Como Shevchenko foi parar no Santo André


Em dezembro do ano passado, surgiu uma especulação improvável no site Futebol Interior, dando conta de uma negociação do ucraniano Shevchenko com o Santo André, para disputa do Paulistão de 2011 e da Série C (quem dera ele tivesse vindo, pelo menos acho que não cairíamos no Paulistão).

No entanto, a maioria ainda não sabe que a notícia foi fruto de um hoax de Internet. Idealizado e fomentado por este que vos fala.

Tudo começou com um tweet despretensioso:

http://twitter.com/leorossatto/status/17405104126689280#

Depois, com a ajuda de alguns amigos do Fórum Tabelando, montamos uma notícia a respeito e postamos sobre.

Eis que, um dia depois do desafio, na tarde do dia 23 de dezembro, mandam mensagem no meu celular falando que a notícia estava na capa do Futebol Interior. Cheguei em casa e me deparei com isso:

http://www.futebolinterior.com.br/campeonato/paulista-serie_a1-2011/162821+Boatos_colocam_atacante_Shevchenko_em_clube_do_Paulistao

Capa do Futebol Interior

A partir daí, como tudo na Internet, a notícia virou uma bola de neve. A notícia repercutiu na Internet, a ponto do Diário do Grande ABC, principal veículo de notícias da região do ABC paulista, entrevistar o presidente, que negou as especulações, e divulgar uma notícia em sua versão impressa.

Presidente do Santo André negando interesse em Shevchenko: “Nem sei quem é”.

No meio do processo, ainda conseguimos emplacar uma notícia dizendo que “O São Caetano estava atrás do argentino Hernán Crespo como resposta à contratação de Shevchenko pelo Santo André”:

http://www.futebolinterior.com.br/clube/sao_caetano-sp/162874+Sao_Caetano_nega_interesse_em_craque_argentino_e_prepara_pacotao_de_reforcos

E a partir daí, a notícia ganhou corpo e chegou a ser publicada até na Ucrânia. Não sei se Shevchenko chegou a ter conhecimento.

No período, chegamos a emplacar outras especulações absurdas, como a de Freddy Adu no América-MG, propagada pela Rádio Itatiaia.

Não existe uma lição de moral nisso tudo. A história fala por si só. A grande valia disso tudo foi mesmo a diversão e as risadas proporcionadas.

Em tempo: eu paguei os 100 reais, ainda no mês de dezembro, ao Sérgio Júnior, membro do fórum citado no começo do post, que enviou a notícia para o Futebol Interior e viu ela ser publicada por algum jornalista, certamente pouco cuidadoso com suas fontes.

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7 respostas para Como Shevchenko foi parar no Santo André

  1. Pingback: A incrível saga de Shevchenko no Santo André | Total Football

  2. Shevchenko é um dos melhores que eu vi. Ele no Santo Andre e conversa para quem não tem o que fazer.

  3. Pingback: O maior caráter do futebol mundial | O Enciclopedista

  4. Léo Rossatto disse:

    Grande orgulho irrelevante da vida saber que a especulação mais bizarra da história do futebol brasileiro foi culpa sua: http://esportes.r7.com/futebol/fotos/os-maiores-absurdos-do-mercado-da-bola-20120108.html

  5. Pingback: Textos e Estatísticas de 2011 | Blog do Léo Rossatto

  6. kudufegu disse:

    It\’s wise all the best

  7. Como não há uma lição de moral, Léo? É claro que há.

    A situação claramente deflagra dois problemas absurdos do jornalismo: a preguiça e a confiabilidade.

    1 – Como pode haver jornalista preguiçoso? A essência do jornalismo é justamente oposta. A curiosidade, a veracidade da informação, a busca pela verdade. Quando claramente há um problema de ordem maior (entendam como interferência de alguém poderoso no jornal sobre uma matéria teoricamente isenta) “tudo bem” – é “compreensível” -, mas, nesse caso, é pura preguiça mesmo. É ouvir/ler um boato e propagá-lo, por meio de um veículo de comunicação, como se fosse uma verdade. Ok, o tema não é tão relevante assim, mas é assustadora a deficiência na checagem das fontes.

    2 – Confiabilidade. Quem conhece o FI sabe que não dá pra levar a sério boa parte do que está escrito lá. O próprio print acima é um exemplo claro da metodologia deles: “Boatos colocam atacante Shevchenko em clube do Paulistão”. Entretanto, não é todo mundo que sabe sobre a reputação de “barrigadas” do FI. Há quem acredite nisso aí.

    O que me preocupa, enfim, é que jornalistas e meios de comunicação estão cada vez piores. Menos confiáveis. Ao perdermos o meio e o mensageiro, não dá para esperar muito da mensagem – ou do receptor.

    Triste.

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