Belo Monte e o “inverso do inverso”


Ok, se o assunto é da moda, eu dou pitacos. Então vamos falar de Belo Monte aqui.

Uma semana atrás, surgiu um vídeo repleto de atores da Globo se manifestando contra a construção de Belo Monte, com argumentos pífios. Aquele apelo emocional claramente fruto de representação, típico de atores provenientes do Projac. Se você ainda não viu (e deixo claro que NÃO RECOMENDO), o vídeo é esse:

 

A partir daí muitas pessoas surpreendentemente acordaram para o tema, como se Belo Monte não fosse algo que estivesse tramitando há vários anos. Sim, porque as coisas só ganham notoriedade, para muita gente, quando são feitas por atores da Globo. E os próprios políticos sabem disso. Quem não se lembra da Regina Duarte, na campanha do Serra em 2002, falando que “tinha medo” do Lula?

O que me admira muito era que um monte de gente que se diz de esquerda e era contra Belo Monte até outro dia do nada virou favorável só por causa de um vídeo meia-boca feito por atores da Globo. Então o que vale para muita gente não é ponderar sobre os efeitos da coisa pra esses daí, mas ser contra o Mainstream.

Em todo caso, estou mais inclinado a ser contra a construção de Belo Monte do que a favor. Grandes empreendimentos energéticos hoje servem às indústrias e não tanto aos lares. Se fosse gasto metade disso pelo governo em subsídio para células fotovoltaicas caseiras, para as pessoas produzirem a energia que consomem, teríamos, com a colaboração da população, muito mais do que a energia produzida por Belo Monte. A um preço muito mais baixo para todo mundo. Só que as concessionárias de energia elétrica obviamente fazem lobby para que os governos nem pensem nisso e elas mantenham sua política monopolista.

E o setor energético tá controlado pelo Edison Lobão, capanga do Sarney. É o que há de pior e mais mesquinho na base governista. As pessoas tem que ser muito inocentes pra achar que algo é bom só porque é a base governista da Dilma que tá fazendo. O governo Dilma é de coalizão, e obviamente reúne muita gente interessada só em manter clusters de poder e favorecimento político. O exemplo mais notório é o próprio PMDB.

E nem entrei no mérito das terras indígenas, visto que a maior parte da energia de Belo Monte vai pra abastecer minas de extração de minérios e fazendas de soja originalmente griladas na região, contribuindo muito com o desmatamento nos próximos anos. Aliada a aprovação do polêmico Código Florestal, que serve mais para anistiar grileiros do que para preservar alguma coisa, a construção de Belo Monte pode ser mais prejudicial à Floresta Amazônica como um todo do que às comunidades de indígenas que vivem nas regiões ribeirinhas do Rio Xingu. Que já seria, por si só, motivo mais do que suficiente para que a construção da usina fosse repensada.

Então, ponderem. E não se deixem levar pela lógica do “inverso do inverso”. É aquela história: mesmo um relógio quebrado está certo duas vezes por dia. E dessa vez, mesmo que claramente pelas motivações erradas, o relógio quebrado está certo.

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5 respostas para Belo Monte e o “inverso do inverso”

  1. Pingback: Textos e Estatísticas de 2011 | Blog do Léo Rossatto

  2. TV Belo Monte disse:

    Belo Monte por ser projeto muito complexo gera muitos questionamentos. E todos eles merecem atenção e respostas. Venha colocar suas questões no nosso Canal do Youtube e nos ajude a construir um projeto melhor. Nossa idéia é ir construindo Belo Monte junto com você.

  3. Clarisse Wolf disse:

    A Amazônia sofre desde sempre com grileiros, com desmatamento, só no mês de outubro o desmatamento ultrapassou os 300 km², mais do que o que será alagado, visto que o próprio leito do rio é metade do lago. Enfim… acho que seria um meio também de ocupação e defesa do território.

  4. Carlos Ardana disse:

    A construção da usina de Belo monte realmente nos leva a conflitos com nós mesmos, eu ainda não tenho uma opinião formada, mas é fato que temos um déficit energético muito grande, e se a região norte/nordeste quer crescer, o caminho é esse.

    Os principais opositores são os ambientalistas, nada de anormal, já que na região tem milhares de ONGs estrangeiras na região, e eu sou 100% contras essas ongs, pois sei que nenhuma delas esta interessadas em ajudar o brasileiro, caso tivessem estariam em lugar onde realmente se precisa de ajuda. ( tipo sertão nordestino). Bio-pirataria é o crime mais básico praticados na região norte.

    Sou mais contra a divisão do Pará, do que a construção da usina, a solução que você propos poderia ser usada em conjunto com a usina, pois a construção da mesma esta realmente visando os grandes latifundiários e empresários da região.

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