Alteridade


Um dos primeiros conceitos que aprendemos estudando Antropologia é o de alteridade.

Se a preguiça de clicar no link superar a curiosidade de saber o que é alteridade, eu explico: nas Ciências Sociais, em especial na Antropologia, um dos principais instrumentos para a construção de uma visão de mundo é a “visão do outro”. É normal termos conceitos baseados em nossas experiências prévias, construídos ao longo do tempo. Essa é nossa identidade, o “pack” de coisas em que acreditamos e que fizeram parte de nossas experiências.

Alteridade, basicamente, é a “identidade do outro”. Entender a alteridade é tentar entender como as experiências prévias e os conceitos incorporados ajudaram a formar a identidade de uma pessoa ou de um grupo social. Enxergar que qualquer crença, por mais que cause estranhamento, é parte de um “pack” de coisas em que as pessoas realmente acreditam, construído pelas suas experiências prévias. É tentar se colocar no lugar do mundo, tentar enxergar o mundo com a visão de quem está do outro lado, entender os motivos das atitudes de quem está do outro lado.

Alteridade em falta

Entender a alteridade não é só um exercício de quem estuda Ciências Sociais. É um complicado exercício para a vida. Serve para revermos, sob outro prisma, situações cotidianas, adaptando nossas atitudes, especialmente em questões sociais.

Alteridade á algo que tem faltado entre nossos governantes, entre nossos jornalistas, e entre todos os que atuam na disseminação da informação. A falta de alteridade é generalizada. A falta de observar as coisas sob a ótica do outro é geral.

Em nossa sociedade, existem muitos exemplos de que alteridade é artigo de luxo. Infelizmente, a sociedade brasileira não valoriza a educação. Não que a educação em si vá resolver todos os problemas do país, mas existem coisas que não acontecem do nada. Mesmo a educação “de qualidade” proporcionada por muitas escolas particulares não incentiva algo que é de extrema importância: o senso crítico.

Todas as respostas de nossa sociedade convergem para a educação e para a liberdade. Mas, para que a sociedade seja de fato livre, a educação e a liberdade não devem ser uma imposição. Devem ser uma opção. Precisamos amar o conhecimento, e precisamos amar o fato de sermos livres.

Só que, para isso, precisamos entender e aceitar a visão do outro. E é isso que está em falta hoje. Vemos uma onda de intolerância varrendo as redes sociais, a vida cotidiana. Uma leniência insensata com o autoritarismo e com o desrespeito à vida.

Somos todos frutos de nossas experiências e aprendizados prévios. Se uma pessoa tem uma opinião, ela é fruto de um aprendizado prévio. Ela é sincera, por mais que pareça absurda. E opiniões só mudam com outras experiências, e com muito aprendizado. Aprendizado é informação acumulada. E por isso muita gente diz que a mídia, um disseminador de informação, manipula a informação para atender seus interesses. Quando o produto é a informação, há esse risco. E esse risco é afastado apenas por um forte arcabouço de crenças, ideologias ou valores individuais, justificado com argumentos sólidos.

O primeiro passo é não odiarmos ninguém por suas ideias, mas nos perguntarmos “por que fulano pensa assim?”. É o primeiro passo para entender e praticar a alteridade.

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