Chocolates de infância e boas recordações


Vocês podem achar estranho, mas eu sinto falta de alguns chocolates de quando eu era criança. Quando o KitKat voltou a ser vendido no Brasil, em julho, muita gente ficou feliz com isso e relembrou outros chocolates que fizeram sucesso nas décadas de 80 e 90.

Vamos deixar claro que os chocolates da época eram infinitamente mais gostosos que os de hoje. Ok, pode ser que não, mas naquela época comprar um chocolate tinha toda uma MÍSTICA, não era algo banal que você fazia indo no mercado e passando seu Visa (bala de troco, que cosa triste…).

Comprar chocolate era quase um EVENTO. Quando minha mãe me dava uns trocados e eu podia comprar um, era algo que alegrava sinceramente meu dia. Você não comia o chocolate feito um porco, apressado, como se fosse o prato do self-service no almoço. Você dava uma mordida pequena no chocolate, ficava desfrutando dele e sentindo o sabor se espalhar na boca, até aquele pedacinho de chocolate se extinguir e você morder outro pequeno pedacinho. Era uma experiência fascinante. Principalmente pra minha família, que não podia comprar chocolate todos os dias.

Agradeço demais o imenso esforço dos meus pais em me proporcionar uma vida melhor, em que eu pudesse comprar chocolate quando bem entendesse (menos quando estou de dieta, que fique bem claro). E seguem alguns dos chocolates que saltam às retinas e que marcaram época nas décadas de 80 (finalzinho) e 90:

1. Lollo

Lollo, um diamante de malte

“Ah, mas existe o Milkybar”. Não é e nunca será a mesma coisa. O Lollo era um diamante de Malte, uma pérola dos chocolates da década de 80. Desculpem os mais novos, mas não tem NADA a ver com essa coisa borrachuda e com leve gosto de chocolate que é o Milkybar. O Lollo derretia na boca de uma forma sobrenatural, fazendo o gosto de chocolate e malte se espalhar por cada poro do seu corpo. Uma obra de arte em forma de chocolate.

2. Surpresa

O melhor chocolate já produzido por humanos

Falem o que vocês quiserem, o Surpresa é e será o melhor chocolate que eu já comi na vida.  E ainda vinha com essas cards de brinde, com temas variados: bichos, dinossauros, Copa do Mundo. Até um tempo atrás tinha a coleção completa dos dinossauros, mas não faço ideia de onde foi parar.

Mas o melhor era o gosto do chocolate. Chocolate ao leite, fino, quando eu comia tinha certeza que era o ápice da minha vida infantil depois das leituras diárias da Barsa (é, a enciclopédia). Era um chocolate com gosto de chocolate, a definição de chocolate pra mim, desses que você colocava na boca e ficava saboreando aos poucos, com medo do chocolate acabar logo e você não ter mais aquele sabor maravilhoso disponível tão cedo. Era o melhor chocolate com os melhores brindes.

3. Chocolate Turma da Mônica

Um chocolate bonitinho. Fofo. Lembrava o Surpresa até, mas vinha sem brindes e a metade interna era branca. Como eu não gostava muito de chocolate branco na época (e até hoje acho extremamente enjoativo na maioria das ocasiões) eu não tinha tanto AFINCO em comer esse chocolate. Basicamente, funcionava assim: a parte de chocolate branco eu comia mais rápido, para me concentrar na parte que valia a pena, que era a de chocolate MESMO. Essa eu saboreava com o mesmo modus operandi e o mesmo prazer com que eu saboreava o Surpresa. E só por isso já compensava.

4. Bombom Sedução

No quesito bombons, muitos preferiam o Sonho de Valsa. Outros preferiam o Ouro Branco (era meu caso) ou o Serenata de Amor.

Isso até 1996, mais ou menos, quando surgiu o Bombom Sedução. Era algo de dar pulos de alegria poder comer um bombom de chocolate recheado de chocolate. E aquele recheio era muito bom, sensacional mesmo.

Não sei como vocês comem bombom, mas eu sempre comi assim: primeiro você come a casquinha de chocolate por fora, dando uma leve mordida que não assassina a parte interna do bombom, de formato AMENDOADO. Depois, ao comer o MANJAR DOS DEUSES que era a parte de dentro do bombom, meu cérebro entrava em estado de êxtase, sendo inundado por aquele sabor de chocolate intenso, como se fosse o último copo de água (com pedras de gelo) do deserto.

O Sedução deve ter sido minha primeira paixão adolescente. E olha que eu era daqueles adolescentes bobos, que sempre tinha uma paixãozinha aqui e outra acolá. Inesquecível (mas eu esqueci na primeira versão do post, confesso).

5. Chocolate KRI (sugerido pelo Arthur Chrispin – @achrispin)

Segue a propaganda:

Outro da turma que mudou de nome e perdeu a mística. Virou Crunch. Um chocolate normal com floquinhos murchos de arroz. Mas antes era o KRI. Os floquinhos de arroz não eram murchos. O gosto do chocolate era intenso. Ou seja: ao contrário de hoje, o KRI era um chocolate de verdade.

Um chocolate com a leve desvantagem de ser IMPOSSÍVEL de se comer escondido, pois, como já disse, os floquinhos de arroz NÃO eram murchos. Mordidas faziam barulho. E eu deixava o chocolate derreter na boca até ficarem só os floquinhos. Só depois mordia eles. Era uma das melhores sensações da infância.

6. Cigarrinhos (lápis), guarda-chuvinhas, moedas de chocolate Pan e Peixinhos de chocolate (lembrado pelo João Paulo Borgonove – @Borgo_)

Guarda-Chuvas

Os chocolates doíam de ruins. O gosto de gordura hidrogenada deles, e aquele ranço ruim que vinha junto, ficava por horas na boca, e sempre me deixava empapuçado. Mas, fazer o que, esses chocolatinhos aí em cima tinham uma certa mística, e também tinham algo importante para quem não tinha muita condição financeira: ERAM BARATOS. No dia em que você queria quantidade, e não qualidade, você comprava as moedinhas, os lápis ou os guarda-chuvinhas. Obviamente era preferível comer UM Surpresa do que meia dúzia de guarda-chuvas, mas éramos crianças, e fazíamos umas besteiras de vez em quando. Como fazemos até hoje.

Fica a menção pela história deles. Os cigarros foram transformados em lápis (é lápis mesmo, plural de lápis é lápis) no início da década de 90, quando começou efetivamente a pressão anti-tabagista. As moedinhas e guarda-chuvas (que não eram necessariamente Pan, mas podiam ser de alguma marca AINDA pior) estiveram sempre no mercado. Os peixinhos, que eram da Harald ou da Mirasbel, também. A preços módicos. Imagina a sensação de poder e de realização de uma criança boba que nem eu falando pro saudoso tiozinho da Lojinha de Doces perto de casa “Tio, me dá um real de moedinhas” e saindo com um saquinho enorme cheio delas, que eu ia comer a tarde toda? Essas coisas valem mais do que o gosto do chocolate em si. São pequenos momentos de felicidade.

Enfim, existem outros chocolates igualmente importantes. Muitos existem até hoje, como o Suflair (que eu nunca comprava, era muito caro), o Chokito, o Prestígio e o Diamante Negro (esses eu não gostava tanto). Do Diamante Negro, aliás, eu só gostava do Sorvete da Kibon. Mas isso é assunto pra outro momento.

Impressiona como uma coisa aparentemente irrelevante, um chocolate, pode trazer tanta lembrança boa. Traz de volta a infância, uma época em que eu me revezava entre brincadeiras e leituras, com uma naturalidade rara. A Enciclopédia Barsa de casa (que foi pra casa de uma amiga da família semana passada por não ter mais espaço em casa, estou com saudades), de 1976, ficou toda suja, porque frequentemente eu jogava futebol, às vezes até sozinho, e depois entrava em casa e ia direto ler alguma coisa. Deitado no chão da sala. Sem nem lavar as mãos.

Chocolates são mais do que sabores. São lembranças. E, assim como as lembranças, é até melhor que eles não voltem mais. Para não perdermos as boas recordações que eles trouxeram na nossa infância.

Anúncios
Esse post foi publicado em Aleatoriedades e marcado . Guardar link permanente.

12 respostas para Chocolates de infância e boas recordações

  1. Pingback: Aleatório, Eventual & Livre

  2. dr rauber soares disse:

    quase chorei tendo uma crise de nostalgia … texto magnifico, tocante mesmo … obrigado por me trazer boas lembrancas de volta !!!

  3. Yuri disse:

    essa semana mesmo deu-me um branco na cabeça sobre os chocolates que vinham com cards de dinossauros e animais, que eu tinha alguns e como todos vocês, sabe-se lá onde foram parar.

    daí, em mais uma confusão mental, achava que eram esses da Turma Da Mônica, que vinha a personagem no “chocolate” branco (hehe) e o contorno em chocolate normal. Obviamente eu comia o chocolate preto fazendo o contorno certinho para deixar só a personagem, como criança faz com tudo comestível que existe no formato de alguma coisa.

    cheguei aqui na total coincidência e já matei dois coelhos com uma caixa d’água só (o que já é vacilo, pois com uma caixa d’água dá prá matar uns 20).

    que fique registrado como o Sedução piorou sensivelmente. Como as bolachas Bono, Trakinas e os chocolates supracitados.

  4. outra coisa: quanto ao acesso a essas guloseimas… refrigerante só se tomava no fim de semana!! Comprava-se apenas uma ou duas garrafas de um litro e, por incrível q pareça, isso servia e dava pra todo mundo da família!!!!

  5. kkk, muito bom! O Lollo realmente era muito superior ao Milkybar. Mas discordo do Surpresa, só valia a pena por causa dos cards. O Charge é um q mudou a fórmula e deu uma piorada, de uns cinco anos pra cá… não tem mais aquele caramelo q grudava na boca qdo vc mordia… Apesar de não ser propriamente um chocolate, Brow Cown tinha a mesma aura que um sorvete Haggen Daz tem hoje: caro mas muito bom! Poucos gastavam a mais para ter um desses em casa… e ninguém queria misturar no leite: queria tomar puro mesmo!!!

    • Léo Rossatto disse:

      Uns tempos atrás me disseram que Brown Cow tinha voltado e tava disponível no Pão de Açúcar. Cheguei a procurar, mas nunca achei. Aqui era o Santo Graal dos achocolatados, tomei umas duas vezes só quando era pequeno. E, sim, ninguém queria misturar no leite, hahaha. Quanto ao refrigerante, era bem isso mesmo. Bem mais limitado, você tomava um copo feliz e uma garrafa de vidro de 1 litro dava pra todo mundo. E era bem melhor. Saudades daquela época.

  6. Expedito Paz disse:

    Lollo e Cri foram formadores de caráter. Sem mais.

  7. Lollo era fodão. Aqui, na páscoa, rolava uma cesta em forma de caminhãozinho da Barion. Ganhei umas quatro vezes na infância.

  8. Pingback: Textos e Estatísticas de 2011 | Blog do Léo Rossatto

  9. Élvio & Suzana ® disse:

    Dadinho,lanche Mirabel,paçoquinha Amor….

    Huuummmmm bons tempos!

    Valeu por me levar de volta a minha infância!

  10. Léo Rossatto disse:

    Dizioli, Mirabel, Peixinhos de chocolate… tinha MUITO mais coisa, hehehe, se eu fosse falar escreveria uma Bíblia a respeito.

  11. Pô…não citou chocolates DIZIOLI, tsc, tsc, tsc…lamentável.
    Realmente eram outros tempos, o acesso ao chocolate (como à várias outras coisas, o que já daria outro post) era mais difícil, sendo raras as oportunidades de comer um (geralmente comíamos o “gibi” do bar, que era mais barato), o que nos levava a aproveitar ao máximo as oportunidades. Em determinado período da minha infância o meu pai trabalhava a noite e ao chegar pela manhã, quando eu ainda estava dormindo, deixava um chocolate ao lado do meu travesseiro. Sensação inesquecível acordar e achar o chocolate ao lado…bela lembrança.

Dê a sua opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s