o mundo. A ansiedade das pessoas não é a ansiedade da geração da década de 60, de lutar por um mundo melhor. A ansiedade das pessoas, atualmente, resume-se aos objetivos individuais, pautados por um mundo competitivo. Formado não por pessoas que queiram melhorar a vida dos outros, mas por pessoas interessadas em comparar-se às outras e fazer qualquer coisa para estar, em uma hierarquia imaginária da vida, em um patamar superior a elas.
Isso é contrário aos próprios ensinamentos de Deus, que nos manda não apenas amar o próximo, mas viver uma vida empenhada em tornar sim o mundo melhor. Nosso individualismo nos deixa cegos para isso, e nesse sentido, os hippies da década de 60 estão mais corretos que nós, apesar de negarem a existência de Deus.
Nossa visão individualista da vida nos torna fracos em relação à rejeição. Sim, eu mesmo tenho dificuldade com isso, e muitas vezes me vejo preso em uma visão distorcida de fracasso pessoal. O problema não está em se considerar fracassado ou bem sucedido, como a sociedade, o sistema econômico e algumas orientações religiosas nos impelem: o problema é estar preso nessa representação individual da vida.
A vida tem que ser vista de forma coletiva. O que você faz para melhorar o mundo, para mudar a vida das pessoas e torná-las mais felizes? O que você faz sem buscar reconhecimento? O que você faz para entender que a vida não se resume a ser aceito ou rejeitado por alguém?
A rejeição individual dói, porque criamos laços individuais. Mas devemos, como Deus fez, transcender a rejeição individual a cada dia, e tornarmos nossa vida algo que tenha um objetivo maior. Eu sempre tenho mais perguntas do que respostas, mas creio que dar amor é a melhor forma de receber amor. 
E finalmente, crer nisso é bem diferente de praticar isso. Nós, humanos, somos suscetíveis a mágoas, angústias, e nos irritamos muito com quaisquer atitudes alheias. Comigo, pelo menos, é assim. Faço um mea-culpa e sei que não consigo lidar com alguns tipo de atitudes. Mas devo lidar. 
E para isso nós precisamos de Deus: para conseguirmos ser as pessoas boas que não conseguimos ser por nós mesmos.
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