O elementar direito de ser ridículo


Algumas postagens em blogs são acerca daquilo que você é. Outras são acerca daquilo que você quer ser e não consegue. Essa é uma delas.

Eu ainda tenho medo de ser ridicularizado, necessidade de seguir o status quo e o infeliz hábito de, eventualmente, julgar e ridicularizar a opinião alheia. E uma necessidade enorme de mudar tudo isso.

E vamos esclarecer que ser ridículo, nessa concepção, é ser inocente, acreditar em seus sonhos sem se importar com as opiniões contrárias, e passa longe de, por exemplo, emitir opiniões fortes apenas para causar polêmica. Um dos grandes problemas do mundo, atualmente, são as pessoas que saem do senso comum apenas para chocar aos outros ou para aparecer mais do que os outros. Esse tipo de gente desvaloriza e confunde quem quer apenas seguir atrás de seus sonhos, catalisando o medo da exposição.

Grandes inovações e mudanças de paradigma na humanidade foram introduzidas por pessoas que superaram o medo do ridículo. Durante mil anos a humanidade sofreu com a imposição de um status quo dogmático por parte da Igreja Católica, que só foi superado pela coragem de homens como Nicolau Copérnico, Martinho Lutero e Galileu Galilei, nas mais diferentes áreas da ciência e da teologia. A física do século XX só faz sentido porque Einstein não teve nenhum medo de parecer ridículo ao propor uma mudança profunda nos paradigmas da ciência com das teorias da Relatividade Geral e Espacial.

A maioria das inovações no século XX foram feitas por pessoas que passaram maus momentos e foram expostas ao ridículo. Um exemplo é Daniel Shechtman, que venceu o Prêmio Nobel de Química em 2011, que foi expulso de sua equipe antes de encontrar colegas cientistas que comprovassem sua tese da existência dos Quasicristais, estruturas cristalinas que se organizam como um mosaico em padrões que não se repetem.

Outro desses foi Steve Jobs, que faleceu semana passada. Foi um inovador, que não tinha medo de se expor ao ridículo para mudar os paradigmas. Não questiono aqui se foi boa ou má pessoa ou se explorou chineses para produzir IPhones e IPads, só relembro aqui que ele, assim como Schechtman e outros, não teve medo de encarar a ridicularização para mudar paradigmas.

Então, três coisas são meus objetivos a partir de agora:

1) Não julgar os outros. Não adianta tentar superar o medo de ser ridicularizado se você ridiculariza as opiniões de quem não segue aquilo em que você acredita. Coloque-se no lugar do outro sempre. Você pode não concordar com o que a pessoa fala, mas entenderá alguns dos motivos dela. E, acredite: a maioria das pessoas são sinceras em seus motivos e acreditam realmente neles, por mais que você os considere esdrúxulos.

2) Não me prender ao status quo – não emitir opiniões baseadas em um grupo de afinidade, e sim naquilo que meu coração acredita. Temos muito menos a perder do que achamos que temos, e o mais honesto que podemos fazer com nossas vidas é seguir sem reserva tudo aquilo que acreditamos.

3) O principal: não ter medo de ser ridículo. A maioria de nossas ações é pautada pela necessidade de aceitação, pela necessidade de feedback, pelo medo de sermos ridicularizados. Se nos deixarmos dominar por esse medo, apenas reproduziremos, eternamente, as mesmas relações de sempre. Não inovaremos, não contribuiremos para mudar paradigmas, não faremos nada digno de menção.

Nós realmente não temos nada a perder. Necessidades irrelevantes, como as de aceitação e de elogios, são  absolutamente irrelevantes quando nos deparamos com o tamanho de nossos sonhos. Adiar ou postergar indefinidamente os seus sonhos, por medo de ser ridicularizado, só vai te levar a uma coisa: a esquecer todos eles.

Viva e busque todos os dias aquilo que ainda faz o seu coração se alegrar e o sangue correr nas suas veias. sem medo de parecer ridículo. Precisamos de um mundo de pessoas mais ridículas, de mais pessoas dispostas a mudar paradigmas. E de menos pessoas que ridicularizem as outras.

O laissez faire, laissez aller, laissez passer não deveria ser usado na economia. deveria ser usado na vida. Viva, deixe viver, deixe as coisas acontecerem naturalmente, não se cobre, não tenha medo de quebrar paradigmas. A melhor forma de melhorar a vida das pessoas é mostrar, com a prática diária, que você não tem medo de se expor. E que tudo tem um objetivo maior. A felicidade, a realização dos sonhos e a melhoria da vida de todas as pessoas, que nos cerquem ou não, depende completamente de não termos medo da exposição ao ridículo.

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2 respostas para O elementar direito de ser ridículo

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