O medo


Cada vez mais a sociedade e a vida cotidiana de todos nós é sufocada pelo medo.

Todos nós somos de uma geração que tem pavor de conversar na rua até mais tarde, anda olhando para os lados, com medo de ver alguém mal encarado, e faz questão de “vender” um dos valores mais importantes que existe, a liberdade, para termos segurança.

O medo é um elemento de controle social. É utilizado pelas autoridades para manter o status quo atual. É usado para afastar as pessoas e torná-las inimigas umas das outras.

Vivemos em uma sociedade em que a imprensa conta em detalhes todos os crimes e atrocidades cometidos, mas quase nunca as vitórias. Vivemos em uma era da espetacularização do medo: os governos e a mídia vendem uma sensação de insegurança generalizada para manter a situação sob controle. Com medo, as pessoas não saem ás ruas, não se voltam contra os governos, abrem mão de sua liberdade.

Em troca disso, os governos oferecem um ativo que julgam ser o antídoto para o medo: a segurança. De forma ineficaz e truculenta, tornam a sociedade cada vez mais “segura”, e nós cedemos cada vez mais de nossa liberdade em nome da segurança. Em nome do medo. É em nome do medo que a Polícia Militar entrou na USP, por exemplo, com aprovação de parte significativa dos estudantes.

É em nome do medo que as pessoas blindam seus carros, fecham suas casas e compram apartamentos em condomínios fechados com segurança particular. As pessoas são controladas. O medo conduz ao mesmo sentimento que a opressão e a depressão: o individualismo. Viver sob a égide do medo faz com que qualquer governo controle muito melhor seus passos. Afinal, com medo, você se isola dos outros (cada um pode ser uma ameaça em potencial) e vive sozinho, apenas para conquistar pequenas e irrelevantes coisas para si.

O medo produz indiferença. É um sentimento sufocador, e, como sentimento que sufoca, impede você de ver as coisas boas da vida. Impedem você de ajudar as pessoas, de explorar o desconhecido, de viver. Torna você indiferente a tudo o que ocorre na sociedade. Porque o medo não é o oposto da coragem. É oposto ao conhecimento. O oposto do medo, em tese seria a segurança. Mas a segurança é um dos sentimentos mais individuais que existem. Ou você já viu pessoas pensarem na segurança DE TODOS?

A segurança DE TODOS é o conhecimento. O sentimento de insegurança parte, na maioria das vezes, da ignorância. O medo, na verdade, é o não saber lidar com situações adversas. E a segurança é conhecer a solução para elas.

O medo, antes de tudo, é inimigo da liberdade. Milhões de pessoas morreram para que pudéssemos ter liberdade em toda a História. Desde a Bíblia, em que Jesus morreu para que pudéssemos ter liberdade de escolher nosso destino, até as várias guerras que foram feitas para que as pessoas não vivessem mais sobre a opressão do medo.

Maquiavel disse em sua célebre obra (O Príncipe) que o medo era a melhor forma de controlar os povos. Supere a ditadura do medo, não deixe o medo dominar a sua vida e lute diariamente pela sua liberdade. Porque a liberdade não está em se esconder dos problemas, em sua individualidade e em sua insegurança: está em recuperar sua alegria, recuperar a força do seu espírito, em manter a alegria, o altruísmo e expressar diariamente o amor ao próximo, como forma de dizer para as pessoas que elas são mais importantes que o medo que você sente delas.

Anúncios
Esse post foi publicado em Pitacos. Bookmark o link permanente.

10 respostas para O medo

  1. Pingback: Maioridade do que e para quem? | Aleatório, Eventual & Livre

  2. Pingback: A ânsia por proibir | O Enciclopedista

  3. Pingback: A Lei mais estúpida da humanidade | O Enciclopedista

  4. Pingback: Eu não me sinto representado | Textos – por Leonardo Rossatto

  5. Pingback: Um país que ignora a educação | Textos – Léo Rossatto

  6. Pingback: Textos e Estatísticas de 2011 | Blog do Léo Rossatto

  7. Ariane C. disse:

    Vi seu comentário no mistura urbana e vim ler o post.
    É exatamente isso, vejo paulistanos mais antigos falarem q “na época do Maluf a ROTA estava nas ruas”, “que era bom no tempo da ditadura”, entre outras barbaridades, como se o estado de proibição e controle garantisse a ordem e a paz.
    Concordo contigo, inclusive acho que a propaganda do medo – vide jornais vespertinos – é estratégico. As pessoas não se manifestam porque sabem que vão apanhar da polícia, mesmo quando são lesadas por um transporte público deficiente e caro. As pessoas se trancam em casa, nos carros, não confiam nem em quem deveria garantir segurança. O medo é realmente uma excelente forma de controle.
    Mas outro nome pra medo, quando este impede o cidadão de exercer sua cidadania e cobrar por seus direitos, é covardia. Torço para que mais pessoas corajosas se mostrem: homossexuais andando nas ruas e trocando afeto sem medo de espancamento, mulheres confortáveis com seu corpo sem medo de estupro, jovens sem medo de represálias em universidades por defender suas opiniões… Fico na torcida e me junto ao coro dos indignados.

  8. Pingback: A política da banalização de tudo | Blog do Léo Rossatto

  9. Pingback: Indiferença | Blog do Léo Rossatto

Dê a sua opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s