Conmebol, Concacaf e a ditadura dos corruptos


Essa semana, o site oficial da Libertadores deu a deixa e o Felipe Lobo, da Trivela, falou com muita propriedade sobre a possibilidade dos times norte-americanos disputarem a Copa Libertadores da América:

http://trivela.uol.com.br/blog/redacao/times-da-mls-na-libertadores/

Tal possibilidade abre espaço para horizontes mais amplos, como a unificação definitiva entre Conmebol e Concacaf, que tem sido defendida por alguns colunistas nos últimos tempos. Para não dizer que eu caio em modismos, posso afirmar que defendo a unificação das Confederações desde 2007, pelo menos, quando publiquei esse texto na coluna Futebol Alternativo do Papo de Bola:

http://www.papodebola.com.br/futebolalternativo/20070821.htm

Muita coisa mudou, desde então (inclusive algumas opiniões minhas). Mas é um fato que Conmebol e Concacaf, separadas, continuam enfraquecidas. E que existem entraves para a união das Confederações.

Como se sabe, Conmebol e Concacaf são duas estruturas de poder, e tornar-se-ão uma só em caso de união. Sabe-se também do atraso na estrutura das duas Confederações, de como seus dirigentes são retrógrados e afeitos a esquemas de corrupção, formando uma máfia na burocracia do futebol das Américas. E,nesse contexto, quanto mais entidades e cargos existirem, melhor. Quanto mais contratos em relação a diferentes competições e patrocinadores, maiores as chances de corrupção sem ninguém perceber.

Confederações de futebol, como a CBF, a Conmebol, a Concacaf e a FIFA não são fiscalizadas. Elas detém exclusividade sobre uma paixão pública e agem como entidades privadas. Inclusive se protegendo contra eventuais intromissões governamentais, com armas como “você pode ser suspenso da FIFA”.

Com isso, os mesmos nomes que estão envolvidos em denúncias de corrupção e venda de votos na FIFA continuam comandando, sem grandes restrições, suas Confederações continentais ou nacionais sem grandes restrições. Manipulando campeonatos sem critério (e estou falando aqui de fórmula de disputa, e não de jogos manipulados), firmando contratos de transmissão para amigos, em nome de interesses particulares, favorecendo alguns clubes em detrimento de outros.

Por que a FIFA detém o monopólio do futebol? O que aconteceria se federações importantes, como o Brasil, a Itália, a Espanha, a Alemanha e a Inglaterra saíssem da FIFA e formassem uma Liga de Seleções independente? Compensa ser refém de uma entidade que celebra contratos suspeitos, tem lucros absurdos com licenciamentos, faz exigências absurdas para governos que sediam eventos e ainda usa de poder coercitivo para eliminar manifestações contrárias e ventos de mudança?

Por que a FIFA não faz nada efetivo para impedir a máfia dos apostadores ilegais que manipulam partidas de futebol? Por que ela não busca regulamentar, em escala global, profissões como a do árbitro de futebol,profissionalizando seus quadros? Por que a FIFA não se preocupa, por exemplo, com a vida dos jogadores de futebol profissionais após a aposentadoria, registrando-os e ajudando-os a pleitear, junto aos governos nacionais, planos de previdência ou coisas do tipo?

Se os governos podem ser melhores, o futebol não precisa ser refém de Associações que defendem apenas seus próprios interesses. Quando isso for superado, teremos, finalmente, ma única competição Panamericana de clubes e seleções, baseada no mérito técnico, como já ocorre hoje na UEFA. A UEFA tem imperfeições, muitos problemas, mas hoje é modelo de organização para as demais Confederações continentais de futebol quando falamos de organização de competições. Tem o único ranking que presta entre as Confederações de Futebol, tanto em relação às seleções quanto em relação às ligas nacionais. E usa-os adequadamente, definindo vagas nas competições de acordo com o mérito técnico.

Falta isso na Conmebol e na Concacaf. E unificá-las não vai adiantar nada se junto não vier a profissionalização de ambas as Confederações, e das Confederações dos países filiados. Só que, para isso, não é mais possível admitir a ditadura de uma meia dúzia de dirigentes corruptos que controlam as principais Confederações Nacionais do continente. O mais notório: Ricardo Teixeira, que acumula evidências de fraudes contra si, e, para sair dos holofotes, já elegeu, de maneira informal, o não menos corrupto Andrés Sanchez como sucessor.

O principal catalisador para se perder o amor ao futebol é observar quem o administra, e como essa administração é feita. E,para mudar qualquer coisa na organização do futebol, a primeira mudança tem que ser na cúpula das entidades.

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