José Serra, um petista


Existe uma pessoa a quem o PT deve ser infinitamente grato: José Serra.

Sim, porque Serra foi o sujeito que, em nome de sua própria ambição, destruiu o tucanato no Brasil e abriu espaço para o PT se tornar o que é hoje no plano federal.

Sim, porque Serra nunca foi tucano, nunca foi fiel ao PSDB. Toda a sua carreira política foi feita em torno dele mesmo e de seus correligionários.

Em nome de seu projeto próprio, planejou as privatizações e muita gente foi favorecida através delas (por meios lícitos ou não, isso não se discute no momento). Gente que até hoje é correligionária do Serra, que até hoje financia campanha do Serra e até hoje faz campanha interna dentro do PSDB para o Serra sair candidato.

Em nome do seu projeto próprio, assumiu o Ministério da Saúde e adotou a estratégia recorrente de fazer alguns poucos programas de impacto para esconder sua faceta autoritária e incompetente. Sim, porque Serra deixou um rastro de incompetência no Ministério do Planejamento, que acabou culminando no apagão de 2001. Deixou um rastro de incompetência no Ministério da Saúde, que culminou nas epidemias de dengue que assolam o país até hoje. E na época do Ministro Serra, autodenominado “melhor Ministro da Saúde que o Brasil já teve”, o SUS teve o menor índice de investimento da década. Para se ter ideia, só entre 2005 (primeiro ano com orçamento disponível) e 2011 o investimento na saúde, via Fundo Nacional de Saúde, saltou de 31 para 64 bilhões de reais.

Em nome de seu projeto próprio, lançou-se candidato a presidente em janeiro de 2002 à revelia do PSDB, com restrições sérias de boa parte do partido. E destruiu a principal aliança que o PSDB tinha, com o PFL, encontrando, através de arapongagem, R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo na empresa do marido de Roseana Sarney, potencial candidata a presidente pelo PFL, com popularidade crescente. Se Serra pensasse no PSDB, e não agisse motivado pelo medo de ver seu projeto pessoal esmorecer, provavelmente as duas candidaturas coexistiriam, se apoiariam firmemente no segundo turno e a chance de Lula não ser eleito seria imensa.

Na mesma eleição, Serra mostrou sua maneira de lidar com a sociedade e os adversários: atacando através de baixarias, como fez com Ciro Gomes. Tal movimento fez o ex-governador cearense apoiar firmemente Lula no segundo turno, quase enterrando as chances de uma vitória serrista. Que foram definitivamente para o túmulo quando a Regina Duarte apareceu de forma ridícula na propaganda eleitoral do Serra dizendo que tinha medo do Lula.

Em nome do seu projeto político próprio, Serra se elegeu prefeito de São Paulo assinando um documento em que se comprometia a cumprir os quatro anos de mandato, e registrando o mesmo em cartório. E, um ano e três meses depois, ignorou o documento assinado e foi tentar ser governador. A conseqüência pior nem foi o governo Serra em São Paulo, mas a herança maldita que Serra deixou para a cidade de São Paulo: Gilberto Kassab, herdeiro de Maluf e Pitta, que, além de espalhar o conservadorismo mais tacanho na cidade, ainda teve seu nome envolvido em sérias acusações de corrupção e está encerrando seu segundo mandato com menos de 20% de aprovação, por ter, em todos os aspectos, feito um governo horrível que deteriorou São Paulo e tornou a cidade mais feia e menos amigável.

Falando em “segundo mandato de Kassab”, aí também está o projeto próprio do Serra. Sim, porque Serra sabia que a luta mais acirrada para fazer cumprir seu projeto próprio de ser PRESIDENTE DO BRASIL era dentro do partido. E Serra usou Kassab para aniquilar seu principal concorrente de São Paulo: Geraldo Alckmin, que concorreu à presidência em 2006 e foi derrotado por Lula.

Serra alimentou a campanha de Kassab e o fortaleceu, em detrimento à candidatura de Geraldo Alckmin, que era do próprio PSDB. Era a prova de que, para Serra, só interessava o intento pessoal de ser presidente. E que Kassab era útil a este intento enquanto servia de lacaio e instrumento para derrubar seu inimigo interno.

Em seguida, com o sucesso no intento de eleger Kassab prefeito novamente, Serra voltou suas armas contra Aécio Neves, o outro postulante do partido á presidência da república. Serra já dava a eleição como certa e usava os investimentos de seu governo, em SP, como cabo eleitoral. A ponto do governo serrista ter uma Secretaria de Estado para cuidar apenas do assunto comunicação, com um orçamento de marketing superior a R$ 200 milhões para seus três anos e três meses de governo em São Paulo.

Para financiar os investimentos vultuosos, Serra usou a estratégia já usada em sua passagem no governo federal de se desfazer do patrimônio público paulista. A vítima da vez foi o Banco Nossa Caixa. Em abril de 2007 o governador desviou de forma inexplicável do Banco a bagatela de R$ 2 bilhões, a título de “compra da folha de pagamento dos funcionários públicos do Estado de São Paulo pelo Banco Nossa Caixa”. O detalhe é que a transferência da folha de pagamento para o Banco Nossa Caixa já havia sido definido seis anos antes, quando da privatização do Banespa, e deveria ser feita compulsoriamente até o dia 31/12/2006, sem nenhum ônus para a instituição bancária.

Com isso, o banco obviamente se tornou deficitário. O que serviu de mote para José Serra dizer pessoalmente que “não interessava manter um banco público em São Paulo”. E a arquitetar a venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil, por R$ 5,4 bilhões de reais. Valor quase que integralmente usado nas obras do Trecho Sul do Rodoanel, orçadas em absurdos R$ 5,2 bilhões.

Com os R$ 7,4 bilhões arrecadados com a Nossa Caixa, Serra conseguiu fazer o Rodoanel e avançar algumas obras do Metrô. Aí a incompetência também foi recorrente: sucessivos atrasos nas inaugurações das linhas e cada Estação de Metrô inaugurada com toda a pompa, como se fosse a última estação de Metrô do mundo. No desespero eleitoral, Serra inaugurou até maquete da Ponte Santos-Guarujá (que nem deve sair do papel no governo atual) e terraplanagem de praias como “projeto de acessibilidade”.

Toda essa estrutura, juntamente com os tradicionais esquemas de arapongagem contra Aécio Neves, alçaram Serra  à posição de candidato do PSDB à Presidência da República. Serra já se considerava eleito, tendo em vista que nenhum nome faria frente à “história política” de José Serra.

Isso, como sabemos, até Lula bancar Dilma Rousseff e tornar sua candidatura viável. E, depois disso, vencedora. E nisso Serra, com seu projeto pessoal, também atrapalhou o PSDB. Sua campanha de infâmias e baixarias em um nível jamais visto na história do Brasil associaram o PSDB, indissociavelmente, aos setores mais mesquinhos e conservadores da sociedade brasileira, além de espalhar uma onda de preconceito quase xenofóbico pelo país, especialmente contra nordestinos. Serra inviabilizou o PSDB como legenda séria de oposição, fazendo-o cair em um espaço quase caricato de oposição figadal e sem senso crítico. Ele guiou a oposição a um destino sem volta, a uma posição minoritária e irreconciliável com o governo.

Além disso, Serra foi arquiteto direto da destruição do PFL (que se tornou DEM). A partir da inviabilização da candidatura de Roseana Sarney, o partido caiu em uma espiral descendente irreversível,  que teve seu último capítulo, em parte, patrocinado pelo próprio José Serra: o levante de Gilberto Kassab para formar o PSD, um partido que não sabe se é governo, não sabe se é oposição, e quer apenas a conveniência do poder. Como tantos outros, aliás (para ler sobre a minha idéia do que deveria ser um partido político atualmente, recomendo muito esse texto)

Dito isto, chegamos à conclusão de que Serra é, na prática, um dos grandes “petistas” que o Brasil já teve. Petista não como uma pecha má ou algo do tipo, mas no sentido de “ter prestado serviços ao PT”. Sim, porque desde a década de 90 arquitetou e executou a destruição do PSDB em nome de um projeto próprio, pessoal, que ainda não foi levado a cabo (e tenho cada vez mais convicção de que nunca será). Em várias etapas, com vários atores, em vários capítulos, José Serra tornou o PSDB um partido que, de hegemônico, virou uma caricatura, que não consegue se prestar nem ao papel de oposição adequadamente, mesmo com todo o incessante apoio da maior parte da mídia conservadora.

José Serra fez mais pelo PT do que a grande maioria dos petistas. Sem ele, talvez o PT não estaria no governo federal atualmente. E não questiono competência ou incompetência aqui: provavelmente nem teria tido oportunidade.

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8 respostas para José Serra, um petista

  1. Pingback: Textos e Estatísticas de 2011 | Blog do Léo Rossatto

  2. Carlos Ardana disse:

    MAS A AIDS AINDA NÃO ACABOU!!!!!!!!!!!

    No Brasil, estacionou nos últimos dez anos. A facilidade e o conforto dos remédios eficientes relaxaram na cabeça de alguns os cuidados para não se contaminar. Ledo engano, pois os medicamentos não eliminam a doença. Grupos de jovens homossexuais têm sido as maiores vítimas e para eles têm faltado ações educativas específicas.

    De fato, a ação do poder público federal perdeu o pique na última década. Problemas de falta de recursos, gestão, timidez na política de medicamentos e campanhas preventivas menos eficazes.

    É preciso retomar a batalha. Afinal, ainda morrem de AIDS 12 mil pessoas por ano, e um número três vezes maior pega a doença. Só como comparação, na Africa Do Sul, onde quase nada foi feito, na virada do milênio, teve um quarto de sua população economicamente ativa contaminada com o HIV. Se o Brasil não ficou na mesma situação que a Africa do Sul, devemos isso ao Serra.

    É impossivel avaliar a quantidade de vidas que esse homem salvou, seja direta ou indiretamente.

    Sim, ele tambem fez coisas erradas, mas ser chamado de PETISTA….isso é muito grave, pojis a política do PT é roubar, e se você ou alguem puder me mostrar alguma obra do governo petista, eu fico grato, pois ainda não vi nenhuma, apenas propaganda enganosa, tipo PAC, Transposição do Rio São Francisco, minha casa minha vida…e etc…

  3. Carlos Ardana disse:

    Acho que vc pegou pesado demais com o Serra, ninguem merece ser chamado de PETISTA.

    Pequeno Resumo como MINISTRO DA SAUDE.

    Ele assumiu então o Ministério da Saúde (1998-2002). O programa de combate à AIDS implantado na sua gestão foi copiado por outros países e apontado como exemplar pela ONU.Foi o mentor da lei de incentivo aos medicamentos genéricos, o que possibilitou a queda preço dos medicamentos. Eliminou os impostos federais dos medicamentos de uso continuado.Regulamentou a lei de patentes e encaminhou resolução junto à Organização Mundial do Comércio para licenciamento compulsório de fármacos em caso de interesse da saúde pública.Ampliou as equipes do Programa de Saúde da Família e organizou o Sistema Nacional de Transplantes e a Central Nacional de Transplantes. Promoveu milhares de cirurgias por intermédio de mutirões, combatendo doenças como, por exemplo, a catarata. Introduziu a vacinação dos idosos contra a gripe, eliminou doenças como o sarampo e criou a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).Não obteve, porém, sucesso no combate à dengue, doença que até os dias atuais é epidêmica.

    Em sua gestão no Ministério da Saúde, foi enviado ao Congresso Nacional o projeto de lei 3.156, de 2000,que tornava mais rigorosa a política antitabagista no Brasil, com a proibição da publicidade e a introdução das imagens de impacto em embalagens de cigarro. Aprovado o projeto, foi sancionado dando origem à Lei nº 10.167, de 2000, regulamentada em 2001 pela Anvisa.

  4. Angelo disse:

    Nem te conto o que acho do PSDB mas vamos lá…. 1)Em ordem de importância nas privatizações, o papel de Serra foi menor até mesmo que gente que não tinha ministério como Luiz Eduardo Magalhães. 2) Sua narrativa dá a entender que o SERRA entrou lá na Lunus, assim como ignora que foi uma escolha de FHC ( até pensando na sua sucessão e em diminuir as rusgas econômicas ) botar o Serra na Saúde 4).Em 2002 a idéia de prévias era mais absurda e improvável e foi menos ventilada do que em 2006 e 2010. De qualquer forma, todo candidato faz de tudo para ser candidato, não há nada de errado nisto. Só que alguns são mais fortes e viáveis, o que o destino de Jereissati e Paulo Renato deixa muito claro. 50Você dá a entender que a empresa da Roseana não tava cheia de capivaras. 6)Você não deu um exemplo de baixaria da campanha de Serra contra Ciro Gomes, estou aguardando (detalhe: em 2002 votei no Ciro no 1o turno e anulei no 7)Peço que visite colunas e notícias de até 4 meses antes da eleição paulistana em que Marta perdeu, só pra sentir o clima.

    Abraços

  5. Angelo disse:

    Não consegui ler até o fim. Até um trecho o acúmulo de tantas premissas forçadas pruma conclusão pronta ( e meio absurda) tornou impossível a luta.
    Vamos lá:
    1)”Serra planejou as privatizações” Aí você já demonstra total desconhecimento histórico do Governo FHC e a correlação de forças ali dentro. Serra era “do contra” em relação à equipe econômica, mal era ouvido e reclamava muito disto, aliás alimentando muito a imprensa com coisas contra a turma do Malan. No mais, as privatizações eram fundamentais para a recuperação do Estado no plano de longo prazo que foi o Real, que findou vencendo a inflação;
    2) Você dá a entender que foi Serra quem nomeou Serra Ministro da Saúde. Dá a entender que ele tinha mais poder no Governo FHC que o próprio FHC. Pouca conspiração hein?;
    3)Compara o “nível de investimento” da gestão Serra na saúde com o nível de agora através do MONTANTE TOTAL? Pior, sem falar qual era o montante na época do Serra Ministro da Saúde!!Total desonestidade matemática e econômica por ignorar inflação no período e crescimento de arrecadação. Erro primário, bem bobinho, coisa de criança mesmo, acontece;
    4) Novamente a idéia de que Serra se impôs a todo partido como candidato em 2002, como se houvesse uma grande fila de políticos com potencial para vencer a eleição. Os outros postulantes eram Paulo Renato e Tasso Jereissati que, bem , o tempo político não foi muito generoso com eles;
    5) A tese de que o ex-Ministro de Saúde comandava a PF e que esta FORJOU os R$1,3mi encontrados com a família Roseana Sarney é fantástica e ainda tem sobrevida entre petistas, especialmente depois que abraçaram a família Sarney a exemplo de Lula. Ajuda bastante no todo deste post, parabéns!
    6) Baixaria contra Ciro Gomes, um lorde das boas maneiras. Por favor, mostre uma, uma apelação que seja diferente da exposição do Ciro-como-ele-é?
    7) Fala da eleição de Serra à Prefeitura de SP. Bom, pelo que me lembro o Serra ganhou uma improvável eleição contra a Marta, que tinha bons índices de aprovação. Como isto ajuda na tese maluca de que o Serra sempre fortaleceu o PT? Quer dizer, devolver o principal font tucano às mãos do PSDB, como isto ajuda o PT? O PT estaria mais fraco se Serra não tivesse vencido Marta?

    Bom, daí por diante eu parei. De qualquer forma, me parece que o autor não gosta do PSDB e parece gostar muito do PT, é provável que só lerá e gostará deste post o pessoal do PT mesmo e aquele PSDB que pisca muito pro PT. Logo, argumentar mais aqui será esforço inútil, da mesma forma que, diferente do intento do post, não veremos petistas passando a gostar de Serra ou gente que não gosta do PT defenestrando Serra pelos motivos aqui expostos.

    • Léo Rossatto disse:

      Agradeço sua postagem.

      1) Independente de qualquer coisa, Serra planejou privatizações sim. Ele assumiu o Ministério do Planejamento e tocou diversos processos de privatização. E Serra podia falar para a imprensa que era “do contra”, mas teve participação ativa no processo de privatização, que, sendo ou não necessário (não entrarei nesse mérito aqui), não foi realizado da forma adequada e favoreceu alguns poucos grupos.

      2) Não dei a entender nada. Essa sua colocação é típica de quem trata o texto com má vontade, enquanto serrista.

      3) Sim, o indicador não é o mais adequado. Mas infelizmente o fornecimento de indicadores relevantes de governo para a Gestão da saúde é algo recente, e boas informações podem ser dadas com esse trabalho aqui:http://www.ppge.ufrgs.br/ats/disciplinas/11/ferreira-2002.pdf – percebe-se, nele que enquanto o investimento em saúde mais que duplicou entre 1994 e 1998, o aumento de investimentos entre 1998 e 2002 (gestão Serra) foi bem mais baixo, ainda mais quando descontamos o fato de que o Ministro Serra não tinha despesas de dois bilhões de reais anuais com dívidas que nem tinham Adib Jatene e Carlos César Albuquerque.

      4) Se impôs, de maneira a evitar prévias. Com isso, ao invés de unificar o partido, causou descontentamento, inclusive com rusgas públicas com o Tasso Jereissati. Não vejo onde há contestamento aí.

      5)Ninguém falou que FORJOU. Mas que descobriu através de arapongagem. Roseana Sarney provavelmente não iria se sustentar enquanto candidata, mas sua derrocada ter sido feita pelas mãos do Serra afastou definitivamente o PSDB e o PFL, enfraqueceu o segundo partido (marcha rumo ao PMDB e à base de apoio de Lula a partir de 2003). Se a derrocada de Roseana viesse por mãos petistas, a chance de vitória do PSDB seria imensa.

      6) Não é porque Ciro Gomes é um “lorde das boas maneiras”, nas suas palavras, que baixaria é um expediente eleitoral válido. Inclusive para o PT, que perdeu a eleição de 2008 usando expediente semelhante contra o Kassab, em termos de eficácia, que o “tenho medo” da Regina Duarte em 2002 (só que questionando a sexualidade dele). Baixaria, vale tudo eleitoral, é errado, não importando quem faça, e é característica de quemtemum projetopolítico egoísta e pessoal, como éo caso do Serra.

      7) A eleição de Serra em SP nunca foi “improvável”, Era até prevista, tendo em vista o fato de que em 2004 importava mais o nome do candidato do que propriamente suas ideias. E Serra sempre teve mais nome que Marta.

      E quanto às conclusões, almento por você não concluir seu raciocínio. Discutir de forma saudável e com bons argumentos sempre acrescenta, independente da posição política de cada um.

  6. Adriano Baran disse:

    Se você quer fazer uma inferência diretamente justa a uma epidemia, tome como consideração a da gripe A de 2009. Isso sim foi um reflexo de toda uma tentativa de organização do sistema de Saúde brasileiro, enquanto os serviços tentaram se organizar, o Ministério da Saúde não tomou uma decisão sensata e houve total disparidade de opiniões, inclusive dos gastos com a vacina que depois mostrou não ter quase nenhum impacto sobre mortalidade. Resultado: milhões investidos, não chegaram a usar 70% das doses e muita gente morrendo e as pessoas que “mandam” não estavam acompanhando de perto. Por um lado, os hospitais com problema de referenciar, internar, atender a toda a demanda e por outro lado o Ministério alheio, sem mobilizar os hospitais públicos para dar conta da demanda. Excesso de burocracia de um lado e os “práticos” implorando por bom senso nos hospitais.
    Embora isso e todos os problemas do SUS e dos Ministérios desde a criação do SUS, não teve nenhuma gestão vergonhosa ou descabida. Não houve nenhum “culpado” por epidemia de X ou Y doença. É tudo uma experimentação, o SUS é um modelo sem igual no mundo. Poucos países tem a mesma organização, universalidade e tentativa de cobertura da população… É difícil para todos. Não precisa culpar todos os problemas no Serra, no Lula, no Fulano… Todos são meio incompetentes, mas quem faz valer as coisas benéficas são as pessoas que esses “imbecis” consultam, que são as grandes mentes do Brasil, os grandes economistas, médicos, etc. Essas pessoas fazem o bonde andar quando tudo trava e eles também erram.
    Ainda to esperando alguma inovação como a dos genéricos que ocorreu com o Serra… Foi um plano desafiador. A liberação dos anti-retrovirais… Você tem noção do problema é que a AIDS no Brasil??? Poxa, liberar na rede estes medicamentos já vale uns 10 anos de mandato, estátua e religião a qualquer pessoa que promova isso em qualquer país. Os próximos governos precisarão bolar outros grandes planos para enfrentar problemas sérios…
    Essas revoltas, descasos, problemas gravíssimos e pessimismo existe muito mais na cabeça das pessoas do que no plano de governo pós-ditadura.

  7. Adriano Baran disse:

    “Sim, porque Serra deixou um rastro de incompetência no Ministério do Planejamento, que acabou culminando no apagão de 2001. Deixou um rastro de incompetência no Ministério da Saúde, que culminou nas epidemias de dengue que assolam o país até hoje. E na época do Ministro Serra, autodenominado “melhor Ministro da Saúde que o Brasil já teve”, o SUS teve o menor índice de investimento da década. Para se ter ideia, só entre 2005 (primeiro ano com orçamento disponível) e 2011 o investimento na saúde, via Fundo Nacional de Saúde, saltou de 31 para 64 bilhões de reais.”
    “incompentência” -> “culminou”
    Essas correlações não podem ser dadas a ninguém do governo. Inclusive o problema do apagão já foi dado como fadado ao acontecimento e acontecerá novamente se não houver um plano contínuo de planejamento. Não é um ou 2 mandatos que previnem. E sobre epidemia de dengue por conta de um rastro de incompetência em Saúde… Puxa vida, parei de ler o texto por ai. Sugiro que pegue um livro de epidemiologia do Medronho ou qualquer outro. Ou que leia a história das doenças endêmicas de países tropicais.
    Não sou fã do Serra e nem mesmo de tudo o que o PSDB fez, mas foi um governo tão bom quanto o do Lula, em momentos históricos e econômicos totalmente diferentes. Mas esse é aquele típico texto de muita conclusão para poucos fatos… Forçando ligar uma coisa com outra.
    Ninguém é obrigado a gostar de uma figura política, mas defamar apenas por bel prazer de um ódio gratuíto é degradar a si mesmo ao invés de abrir a cabeça para desvinculação de rótulos prontos de propagandas e idéias políticas forjadas.

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