Deus existe, uma análise probabilística


Todo ser humano morre.
O estado inicial nosso, quando morremos, é:
– 25% de chances de ir para o céu.
– 50% de chances de não acontecer nada.
– 25% de chances de ir para o inferno.
(Se você for espírita ou de outra religião que acredita em várias vidas substitua os 25% de céu/inferno por reencarnação)
Meu pensamento é:
– Eu não sei o que acontece comigo quando eu morrer.
– Eu não tenho meios de provar, com o método científico, que Deus existe. Ninguém tem.
– Mas ninguém tem meios de provar, com o método científico, que Deus não existe. Para isso todas as respostas do Universo deveriam estar respondidas, o que obviamente não ocorre e provavelmente nunca ocorrerá.
Sendo assim, com a certeza da morte, eu tenho, dentre as possibilidades, que:
– Se Deus não existir eu morro e tudo acaba.
– Se Deus existir e eu fizer o que Ele fala eu vou pro céu.
– Se Deus existir e eu não fizer o que ele fala, não acreditar e tal, eu vou pro inferno
Só que acreditar em Deus me oferece algo que os homens não conseguem me oferecer: a possibilidade de uma vida após a morte. Para sempre. E uma das coisas mais tristes que existem é saber que eu vou morrer. Qualquer possibilidade de haver algo depois da morte que possa fazer nossa existência superar a dimensão tempo me encanta.
Porque o tempo na verdade não existe, é apenas uma sequência de acontecimentos, e pleitear a vida por toda a eternidade nada mais é do que pleitear com que sua vida seja uma sequência eterna de acontecimentos. Portanto, uma violação da 2ª Lei da Termodinâmica, que rege as leis de deterioração em um Universo Newtoniano.
Nosso Universo não é Newtoniano. É relativista ou quântico, se não for uma junção inexplicada (e talvez inexplicável) de elementos das duas teorias. Portanto, a existência de uma sequência infinita de acontecimentos pode ser plausível.
Tendemos, como seres humanos, a entender o espaço e o tempo como entes eternos. 
Resumindo: eu não sei se essa possibilidade da vida eterna existe. Não tenho como provar nem que existe e nem que não existe. Ninguém tem, e nem terá tão cedo. Mas, nesse cenário, acreditar ou não em Deus me leva aos seguintes finais:
SE DEUS NÃO EXISTIR:
1) EU ACREDITO EM DEUS
– Eu morri. Nada acontece. A minha memória se apaga para sempre do Universo, com os átomos que um dia formaram meu corpo se dissolvendo e formando outros organismos ou moléculas. 
2) EU NÃO ACREDITO EM DEUS
– Eu morri. Nada acontece. A minha memória se apaga para sempre do Universo, com os átomos que um dia formaram meu corpo se dissolvendo e formando outros organismos ou moléculas. 
SE DEUS EXISTIR
1) EU ACREDITO EM DEUS
– Eu morri. Como eu acreditava em Deus, Ele gostou disso, perdoou os pecados que eu cometi na Terra e poderei viver a eternidade no céu, sei lá como, mas sem a expectativa de morrer um dia.
2) EU NÃO ACREDITO EM DEUS
– Eu morri. Vou sofrer, queimar no fogo do inferno, virar churrasco e ainda ficar arrependido com a sensação de “ah, merda, devia ter escutado os caras que acreditavam em Deus, que estão lá no céu tranqüilos agora.
RESUMO DE TUDO.
Mesmo sem saber, prefiro acreditar em Deus. Se eu acreditar em Deus e Ele não existir, não tenho absolutamente nada a perder. Mas se eu não acreditar em Deus e Ele existir, eu tenho muita coisa a perder.
E, além disso, prefiro viver com a expectativa de que morrerei um dia e abrirei os olhos em outro lugar, para uma vida eterna. Não consigo aceitar a ideia de que eu vou fechar os olhos e toda a minha memória, minha vida, minhas experiências e meu conhecimento simplesmente vão se apagar, e que isso ocorre a todo ser humano.
Então, no meu pensamento, DEUS EXISTE. E isso não é só fé. É uma esperança necessária. Apenas isso.
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10 respostas para Deus existe, uma análise probabilística

  1. Futuro Agnóstico detected !

  2. Daniel Bruno disse:

    Finalmente, meu último pitaco no seu texto, hehehe.
    Bem, não é tão fácil ir pro céu, pelo menos na prática. Qualquer religião tem alguma espécie de norma de conduta. O argumento no texto baseia-se na inexistência de lado negativo de se crer em algum deus. Pesando os dois extremos, perde-se muito não acreditar em Deus se ele existir pois você não somente perde o céu como também vai para o inferno durante a eternidade, mas também perde-se muito caso Deus não exista e você dedique seu tempo e limite suas ações durante o seu único momento de existência.
    Cabe a cada um fazer sua pesagem.

  3. Daniel Bruno disse:

    Além disso, no início do texto tem uma pequena incoerência matemática. Por mais que exista as possibilidades de céu/nada/inferno, não há índicios impessoais de que as probabilidades de céu/inferno sejam maiores que 0%, e pelo que eu entendi você está ciente deste fato quando analisa todas possibilidades independentemente das probabilidades, como naquela parte: “SE DEUS NÃO EXISTIR: 1) EU ACREDITO EM DEUS…”. O erro tá naquelas porcentagens que você usou logo no começo: “- 25% de chances de ir para o céu.(…)”, que indicam probabilidades onde somente se pode afirmar(com absoluta certeza) que existem possibilidades, pelo fato de que não se pode provar que céu/inferno existem ou não existem. Não sei se expliquei bem, afinal de conta esse erro não interfere muito no argumento como um todo.

  4. Daniel Bruno disse:

    Ainda seguindo a linha de análise de probabilidades, caso exista algum Deus, lembre-se que se existem muitos cultos diferentes; com todo o respeito, mesmo que você não seja um “pecador” segundo os valores cristãos, a probabilidade de que seu Deus seja o que exista é pequena (isto é, considerando que a probabilidade de cada religião seja igual).

    • Léo Rossatto disse:

      Verdade.

      Mas o princípio de Pascal, evocado no texto, diz respeito ao conceito de Deus. A partir da resolução desse primeiro problema, que é a existência de Deus enquanto conceito, esbarramos no segundo conceito, derivado do primeiro, que diz respeito às diferentes “deidades” possíveis. Esse conceito, infinitamente mais complexo, não foi abordado no texto. Ou pelo menos não foi abordado de forma sistemática e completa.

  5. Pingback: Textos e Estatísticas de 2011 | Blog do Léo Rossatto

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