Minha opinião sobre o “caso USP”


Blogueiro que é blogueiro não fica sem opinar sobre a história dos PM’s que abordaram alguns estudantes fumando maconha na USP. Gostaria de falar sobre o assunto de forma muito resumida, porque toda essa história me dá asco. E porque EU SEI que você já está com dor de estômago de tanto ler asneiras a respeito nas redes sociais.

1) Tem muito crime, violência e gente sendo morta fora da Universidade pra PM dar tanta atenção a reprimir pessoas que estavam usando droga na universidade. Essa história toda mobilizou 400 PM’s. Enquanto isso, notícias como essa continuam corriqueiras, nem causam mais impacto:

http://www.band.com.br/noticias/cidades/noticia/?id=100000465591

2) Tem muito problema na educação do país, mas muito mesmo, pra principal preocupação do Movimento Estadantil ser tirar a PM da USP. Se o Brasil melhorou na área social, não se pode dizer o mesmo da educação. Os estudantes poderiam lutar por algo muito mais simples e eficiente, inclusive para eles: pela melhoria das condições de trabalho, dos salários e da capacitação dos professores. A educação só vai melhorar quando o professor for uma profissão valorizada, um salário decente, um programa de capacitação contínua, credibilidade e segurança na sala de aula, não sendo alvo de piadas como a célebre (e triste) frase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizendo que “Se a pessoa não consegue produzir, coitado, vai ser professor.” Fica a dica, Movimento Estudantil.

3) Quem bancou tudo isso foi o reitor. Quando você insere um organismo estranho em qualquer lugar, é óbvio que todo resto do lugar vai se voltar contra esse organismo, principalmente quando esse ente é completamente contrário a cultura local consolidada, e ainda tem má fama. Até o corpo humano faz isso. Era óbvio que algo assim iria acontecer quando você mistura uma cultura de repressão, como a da PM, em um ambiente que tem um histórico de total liberdade. 70 estudantes foram presos. Na verdade, até demorou muito pra algo do tipo ocorrer. E antes de colocar a culpa nos estudantes e na PM, convém sim colocar a culpa na administração da universidade.

Conclusão: é simples, é óbvio, e é patético, mas ninguém fala. Mas passou muito da hora de rever prioridades. Não da PM ou do movimento estudantil, mas da Universidade. Rever a integração da Universidade com a sociedade. Boa parte da galera que acha que “tem que dar borrachada mesmo nesses vagabundos” no fundo sente uma inveja não admitida, por não ter tido chance de se graduar na USP. E isso só acontece porque a própria USP (assim como outras universidades) se considera uma ilha. E, para boa parte da população, uma ilha que não beneficia a sociedade.

Então, vamos combinar assim: os PM’s cuidam da segurança da população, que é um problema crônico e com inúmeras causas, o Movimento Estudantil cuida de lutar pela educação, que ainda é pífia no geral, e as administrações universitárias cuidam de mostrar à sociedade, através de ações (e não de publicidade), que são essenciais sim para a população e podem “retribuir” o que o cidadão investe em impostos para sustentar o ensino universitário.

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