10 anos depois, eles conseguiram


Dez anos dos atentados de 11 de setembro se completarão nesse domingo.
Vamos analisar, rapidamente, quem atingiu seus objetivos.
Qual era o objetivo dos EUA após os atentados?
Basicamente, era “acabar com o terrorismo e consolidar sua posição de potência única”. 
A pergunta é se esse objetivo foi atingido. Digo categoricamente que não. O terrorismo continua presente nos países islâmicos, inclusive em processo de recrudescimento, com constantes ataques nos países invadidos pelos EUA (Afeganistão e Iraque) e nos países adjacentes, com influência das milícias anti-americanas, como Paquistão e Índia.
Em relação à posição de potência única, a situação é pior ainda, com a ascensão chinesa no cenário internacional e com o cenário de crise enfrentado pelos EUA desde 2008, culminando com o recente problema de endividamento do país.
E os terroristas, qual era o objetivo deles?
Basicamente, destruir o “Grande Satã”, os EUA.
Se não houvesse a série de atentados, há dez anos, o Afeganistão não seria invadido. O Iraque também não. Os EUA continuariam tolerando os regimes dos Talebans e de Saddam Hussein, e continuariam com seus investimentos normalmente, diminuindo gradativamente a carga de seu investimento público empregada em Defesa.
Para se ter idéia, os EUA investiam, há dez anos, 16% de seu orçamento em Defesa. Hoje, investem 20%. Um acréscimo de 4% é algo absurdo em tão pouco tempo. E foi um dos grandes responsáveis pelo aumento exponencial do déficit público norte-americano nos últimos dez anos.
Além disso, o investimento militar movimentou a economia americana em um ritmo mais acelerado do que deveria, provocando especulações a catalisando o poder de fogo da crise de 2008. O revanchismo político provocado pela situação atípica “de guerra” e pela malfadada invasão do Iraque provocaram, por exemplo, a quebra do Lehmann Brothers.
Os republicanos não fizeram por menos. Negociaram o aumento do déficit público americano por sete meses, beneficiando os mais ricos e deixando a aprovação para o último dia.  São atitudes que abalaram a confiança internacional nos EUA e deram a visão de que os EUA são mais vulneráveis do que se supunha. E que, obviamente, não ocorreriam se não existissem atentados terroristas há dez anos.
Os terroristas estão mais próximos de impor a decadência dos EUA do que os americanos de acabar com o terrorismo. E isso porque a maior ferida dos atentados não está nos mortos ou feridos. Está no orgulho americano, que fez o país sair alucinadamente para duas guerras de “caçada”, não medindo recursos para isso. Hoje o país paga o preço da irresponsabilidade da última década. E os partidários de Osama Bin Laden que permanecem vivos certamente devem estar bem mais felizes com os rumos atuais dos EUA do que com os EUA de dez anos atrás.
Principalmente se ponderarem que eles foram os principais responsáveis pela decadência atual dos EUA.
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