A vida, a morte, e essa droga de tempo que passa rápido demais


Nesses últimos dias, eu tenho me sentido velho. Tenho 28 anos de idade. Posso ser um jovem para alguns, mas estou me sentindo, cada vez mais, um idoso para a maioria das pessoas.

Além disso, duro mesmo é lidar com gente que passa o tempo todo te acusando de um suposto fracasso: “com sua inteligência, com essa idade, você já deveria estar milionário. Mas não, fica vivendo essa sua vida medíocre, como se estivesse feliz com isso”. Como se o único valor relevante na vida fosse o dinheiro.

Eu não gostaria de ser rico. Não pra esbanjar ou me mostrar para os outros. Se eu tivesse dinheiro, mas muito dinheiro mesmo, separaria apenas o suficiente para viver sem preocupações com dívidas e gastaria todo o resto em projetos sociais, para ajudar o máximo de pessoas que eu pudesse. E projetos sociais vinculados à educação, que é algo que efetivamente pode mudar a história de vida das pessoas. É necessário dar alimentação, mas temos que ter consciência de que o sujeito que ganha um prato de comida hoje voltará a sentir fome amanhã. O ideal é dar condições para as pessoas conseguirem seu sustento e não dependerem mais da ajuda de ninguém. Isso conseguimos com educação, com capacitação, com incentivo ao empreendedorismo.

Mas o assunto aqui não é esse. Eu estou ficando velho e cada dia mais tenho isso bem claro. Vejo pessoas mais jovens que eu casando, tendo filhos, montando negócios, ganhando notoriedade, deixando legados. Tenho a sensação de que os valores dessa geração não são mais os meus valores. E fico extremamente feliz quando tenho a rara oportunidade de conversar com alguém mais novo que partilha, mesmo que em parte, os valores que eu defendo e que a maioria considera retrógrado ou fora de moda.

Estou cada dia mais perto da morte, porque nossa história passa rápido demais. Vemos amigos e ídolos morrendo, vemos as pessoas que amamos envelhecendo e perdendo o vigor, vemos que o brilho nos olhos e a vontade de viver andam cada vez mais escassos.

A vida passa rápido demais para não sermos sinceros, para tentarmos impressionar os outros por vaidade, para fingir que concordamos com algo que não concordamos apenas para ser aceito, para deixarmos de fazer algo pelos outros por ressentimento ou por timidez. Quantas oportunidades eu já perdi, quantas vezes eu já errei, quantos problemas eu já não tive pela falta de atitude? Sim, eu me arrependo de todas as atitudes que eu não tomei.

Mas a verdade é que a morte é certa, e cada vez que alguém querido vai embora, nossa vida tem um espaço cada vez maior para a saudade, que sempre vai aumentar, até nos tornarmos velhos, cheios de lembranças de um tempo que não volta mais.

Na prática, não temos absolutamente nada a perder nessa vida. Nada. E quando colocamos de forma profunda e definitiva em nossa mente a ideia de que não temos nada a perder, mudamos nossa postura e nossa atitude. Vivemos cada dia sempre da forma mais intensa possível. Porque é assim que tem que ser, independente do que você acreditar que aconteça depois da morte. Sabe por que não temos nada a perder? Porque qualquer coisa que percamos com nossas atitudes, por mais “importante” que seja, não é nada perto do que representa nosso caráter.

Desfrutar a intensidade da vida é a melhor forma de combater o tempo, essa porcaria que passa rápido demais sempre. Viver de forma intensa não é se render a todos os vícios possíveis, mas fazer da sua vida um instrumento para fazer todos aqueles que estão ao seu redor felizes. Como? Sei lá, cada um tem sua forma. Mas na morte não levamos nada. E depois dela só o que fica nesse mundo é o nosso legado. Só somos lembrados aqui pelo que deixamos de bom para as outras pessoas. Pela alegria, pelo espírito de luta, pela vontade incansável de viver.

Não podemos viver cada dia como se fosse o último. Mas devemos viver cada dia como se fosse o melhor deles, fazendo pelos outros algo de novo e especial, que você ainda não fez.

Vamos viver. Vamos nos abraçar, nos ajudar, e lutar essa batalha da vida todos os dias. Em um deles é certo que ela nos vencerá. Mas enquanto isso devemos passar para a posteridade a mensagem de que, por mais que estejamos ficando velhos, estamos também escrevendo nossa história, abrindo um caminho para os outros, deixando um legado e enfrentando de peito aberto esse tempo que passa rápido demais.

É hora de sermos felizes. Fazendo todos ao nosso redor felizes também. É a vida. É por isso que devemos lutar.

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3 respostas para A vida, a morte, e essa droga de tempo que passa rápido demais

  1. Pingback: Textos e Estatísticas de 2011 | Blog do Léo Rossatto

  2. Wimbledon 08 disse:

    Dinheiro, status, ser melhor q o outro, inveja, ignorancia enfim hoje vivemos na era da tecnologia q a cada dia e ano muda mais e mais, nao sei onde vamos parar, indios da nova geração na Amazonia hoje em dia querem viver na tecnologia e nao mais como seus pais e avos caciques em ocas e apenas na selva, daki uns 20 anos praticamente nao existira mais indios de verdade, o ser humano se ilude d mais com dinheiro e poder de compra, trabalha 5, 6x por semana, viaja sei la 4ou 5 dias no ano pra que ?? é akilo q chamam de escravos do dinheiro e isso serve pra quem ganha 2, 3, 5, 10, 50 salarios minimos pois nao importa, afinal viemos do dinheiro ??? nossos ancestrais macaco vieram da porra do dinheiro ?? ta na hora de repensarem em agir com menos velocidade e fome de dinheiro mas isso é a sociedade toda ja q um puxa o outro na vida capitalista mas isso vai demorar décadas ainda sei la 30, 50 anos, as vezes penso q na antiguidade e em outras civlizações as pessoas viviam mais felizes q a atual, nao tinha tecnologia lógicamente mas a liberdade fisica e mental era melhor, sim haviam escravos e tal mas a simplicidade das coisas eram melhores, hoje o sujeito precisa disso, dakilo, seguro, convenio médico, pagar nao sei o que, escolas de filhos, carro, transito, terno e gravata em pleno calor, enfim uma série de coisas q fazem vc uma merda mas a maioria acha q a felicidade ou a realização familiar e dos filhos vira com o tempo seguindo essa velha cartilha e sinceramente naoa credito mais nissso pra mim, vejo de outra forma mais simples as coisas e que minha felicidade nao vira de realizações que a sociedade e meus pais me impõe e impuseram desde criança assim como quase todas crianças que tambem foram criadas assim e sim no que eu quero propor e mudar pois essa é a tonica da coisa afinal porque comer de talher se posso lavar as maos e comer com as maos como faziam antigamente as civilizaçoes sejam pobres ou os reis e era normal, a evolução de bens materias e ter que conquista los dia a dia mandam em mim ??
    Tenho sua idade 28 anos heheheh.

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