Perfis de governo (em relação a planejamento e execução)


Gostaria de falar um pouco sobre alguns perfis de governo, em relação ao planejamento e à execução das ações.

Existem duas coisas importantes quando falamos de um governo: o planejamento e a execução daqui que se planeja (ou daquilo que não se planeja). Faremos um roteiro rápido falando a respeito de quatro “tipos” de governo, em relação a planejamento e execução.

1) O governo que não planeja e não executa

Em tese, é o pior tipo de governo possível. Nesse modelo, o político é eleito, sem nenhum plano global de governo, que atente para as necessidades da cidade e vislumbre cenários para 5, 10 ou 15 anos. Além disso, não possui técnicos capacitados em seu staff para a execução da verba pública e a realização de obras. Daí a cidade, o estado ou o país tornam-se caóticos, obras ficam paradas e o dinheiro público é desperdiçado com obras que servem mais como maquiagem, de fácil execução, do que obras que demandam planejamento.

Na maioria das vezes, é um governo “sob demanda”. A mídia denuncia algo, o governo age. A população reclama, o governo começa a se mexer. Mas sempre após as manifestações. É um governo sem iniciativa própria, pois faltam ideias e pessoas capazes de desenvolvê-las. Que tenta se sustentar em propaganda e obras pontuais.

2) O governo que planeja e não executa

São um tipo de governo relativamente raro, que conta com política de planejamento, pessoas que trabalham pensando no longo prazo, mas não conta com um corpo técnico capaz de transformar esse planejamento em ações. É um governo pautado pela imobilidade e pela insatisfação com os entes externos, que, supostamente, são os agentes impeditivos da execução do planejamento.

Não são. Normalmente, o planejamento não é executado porque não há gente competente para isso. Não há massa crítica para tal. O governo fica emperrado, com uma pressão constante do executivo e do legislativo sobre o limitado corpo técnico, que geralmente não dá em nada. Geralmente, governos assim são um fracasso, interna e externamente.

3) O governo que não planeja, mas executa

O terceiro tipo de governo era tradicional do Brasil dos anos 80, quando o planejamento caiu em descrédito com a crise da dívida. O governo não planeja, executa e não calcula os impactos da execução. O governo é feito de obras aleatórias, feitas sob medida para a conveniência eleitoral do momento, mas que podem causar impacto negativo depois de algum tempo.

Exemplo notório desse modelo de governo é Paulo Maluf. Obras faraônicas, muito dinheiro público gasto, e problemas enormes também. É um tipo de governo que pensa num pack de obras para conveniência imediata, pensando apenas nos 4 próximos anos e na eleição seguinte. Um tipo de governo extremamente prejudicial. Porque acaba fazendo pior do que aquele que não faz: é um governo que, em geral, faz errado.

4) O governo que planeja e executa

Em tese, é o tipo de governo ideal. A Constituição de 1988 forneceu fortes incentivos para esse tipo de governo, através dos Planos Plurianuais e das Leis orçamentárias. No entanto, o desenvolvimento desse modelo de governo ainda é lento e não conta com grande apoio político, por parte da maioria dos políticos.

É um sistema que exige transparência e acompanhamento constante. Que exige um corpo técnico qualificado, que consiga entender o planejamento e transformá-lo em ações. E ainda assim não é um sistema de sucesso garantido. Planejar e executar pode ser prejudicial se você planeja errado, não conta com as prioridades adequadas, e não consegue fazer uma boa leitura da sociedade em seu planejamento.

Por isso o planejamento não deve ser feito apenas por um conjunto privilegiado de “mentes brilhantes” ou algo do tipo. Deve levar em consideração os anseios da sociedade, as necessidades que as pessoas sentem diariamente, tudo o que se pode depreender das pessoas. No planejamento, quanto mais conhecimento adquirido, melhor.

Na execução, por sua vez, você precisa de pessoas qualificadas, capazes de compreender o planejamento e torná-lo em ações, mensurando seu impacto na sociedade. Essa é a ótica adequada. A essência do planejamento é entender as necessidades da sociedade. E a da execução é atendê-las.

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