O mundo precisa de mais sonhadores


Estamos em um mundo muito realista. E, acreditem, isso é uma autocrítica.

As pessoas não se permitem mais sonhar. O progresso científico nos últimos séculos foi algo maravilhoso, e é inegável que a qualidade de vida da humanidade melhorou demais devido à ciência e à tecnologia. Especialmente no século XX.

No entanto, o progresso científico trouxe uma mudança filosófica e cultural importante. O método científico, em que teorias deveriam ser provadas ou desmentidas pela análise empírica, espalhou-se pela sociedade ocidental e tornou-se paradigmática. Para quem não sabe, o empirismo é herança do positivismo que Auguste Comte introduziu no século XIX. Todos os fenômenos da natureza estariam pautados, segundo Comte, por leis próprias e contantes. Duas coisas são importantes de salientar aqui. Para Comte:

1) Todo fenômeno pode, de alguma forma, ser explicado pela ciência.

2) Todo fenômeno obedece leis naturais e imutáveis.

Com o tempo, o positivismo provou-se uma teoria insuficiente e cheia de lacunas. A Física do século XX, que questionou a imutabilidade do espaço e do tempo e provou que a posição e a velocidade de determinados objetos não podem ser medidos ao mesmo tempo, dentre outras proezas, mostrou que o positivismo era extremamente simplista em suas teses. Existem coisas que simplesmente são inexplicáveis, mesmo na mais exata das ciências (a matemática). Os fractais e a teoria do Caos estão aí para provar isso.

No entanto, a maior influência do positivismo não ocorreu na ciência, e sim na mentalidade e na cultura dos países ocidentais. Não vou entrar em detalhes da teoria de Comte, que é complexa e tem muita coisa estranha, mas a sociedade começou, a partir do Positivismo, a ter uma crença quase religiosa no método científico. Basicamente, os setores dominantes da sociedade passaram a crer que efetivamente, a longo prazo, a ciência daria todas as respostas possíveis.

E aí entra o argumento do título dessa postagem: a ciência tem méritos incríveis, é maravilhosa, mas faz com que uma mudança cultural negativa ocorresse. As pessoas começaram a se pautar demais no método científico, não se permitindo sonhos e divagações. Ou, quando se permitem, fazendo-as de forma totalmente inapropriada, sem nenhum nexo. Ou somos vítimas do realismo exacerbado, expresso numa representação filosófica do método científico no dia-a-dia, ou somos vítimas de um misticismo barato, feito sob medida para funcionar como uma fuga.

Os dois extremos coincidem em dois pontos:

1) O realismo e o misticismo são adaptados a uma sociedade individualista, que só pensa nos interesses pessoais e imediatos. É como se a vida fosse uma série de pequenas encomendas e realizações que, juntas, são extremamente irrelevantes.

2) Esse interesse nas coisas imediatas destrói sonhos, pois restringem os mesmos à esfera da individualidade. Menospreza o esforço coletivo, a cooperação, os sonhos coletivos de paz e justiça. É reflexo de uma sociedade cada vez mais egoísta, que precisa de mais pessoas que saltem além do realismo ou do misticismo. Que precisa de mais sonhadores.

Eu acredito muito fielmente na liberdade. E a maior liberdade que pode existir é a de pensamento. Seja ele científico, moral, ético ou religioso.

Como exemplo, eu, pessoalmente, acredito em Deus, creio em Jesus Cristo, no Deus cristão da Bíblia e em tudo o que está escrito nEla. mas eu também creio que você tem a liberdade de acreditar no que quiser, por dois motivos:

1) A sinceridade de intenções: quando as pessoas creem em algo, elas fazem isso sinceramente. Nunca ache que alguém crê em algo para levar vantagens. Isso pode até ocorrer, mas não é a regra, é a exceção. Todos têm uma história pregressa e um pack de experiências que tornam a pessoa quem ela é hoje.

2) A liberdade deve respeitar a liberdade alheia. Todo esforço de convencimento insistente é inútil. Porque a melhor forma de convencer alguém de sua opinião é sendo aquilo que todo sonhador é: um entusiasta. Alguém que realmente tem felicidade naquilo em que acredita.

Todo sonhador é um entusiasta. O entusiasta é aquele que ignora ou não acredita nos que dizem que algo é impossível. O mundo precisa de mais pessoas assim. Que sejam entusiastas e amem a liberdade. E, mais do que isso, que amem a ideia de tornar a vida das pessoas melhor, através de entusiasmo, alegria, amor sincero e apreço à liberdade.

Eu, pessoalmente, tento encontrar esse espírito entusiasta e sonhador crendo em Deus. Ainda falho demais, é verdade, ainda cometo erros crassos e infantis, mas tento melhorar a cada dia. Não quero ser exemplo, quero apenas tornar a vida de todos ao meu redor melhor. Sem deixar ninguém pelo caminho.

Só é realmente feliz aquele que se alegra na felicidade dos outros. O mundo precisa de mais gente assim. De sonhadores que não pensem em si, mas que façam os outros felizes.

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