Uma fórmula para os Campeonatos Nacionais no Brasil


Semana passada, montei uma proposta para a Copa do Brasil. A recepção foi muito melhor do que a que eu esperava. No entanto, temos que lidar com a realidade dos dirigentes do futebol brasileiro, que é deprimente. Prova disso é a intenção dos presidentes das Federações Estaduais em acabar com a Série D do Campeonato Brasileiro.

Desnecessário falar o quanto isso é um retrocesso. Gente mais gabaritada que eu, como o Leonardo Bertozzi, já falou sobre o assunto. O fato é que nós temos na direção de nosso futebol uma maioria de pessoas que pensam apenas em seus próprios interesses, e nos interesses de seus feudos.

Há um consenso de que o futebol brasileiro hoje está muito mais organizado do que há 12 anos atrás. O ápice da desorganização ocorreu no ano 2000, quando uma ação judicial interposta pelo Gama, rebaixado após decisão polêmica do STJD anulando jogos com a participação do “gato” Sandro Hiroshi pelo São Paulo e beneficiando o Botafogo. Com isso, a CBF, fragilizada, delegou a realização da Copa João Havelange ao Clube dos 13. O torneio, inchado, teve participação de incríveis 116 clubes, e a desorganização foi coroada com queda do Alambrado na final entre o Vasco, do então poderoso Eurico Miranda, e o São Caetano, grande surpresa da competição.

Queda do alambrado na final da Copa João Havelange entre Vasco e São Caetano, em 2000

Depois disso, os clubes e a própria CBF perceberam que um futebol minimamente organizado renderia muito mais lucro para todos. Infelizmente, o objetivo não é um melhor futebol: é o lucro, sempre. Em nome desse objetivo foi criado o campeonato de pontos corridos na Série A, em 2003. A Série B passou a ser disputada em pontos corridos à partir de 2006. Em 2009, foi criada a Série D, disciplinando um pouco as três primeiras divisões do futebol nacional, com 20 clubes em cada.

Daí surgiu a proposta, por parte das Federações, em extinguir a Série D. O problema em propor a extinção da Série D, por parte dos dirigentes, é que não há nenhuma contrapartida envolvida. Podemos refletir, de fato, se há a necessidade de manter 4 divisões consolidadas no futebol nacional. É uma discussão válida. Mas incomoda o fato de que o único interesse na extinção da Série D, além de “encurtar” o caminho para a Série A, é o fortalecimento dos campeonatos estaduais. Não para salvar clubes pequenos e médios. Mas para reafirmar o domínio e a grandeza de alguns clubes grandes, em escala regional.

O que é conveniente questionar aqui, de uma vez por todas, é toda a estrutura do futebol brasileiro. Quando eu propus uma Copa do Brasil inclusiva, democrática, com a participação  até mesmo de times amadores, pensei no fortalecimento do futebol nacional como um todo. Só que pensar apenas em uma competição, infelizmente, não é suficiente. É necessário pensar no calendário anual dos clubes como um todo.

Modelos de calendário

Existem diversos modelos de campeonatos nacionais que poderiam ser adotados pelo Brasil. O mais famoso deles é o inglês, com quatro divisões muito bem consolidadas, e divisões amadoras inferiores. O modelo italiano funciona de forma semelhante.

No entanto, esses dois países, assim como a maioria dos países continentais da Europa, tem um diferencial absurdo em relação ao Brasil: o tamanho. Então, convém utilizar o único exemplo de país com ligas de futebol desenvolvidas e tamanho similar ao brasileiro (na verdade, bem maior): a Rússia.

Na Rússia, existem duas divisões nacionais, e uma terceira divisão regional, dividida em cinco áreas (Oeste, Sul, Centro, Urais/Volga e Leste). O campeão de cada divisão ascende à “Primeira Divisão”, que na verdade é a Série B de lá. Cinco dos 20 clubes da Série B do país são rebaixados anualmente, independente da região em que atuam.

O Brasil tem uma peculiaridade importante nesse sentido: o futebol, aqui, se desenvolveu regionalmente antes de se desenvolver nacionalmente. As rivalidades regionais são muito intensas, e o alimento dessas rivalidades regionais são os campeonatos estaduais. No formato atual, tentando ser uma versão espremida e regional de um campeonato que, até 11 anos atrás, tinha seis meses de duração, os estaduais não atraem nenhum interesse nem para os torcedores dos clubes grandes, que geralmente importam-se apenas com as fases finais, e nem nos torcedores dos clubes pequenos, que tem a alegria de enfrentar os grandes, mas normalmente fazem jogos pouco interessante contra outros times do mesmo porte, em campeonatos inchados. Para, em boa parte dos casos, lutar contra o rebaixamento no âmbito estadual.

O Calendário

Não farei um calendário formal. Porque existem algumas questões em aberto, que carecem de discussão, sobre as quais não existe consenso:

1) Adaptação ou não ao calendário europeu: é muito forte o lobby para que os campeonatos brasileiros adotem o calendário europeu. A justificativa é que tal adaptação faria com que não perdêssemos boa parte de nossos talentos no meio dos campeonatos.

2) Número de participantes nos campeonatos: a Série A do Campeonato Brasileiro deve ter 20 clubes. Não é um consenso, mas é muito difícil mudar isso, por causa do calendário e do envolvimento de clubes em competições continentais. Mas por que a Série B, por exemplo, tem que ter necessariamente 20 clubes? E a Série C, então? Nenhum desses clubes, a não ser que vença a Copa do Brasil, vai disputar competições continentais. Então, se desincharmos os campeonatos estaduais, podemos tranquilamente aumentar o número de clubes envolvidos.

3) O papel dos Campeonatos e das Federações Estaduais: os campeonatos estaduais precisam ser reformulados, com urgência. É a condição de sobrevivência dos mesmos a médio prazo. Infelizmente, os chefes das Federações só pensam no poder a curto prazo, na venda dos direitos de transmissão de seus campeonatos e em inflá-los, ainda que o público não tenha nenhum interesse nisso.

A Proposta

Campeonato Brasileiro – Série A

Formato: pontos corridos

Número de clubes: 20 clubes

38 datas (+ 2 datas de playoff para o 17º lugar)

Rebaixamento:

17º lugar enfrenta vencedor do playoff entre 4º, 5º, 6º e 7º lugares da Série B.

18º, 19º e 20º lugar caem direto.

Campeonato Brasileiro – Série B

Formato: pontos corridos

Número de clubes: 24

46 datas (+2, 4 ou 6 datas de playoffs pro 4º, 5º, 6º, 7º, 18º, 19º, 20º e 21º colocado)

Acesso:

1º, 2º e 3º colocados sobem direto.

4º ao 7º colocado disputam playoff (4º x 7º, 5º x 6º, V1 x V2). O vencedor disputa uma vaga na Sèrie A com o 17º colocado da Série A anterior.

Rebaixamento:

22º ao 24º colocado caem direto

18º ao 21º colocados disputam playoffs de permanência entre si (18º x 21º, 19º x 20º, P1 x P2)

Campeonato Brasileiro da Série C

Duas fases distintas:

1ª Fase: 28 times e 2 grupos regionalizados, de 14 times cada. A regionalização não é fechada, sendo feita no modelo da Série C atual, levando em conta a proximidade geográfica, apenas.

22 jogos.

Os 4 melhores de cada grupo classificam-se para o playoff de acesso.

Os 4 piores de cada grupo são rebaixados.

2ª Fase: 8 times, em 2 grupos de 4 times cada. Separados de acordo com a classificação na 1ª fase (1A, 2B, 3B, 4C / 1B. 2A, 3A, 4B)

6 jogos.

Os campeões de cada grupo fazem a final do torneio.

Acesso: Sobem os dois melhores times de cada grupo da 2ª fase.

Total de jogos:

Times que saem na primeira fase: 26

Times que saem no quadrangular semifinal: 32

Times que fazem a final: 34

Série D

A pergunta sobre a viabilidade da Série D é pertinente. Compensa manter a 4ª divisão em escala nacional? Como campeonato institucionalizado, em várias fases, não. mas compensa usar os estaduais para ajudar nisso.

O Leonardo Bertozzi (de novo) me ajudou com isso. Ele me ajudou a criar a ideia da Série D.   Acabei adaptando, mas o cerne da ideia (as fases eliminatórias) foi ideia dele.

Teríamos 64 clubes disputando, em sistema de mata-mata. Desses 64 clubes, oito seriam os rebaixados da Série C do ano anterior. Os outros 56 clubes seriam distribuídos de acordo com o Ranking da CBF (o de Federações, não o de clubes). No entanto, há uma crítica séria aí: defendo a formulação de um ranking de federações que considere apenas os resultados obtidos nos últimos 5 anos, nos moldes do Rankings de Ligas Nacionais da UEFA.

Funcionaria assim:

Federações 1-7: 3 clubes cada (21 no total)

Federações 8-22: 2 clubes cada (30 no total)

Federações 23-27: 1 clube cada (5 no total)

Esses 56 clubes se juntariam aos 8 rebaixados, e esses 64 clubes, para efeito de sorteio, seriam divididos em 2 clubes, de acordo com o ranqueamento dos clubes na CBF (e para isso, sugiro que o ranking de clubes da entidade adote os cinco últimos anos como parâmetro, a exemplo do Ranking de Clubes da UEFA). Existem pontos que merecem discussão mais fina depois, como a possibilidade de regionalização dos confrontos nas duas primeiras fases,  e o modelo do sorteio, que pode ser único ou realizado fase após fase.

Mas seriam, no total, seis fases eliminatórias. Doze jogos para definir o campeão da Série D. E seis jogos para definir quem sobe para a Série C (lembre-se, são oito vagas).

Estaduais

Os estaduais reuniriam todos os times que não participam das Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro (incluindo os rebaixados da Série C no ano anterior). Será sempre dividido em duas fases:

A primeira, que inclui quantos times a Federação quiser, é classificatória para a fase final. O formato é livre, pode ter várias divisões, ou pode aglutinar todos os times em uma divisão estadual só. Fica a critério da Federação.

A segunda fase, com participação dos times das Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro, e define, de fato, o campeão estadual, também pode ter qualquer fórmula, desde que obedeça um critério específico: pode utilizar apenas 10 datas, no máximo, do calendário anual. Se a Federação quiser classificar 32 clubes para a fase final e fazer cinco eliminatórias até consagrar um campeão, pode. Se quiser classificar 4 clubes e arrumar uma maneira deles jogarem dez vezes entre si, também pode. Os únicos critérios que devem ser obedecidos são os seguintes:

– O campeonato deve contar com todos os times do Estado que disputam as Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro.

– O Campeonato deve contar com todos os times que disputarão/estão disputando a Série D naquele ano, qualificados exclusivamente pelos campeonatos estaduais (não serão aceitas indicações ou Copas Estaduais paralelas), incluindo os rebaixados da Série C.

– O campeonato deve obedecer o limite de dez datas.

Excetuando-se alguns estados, como SP, que hoje, nesse modelo, teria que aglutinar nesse campeonato de dez datas pelo menos 17 clubes (6 da Série A + 5 da Série B + 2 da Série C + 1 rebaixado da Série C + 3 recrutados pela 1ª fase do Estadual), os demais Estados não teriam problemas. O fato é que 10 datas reúnem com sobras todas as fases decisivas de qualquer campeonato estadual pelo país. Que, infelizmente, é a única fase deles que importa para o torcedor, no momento.

Apêndice: Unificação de Calendários entre a Copa Libertadores e a Copa Sul Americana

É um apêndice porque não está na governabilidade da CBF, mas da Conmebol. A separação de calendários entre a Copa Libertadores e a Copa Sul Americana prejudica de forma irremediável o calendário. Unificar as competições e estabelecer, em escala continental, que time que disputa a Copa Libertadores não disputa a Copa Sul Americana no mesmo ano é essencial para disciplinar o futebol e desenvolver as competições em nível continental.

Vantagens do modelo

Sobrepondo a fórmula da Copa do Brasil apresentada anteriormente e a proposta para os campeonatos nacionais, desse texto, podemos chegar à conclusão que:

1) Os times disputam menos jogos irrelevantes e mais jogos decisivos por ano, em um calendário mais equilibrado

Vamos lembrar quantas vezes os clubes jogam de acordo com a fórmula da Copa do Brasil, do texto anterior:

Clubes que estão na Libertadores – 09 vezes

Série A – 11 ou 13 vezes

Série B – 11 ou 13 vezes

Série C – 11 ou 13 ou 15 vezes

Série D – 15 ou 17 vezes

Isso quer dizer que:

a) Um clube que está na Copa Libertadores da América disputará, no máximo, em um ano:

Copa Libertadores da América: 14 jogos, se for finalista. (ou 16 jogos, se entrar via Pré-Libertadores).

Mundial de Clubes: 2 jogos (se vencer a Libertadores)

Copa do Brasil: 9 jogos

Campeonato Brasileiro: 38 jogos (40, se terminar em 17º)

Campeonato Estadual: 10 jogos

Total anual máximo: 73 jogos (75, se disputar a Pré-Libertadores. 77, se disputar a Pré-Libertadores e for 17º no Brasileiro)

Tomando como base o calendário atual, para 2013, um time pode disputar:

Copa Libertadores da América: 14 jogos, se for finalista. (ou 16 jogos, se entrar via Pré-Libertadores).

Mundial de Clubes: 2 jogos (se vencer a Libertadores)

Copa do Brasil: 8 jogos (a partir de 2013, os times que estão na Libertadores entrarão na Copa do Brasil à partir das oitavas de final da competição)

Campeonato Brasileiro: 38 jogos

Campeonato Estadual: até 23 jogos

Total anual máximo: 85 jogos (ou 87 jogos, se o time disputar Pré-Libertadores)

b) Um clube que está na Copa Sul Americana disputará, no máximo, em um ano:

Copa Sul Americana: 8 jogos (defendo que se classifiquem apenas 4, e não 8 clubes nacionais para o torneio, sendo abolida a “fase nacional” da Sul Americana)

Copa do Brasil: 13 jogos

Campeonato Brasileiro: 38 jogos (40, se terminar em 17º)

Campeonato Estadual: 10 jogos

Total anual máximo: 69 jogos

Tomando como base o calendário atual, para 2013, um time pode disputar:

Copa Sul Americana: 8 jogos (a “fase nacional” vai virar um sistema de classificação ainda não esclarecido, que concilia Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil)

Copa do Brasil: 6 jogos (só irão para a Sul Americana os times que forem eliminados nas fases iniciais da Copa do Brasil. É uma espécie de mérito ao contrário)

Campeonato Brasileiro: 38 jogos

Campeonato Estadual: até 23 jogos

Total anual máximo: 75 jogos

c) Um clube que está na Série A do Campeonato Brasileiro, sem disputar competições continentais

Copa do Brasil: 13 jogos

Campeonato Brasileiro: 38 jogos (40, se terminar em 17º)

Campeonato Estadual: 10 jogos

Total anual máximo: 61 jogos

Tomando como base o calendário atual, para 2013, um time pode disputar:

Copa do Brasil: 14 jogos

Campeonato Brasileiro: 38 jogos

Campeonato Estadual: até 23 jogos

Total anual máximo: 75 jogos

d) Um clube que está na Série B do Campeonato Brasileiro

Copa do Brasil: 13 jogos

Campeonato Brasileiro da Série B: 46 jogos (50, se terminar na zona de playoffs de acesso e rebaixamento)

Campeonato Estadual: 10 jogos

Total anual máximo: 69 jogos (ou 73, com os playoffs)

Tomando como base o calendário atual, para 2013, um time pode disputar:

Copa do Brasil: 14 jogos

Campeonato Brasileiro da Série B: 38 jogos

Campeonato Estadual: até 23 jogos

Total anual máximo: 75 jogos

e) Um clube que está na Série C do Campeonato Brasileiro

Copa do Brasil: 15 jogos

Campeonato Brasileiro da Série C: 34 jogos

Campeonato Estadual: 10 jogos

Total anual máximo: 59 jogos

Tomando como base o calendário atual, para 2013, um time pode disputar:

Copa do Brasil: 14 jogos

Campeonato Brasileiro da Série C: 24 jogos

Campeonato Estadual: até 23 jogos

Total anual máximo: 61 jogos

e) Um clube que está na Série D do Campeonato Brasileiro

Copa do Brasil: 17 jogos

Campeonato Brasileiro da Série D: 12 jogos

Campeonato Estadual: 10 jogos + os jogos da primeira fase (todo time rebaixado da Série C participa da primeira fase do Campeonato Estadual no ano seguinte)

Total anual máximo: 39 jogos + os jogos da primeira fase do estadual

Tomando como base o calendário atual, para 2013, um time pode disputar:

Copa do Brasil: 14 jogos

Campeonato Brasileiro da Série D: 14 jogos

Campeonato Estadual: até 23 jogos

Total anual máximo: 51 jogos

2) A inclusão de mais clubes no calendário nacional

No modelo proposto, teremos 72 clubes disputando as Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro, ao invés dos 60 atuais. E todos os clubes que não estão disputando essas três divisões poderão se dedicar com mais ênfase aos torneios estaduais, ao invés de ficarem parados entre maio e dezembro, como ocorre em muitos casos, hoje.

Proposta Final de Calendário

Considerando um ciclo iniciado em 2014 e consolidado em 2015, (não pensarei na implantação em 2014, por ser ano de Copa do Mundo) teríamos:

Primeira fase dos Estaduais (apenas com times que não disputam Séries A, B e C): abril de 203 a dezembro de 2014.

Fase final dos Estaduais: fevereiro e março de 2015

Primeira fase dos Estaduais de 2016: abril a dezembro de 2015

Copa do Brasil de 2015: janeiro a dezembro de 2015, com:

Clubes amadores a partir de janeiro

Clubes profissionais fora das Séries A, B, C e D a partir de maio.

Clubes da Série D a partir de julho.

Clubes da Série C no início de agosto

Clubes da Série A e B (exceto os que participam da Libertadores) no final de agosto

Clubes que participam da Copa Libertadores no final de setembro.

Campeonato Brasileiro da Série D: de janeiro a março de 2015, qualificando para a Série C do mesmo ano

Campeonato Brasileiro da Séries A, B e C: de abril a novembro de 2015

Copa Libertadores da América e Copa Sul-Americana: concomitantes, de fevereiro a novembro de 2015

Mundial de Clubes: dezembro de 2015

Férias: dezembro (anualmente)

Pré-temporada: janeiro (anualmente)

E o ciclo se repetiria todos os anos, com adaptações em anos de Copa do Mundo. Com o calendário desinchado, as divisões principais também poderiam começar a respeitar as datas FIFA, não sendo mais prejudicadas pelos jogos das seleções nacionais.

Também não há problemas no caso de se adaptar as competições ao calendário europeu (que começa em julho e termina em junho): é só dar um delay de seis meses em todas as competições e eventos do calendário, com exceção do Mundial de Clubes, que está sob a tutela da FIFA.

Enfim, a proposta é essa. Por um calendário mais racional, inclusivo e que também seja viável economicamente para os clubes, com os mesmos podendo se planejar sem ressalvas. É um trabalho simples, chato, mas que creio que todos os que gostam de futebol deveriam fazer. Porque amar o futebol implica em pensar como deve ser o futebol, como melhorá-lo e como fazer com que o brasileiro realmente aproveite ao máximo o esporte.

Tem muita coisa extra-campo para mudar: a violência nos estádios, a estrutura dos clubes, a cartolagem do futebol, dentre outras. Mas um calendário racional e inclusivo, que dê chances para todos os clubes, pode ser um passo inicial nessa direção. E é isso que foi proposto aqui.

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14 respostas para Uma fórmula para os Campeonatos Nacionais no Brasil

  1. mauro disse:

    Sobre a Copa do Brasil: minha dica: Igual que na Inglaterra onde nas primeiras fases participam junto aos times profissionais até aqueles times peladeiros mais amados pelo povao.Sao mais de 1000 times. Eu acho que o Brasil em teoria tem muito mais times que a Inglaterra. As distancias nao representariam problema já que é um torneio de Play-off. Meu palpite também para a nova Libertadores:número de times por país: Brasil e Argentina por contar com pelo menos doze times cada país, que nunca deveriam faltar á nenhuma competiçao continental terao o número de vagas dobradas(12 cada um). Ou voce acha que está bem que a Libertadores de 2014 nao conte com Inter,Corinthians,Vasco,Boca júniors, River, Independiente, Racing,Palmeiras, Santos etc…?

  2. mauro disse:

    Eu pessoalmente penso que a série D deve contar com a participaçao de todos os times de Primeira e Segunda divisoes de cada Estado exceto os que já sao de A,B e C. Por exemplo: Tao somente o Estado de SP contaria com a participacao de pelo menos 80 equipes; já Estados como RR , AC ou AP,contariam com pelo menos 10 times.Assim todos os times profissionais do Brasil terao um calendário regular a nível nacional cada ano.Creio também que é uma boa idéia criar a Série E: envolveria todos os outros times restantes do Brasil,desde que estes times tenham um histórico de jogar todos os anos alguma competiçao estadual.Nesta divisao entrariam todos os clubes das Terceironas de cada Estado e também aqueles clubes Amadores mais tradicionais de cada regiao,além de clubes recém criados e que queiram iniciar o caminho para as divisoes de Elite.Tanto a D como a E unificariam todos os times do País num contexto de já saberem que a realidade nova é jogar todo ano á nível nacional.

  3. Marcelo Antonio disse:

    Minha proposta: Series A,B e C 20 ou 18 clubes, Turno e returno em pontos corridos com o campeonato começando em agosto/setembro de um ano e terminando em maio do ano seguinte. Subiriam/desceriam 3 ou 4 times. Jogos da TV aberta: Série A as quartas e domingos;Série B aos sábados e Série C aos domingos de manhã ou segunda/terça,por exemplo. Série D: 40 times divididos regionalmente em 5 grupos de 8. Turno e returno dentro dos grupos,14 jogos cada equipe. Essa fase seria jogada entre agosto/setembro a dezembro. Classificaria 16 equipes para a segunda fase ( 3 melhores de cada grupo mais um por índice técnico). Na segunda fase,4 grupos de 4,seis jogos para cada equipe classificando os dois melhores de cada grupo. Depois os oito divididos em dois grupos,seis jogos cada equipe e os dois primeiros sobem para a Série C e os campeões de cada grupo fariam a final. A segunda fase em diante seria jogada entre janeiro e maio. O campeão jogaria ao todo 28 jogos. Permaneceria na Série D apenas as equipes que terminarem entre a quinta e a oitava colocação e as rebaixadas da Série C,no total oito equipes. Todas as outras 32 seriam “rebaixadas” para a Série E,que seria os estaduais sem a participação das equipes que estão nas 4 primeiras divisões. A Série E teria 27 grupos equivalente aos estaduais onde os cinco estados mais bem ranqueados teriam duas vagas fixas e os outros apenas uma. As equipes rebaixadas poderiam disputar a Série E no mesmo ano que caiu da D. As Copas estaduais seriam disputados no primeiro semestre onde participariam as equipes eliminadas da primeira fase da Série D do ano anterior valendo vaga na Copa do Brasil.

  4. Pingback: O calendário anual fez o futebol brasileiro declinar. E pode fazer o futebol brasileiro se reerguer | Aleatório, Eventual & Livre

  5. Gustavo disse:

    Achei muito bacana o blog e o texto. Na minha opinião o calendário é um problema sério quando se pensa no planejamento dos clubes. Mas acho que não resolve o motivo das pessoas não irem aos estádios. Não é só o calendário. É a dificuldade em chegar aos estádios, desconforto e a insegurança. Enquanto isso não for resolvido, a media de público nos campeonatos no Brasil vão continuar caindo.

  6. Rudmar Mendes disse:

    Muito boa a proposta, mais mudaria a Série C e Série D.
    Colocaria a Série C em dois grupos regionalizados de 16 clubes cada, jogando em turno e returno, onde os 2 primeiros de cada grupo subiria direto para a Série B, os 3º e 4º de cada grupo se enfrentariam, onde o vencedor o play-off da Série C jogaria com o perdedor do play-off da Série B, para decidir a última vaga, nesse caso 5 vagas. O decesso fosse das 4 ultimas de cada grupo.
    Na Série D, colocaria 8 grupos independentes e regionalizados de 12 times, jogando em turno e returno ( 22 jogos) nos fim de semana, onde os campeões de cada grupo subiria para a Série C. Os últimos de cada grupo poderia passar por vir dos campeonatos estaduais, com isso os times da Série D não mudaria muito. Também criaria a Copa Série D, jogada no meio de semana, com direito ao acesso a Série C ao campeão.

  7. Mauricio disse:

    Muito bom o seu blog. Textos muito elucidativos sobre economia, política, etc e você aborda alguns temas relacionados ao futebol, que muitas vezes não recebem atenção da grande mídia. Peço desculpas pela pretensão, mas se for possível, gostaria de sugerir para futuras postagens sobre futebol que você debatesse a questão da elitização do futebol. Vejo que você tem uma opinião muito critica a respeito da organização dos campeonatos de futebol e gostei muito da ideia de uma “Uma fórmula para os Campeonatos Nacionais no Brasil”.
    Desde já agradeço pela atenção do autor e pela oportunidade de poder debater e contribuir para o blog. Sei que o texto a seguir é muito longo, mas o meu objetivo foi fornecer material e alguns fatos para ajudar a mostrar o meu ponto de vista.

    Aproveitando os textos “Uma fórmula para os Campeonatos Nacionais no Brasil” e a “A Fórmula Ideal para a Copa do Brasil”, acredito que o formato atual do futebol brasileiro está caminhando para uma elitização onde apenas alguns clubes ficam com exposição na mídia ao longo do ano e consequentemente com cotas de tv e patrocínios. De uns anos para cá, na primeira divisão, um grupo de 8 ou 10 times vem recebendo altas cotas de tv e conseguindo grandes patrocinadores, aumentando a distância técnica para os demais e diminuindo o equilíbrio da competição. Na série B acontece algo parecido, pois os clubes que pertencem ao clube dos 13 mesmo sendo rebaixados recebem valores maiores que os demais. Com a série C recebendo transmissão de tv, em breve teremos a mesma situação, onde alguns clubes levarão vantagem sobre os outros.

    Esta divisão de valores aumenta o abismo entre os clubes e, além de reduzir a quantidade de clubes brigando pelo título, também dificulta o acesso entre as divisões (A,B,C). Se formos analisar os clubes que são rebaixados para série B e os clubes que sobem para a série A, desde 2006 alguns clubes se repetem nesta faixa de classificação. Temos pouca alternância entre os participantes, ou seja, se o objetivo da série B é o acesso para a série A e poucos clubes conseguem este acesso ao longo dos anos, é sinal de que não há equilíbrio técnico entre os participantes. Com esta divisão por “classes” de clubes nas cotas de tv, mesmo que um clube pequeno consiga fazer uma boa estrutura, quando ele conseguir o acesso para a série A ele estará muito distante do poderio econômico dos demais. Ele poderá até fazer uma boa campanha, mas ao final do campeonato não conseguirá segurar seus principais jogadores que receberão ofertas dos clubes da elite e no ano seguinte este clube será um mero coadjuvante no campeonato.

    Esta elitização do futebol preocupa bastante. Os analistas de futebol falam que é o poder do mercado que dita as regras e “quem tem mais pode mais”. E os outros mercados? E os patrocinadores regionais e o mercado local? E os torcedores dos mais diversos clubes e cidades se tornarão apenas telespectadores das grandes marcas/clubes? Os clubes de menor investimento ou fora das grandes praças vão acabar?

    Cada time tem sua identidade, sua história e suas conquistas. Cada torcida tem motivos para se orgulhar de seu time. O ato de torcer por um time muitas vezes não tem explicação, é uma paixão! Acho que os analistas de futebol esqueceram que futebol é paixão nacional!

    Não podemos esquecer também do papel do esporte na formação de atletas e cidadãos. Se os clubes falirem esta questão ficará muito prejudicada.

    Pode parecer saudosismo, mas acredito que o futebol no Brasil deveria voltar a ser regionalizado e não ficar restrito apenas aos grandes clubes do eixo Rio/Sp.

    Restringiram a série C a poucos participantes, querem acabar com a série D e querem acabar com os estaduais, ou seja, no futuro teremos campeonatos de futebol profissional apenas para um seleto grupo de clubes.

    Para alguns a atual fórmula das series B e C é a mais justa, mas tenho observado várias opiniões de torcedores, principalmente dos estados do nordeste, que também acham que as divisões do brasileirão deveriam ter mais clubes participantes e serem mais regionalizadas. Alguns inclusive gostariam que voltasse a Copa do Nordeste.

    Lembro que no início a série C era regionalizada e o acesso era alcançado pela classificação nos estaduais, porém a divisão era feita em vários grupos com quatro times cada, com isso o time que fosse eliminado na primeira fase ficava o resto do ano sem atividade. Este modelo não é o melhor para ser adotado.

    Acho que deveriam aumentar a quantidade de participantes na série B e obviamente aumentar a quantidade de clubes para acesso a série B e rebaixamento para a C. Porém este acesso/rebaixamento seria de forma regionalizada. Você citou a copa João Havelange. Concordo que a copa JH foi uma aberração, porém ao observarmos os grupos do “módulo amarelo” (equivalente a segunda divisão) podemos ver que havia uma distribuição regionalizada:

    Grupo A = Sudeste/Sul (18 times)

    Grupo B = Centro/Norte/Nordeste (18 times)

    Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_Jo%C3%A3o_Havelange#M.C3.B3dulo_Amarelo

    Por que não aproveitar esta ideia para a série C, e a CBF organizar torneios regionais (como as copas Nordeste, Sudeste,…) equivalentes à série C e estes torneios servirem de acesso para a série B? E os times rebaixados da série B disputariam estes torneios regionais no ano seguinte.

    Além dos rebaixados da série B, o acesso a estes torneios (série C) seria através dos campeonatos estaduais. Onde os melhores times classificados dos estados que não estivessem na série A ou B teriam vaga nos respectivos torneios regionais.

    Os demais times dos estaduais disputariam a série D, que seria organizada da mesma forma que é hoje, porém com aporte financeiro da CBF. Os melhores classificados teriam vaga garantida na série C (Torneio Regional) do próximo ano independente da classificação no estadual.

    Atualmente esta fórmula de acesso à série D é utilizada no Rio de Janeiro. O melhor time classificado no estadual que não participa das séries A,B e C tem vaga garantida na série D e no segundo semestre é disputada a Copa Rio com a participação de clubes de todas as divisões do RJ que dá acesso a série D ao time campeão independente da classificação no estadual.

    Fonte: http://www.lancenet.com.br/minuto/Campeonato-Carioca-Volta-Redonda-Copa_0_460154110.html

    Se as divisões C e D do campeonato brasileiro fossem regionalizadas teríamos mais clubes com calendário ao longo do ano.

    Talvez para alguns esta proposta lembra aquele velho discurso da ditadura: “Onde a arena vai mal, mais um clube no nacional!”. Longe, longe disso… procuro apenas uma reflexão sobre o atual panorama do futebol: Poucos com muito, muitos com pouco”. Outros podem até achar que é uma virada de mesa, mas se olharmos para o passado veremos que as viradas de mesa favoreceram os times de maior apoio na mídia e prejudicaram os demais, como por exemplo: Copa união, o Brasileiro da série C de 2008 e a já citada Copa João Havelange. A questão da proposta é romper com o modelo atual do futebol brasileiro que está matando times tradicionais e limitando o crescimento de clubes emergentes apenas para manter um bloco privilegiado de clubes no poder.

    Sobre esta questão do passado, quando o campeonato Brasileiro das séries B e C não tinham apoio financeiro e nem transmissão da televisão muitos times tradicionais jogavam estas competições e com poucos recursos honraram seus compromissos e conseguiam manter seus elencos, mas por causa de um conjunto de fatores tais como: Má administração, calendário, dívidas e principalmente viradas de mesa estes clubes atualmente tem pouca participação nacional.

    Estes clubes “pioneiros” apenas participam dos campeonatos estaduais e alguns sequer disputam a série D. Dentre estes clubes, posso citar como exemplo: Bangu, América-RJ, Londrina, CSA, Vila Nova MG, Operário MS, Brasil RS, Remo, Paysandu, Tuna Luso, Juventus, Santo André, Inter de Limeira, e muitos outros. Muitos destes clubes são centenários e contribuíram muito para a formação de craques e consolidação do futebol como paixão nacional. Estes clubes enfrentaram competições nacionais altamente deficitárias ao longo dos anos, sem nenhum apoio da mídia, serviram de laboratório para um melhor planejamento do Campeonato Brasileiro das séries B e C atuais e agora que a CBF, a imprensa e os patrocinadores dão valor a competição estes clubes ficaram fora da “festa”.

    Hoje o campeonato Brasileiro das séries B e C tem as passagens custeadas pela CBF, transmissão televisiva e grandes patrocinadores (R$ 518 milhões é o valor de mercado da serie B 2012).

    Para detalhar a decadência destes clubes, vamos utilizar como exemplo a situação de Bangu e América. Temos diversos clubes injustiçados no Brasil, provavelmente até mais que Bangu e América, mas por conhecer bem a história deles, fico mais a vontade para citar. Podemos ver que no decorrer dos anos sucessivas viradas de mesa prejudicaram muito estes clubes:

    Em 1986 ambos conseguiram permanecer na primeira divisão (o América foi 3º colocado), mas tiveram que disputar o módulo amarelo da Copa União em 1987. Não quero entrar no mérito de quem foi campeão, mas sim debater por que o regulamento do ano anterior não foi mantido e alguns clubes foram rebaixados injustamente?

    Fonte 1987 (Times rebaixados injustamente):
    http://blogdobirner.virgula.uol.com.br/2008/05/30/os-maiores-prejudicados-e-beneficiados-pela-copa-uniao-de-1987/

    No brasileiro da série B de 2000 mesmo ficando bem classificados (o Bangu foi o 8º colocado), os dois times foram rebaixados para a série C de 2001.

    Fonte 2000 (Classificação):
    http://www.bolanaarea.com/serie_b_2000.htm

    Fonte 2001 (Critérios de permanência na serie B de 2001 não foram técnicos):
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Campeonato_Brasileiro_de_Futebol_de_2001_-_S%C3%A9rie_B

    Em 2008 a CBF mudou a regra de acesso à série C que era por classificação nos estaduais e, além disso, rebaixou 44 clubes para a recém criada série D (onde o RJ tem direito apenas a duas vagas), o que dificultou ainda mais o retorno destes clubes para as divisões principais.

    Fonte 2008 (CBF rebaixa 44 clubes na série C):
    http://www.torcedorcoral.com/blog/colaboradores/josias-de-paula-jr/artigos-josias-de-paula-jr/triangulo-das-bermudas/

    http://trivela.uol.com.br/especial/materias/quem-quer-serie-d

    Atualmente para conseguir acesso ao campeonato brasileiro estes clubes terão que se classificar muito bem no campeonato carioca ou na copa rio (o caso do América é ainda mais complicado, pois o clube se encontra na segunda divisão do Rio de Janeiro).

    O Campeonato Carioca está cada vez mais desigual. A diferença nas cotas de tv, pouca exposição na mídia e a falta de participação dos times pequenos nas competições nacionais, acabaram com equilíbrio técnico do campeonato. Os grandes clubes estão bem à frente dos outros em termos de estrutura e elenco. A arrecadação do estadual não é suficiente para estes clubes se manterem e como a série D é muito dispendiosa, alguns clubes pequenos do RJ desistem de participar.

    Fonte:
    http://www.lancenet.com.br/minuto/Estaduais-Pequenos-querem-direitos-TV_0_681531950.html

    Pela tabela podemos ver que os times de menor investimento somente tiveram jogos transmitidos na tv aberta e no PPV quando enfrentaram os grandes:
    http://186.202.17.33/campeonatos/ano-de-2012/serie-a-profissional/taca-guanabara.html

    No campeonato paulista os times de menor investimento tem transmissão de tv e mais exposição na mídia:
    http://www.midiaesporte.com/2010/12/definidos-jogos-do-campeonato-paulista.html

    Muitos jornalistas comentam que os clubes precisam se estruturar e equilibrar suas receitas. Como estes clubes vão conseguir melhorar sua estrutura, manter seus elencos, reformar seus estádios e investir na categoria de base com tão poucos recursos? A federação e os clubes deveriam melhorar a competição e fazer um planejamento de médio prazo para os clubes pequenos se desenvolverem e retornarem as divisões nacionais.

    E voltando ao assunto da virada de mesa, os grandes do RJ querem reduzir o número de participantes no carioca em 2013, alegando que o campeonato é deficitário. Ao invés de apresentarem soluções que atendam ao calendário dos demais clubes para que estes voltem ao cenário nacional, os grandes clubes simplificam a análise e apontam como problema principal o número de participantes. Esqueceram que em 2006 o número de participantes era menor e mesmo assim o campeonato era deficitário só gerando lucro nas finais e o RJ tinha pouca representatividade nas séries B e C do nacional. Ou seja, para virar a mesa e prejudicar times de menor investimento tem sempre uma justificativa… Se os grandes clubes reclamam de finanças, certamente os culpados não são os clubes pequenos!!

    Fonte:
    http://esportes.terra.com.br/futebol/estaduais/noticias/0,,OI5689072-EI19273,00-Ferj+descarta+mudanca+e+Carioca+seguira+com+clubes+em.html

    É cada vez mais complicado para clubes tradicionais que atravessam má fase se reerguerem. Mesmo que consigam subir nas divisões nacionais, quando chegarem a série A, a diferença econômica para os grande clubes será abissal.

    Se os grandes clubes que recebem altas cotas de tv, verbas de patrocinadores e conseguem fazer contratos de longo prazo estão em dificuldade financeira é sinal que o problema está muito além da quantidade de clubes participantes nos campeonatos: É o modelo de gestão que está errado. Tanto a gestão particular de cada clube, quanto a gestão da organização das competições.

    Alguns componentes poderiam ser analisados de forma mais abrangente: O preço dos ingressos, o horário dos jogos, o sistema de disputa e principalmente um calendário anual de competições para todos os clubes. Não há modelo de organização e estrutura de clube de futebol que resista a um calendário esportivo de apenas 3 meses. Esta é a realidade de muitos clubes no Brasil, mesmo nas federações mais fortes, assim que acaba o estadual os clubes ficam parados ou então disputam competições deficitárias com alguns jogadores da base no segundo semestre.

    O ostracismo destes clubes afasta patrocinadores. Quem vai querer colocar sua marca na camisa de um clube que não tem visibilidade? Os torcedores ficam isolados, sem acesso ao clube de coração apenas tem o direito de ver “os outros clubes jogarem na televisão”. Em alguns clubes as categorias de base estão nas mãos de empresários. Sem verba como clube vai manter instalações e material de treinamento? E tem o problema da perpetuação dos dirigentes no poder.

    O objetivo deste texto é apenas uma reflexão para aqueles que dizem gostar de futebol e acham que está tudo bem com os campeonatos. Vejam as opiniões dos torcedores que não concordam com este modelo exclusivista e desejam uma forma de acabar com segregação de clubes de futebol, muitos deles tão tradicionais quanto os grandes clubes de RJ/SP. Os moradores das regiões norte e nordeste também gostam de futebol; As cidades do interior também querem seus clubes na vitrine; Os torcedores dos clubes suburbanos também sentem orgulhos de seus times e querem continuar revelando craques para o futebol brasileiro.
    O mercado do futebol é poderoso. O lucro gerado por este esporte é cada vez maior. Mas saibam que os torcedores também são consumidores! E existe mercado para todos.

    • Léo Rossatto disse:

      Seu texto é grande, mas li tudo.

      Sua reflexão é sensacional, cara. Acho que enxergamos os problemas do futebol brasileiro de forma bem similar, e você falou bem sobre o fenômeno da elitização, que é pernicioso, de fato.

      O Brasil é um país muito complexo, e não dá pra simplesmente imitar um modelo como o inglês pode exemplo, sabendo das enormes diferenças econômicas e geográficas entre os países.

      Concordo muito com sua preocupação sobre esse processo de elitização. A verdade é que um grupo que sempre comandou o futebol no país descobriu que não apenas dá pra continuar se sustentando e ganhando horrores com o futebol, mas que tem como maximizar esse ganho, promovendo no futebol uma característica triste da sociedade brasileira: a desigualdade.

      Com a iminência da Copa de 2014, esse processo está se agravando. Além da construção dos estádios com dinheiro público, socializando algo que só será usado por uma elite, os preços abusivos de ingressos, de acordo com uma política imposta pela FIFA, e a negociação individual dos direitos de transmissão, são maneiras de excluir a maioria das pessoas de algo que deveria ser popular, do povo, uma marca do Brasil: o futebol.

      Além de excluir esse pessoal do estádio, você exclui a maioria dos mais pobres das transmissões, pois grande parte das transmissões hoje é feita pela TV fechada. Com isso, esse pessoal fica condicionado a torcer pro que vem na TV aberta. Daí que não existe mais “time do povo”. Existe torcedor condicionado.

      O efeito nos times menores é mais grave ainda. Sem nenhuma cobertura da mídia e com um abismo imenso em relação aos demais times, a maioria está morrendo. Os times que prosperam sem torcida são os “de empresários”, gente que não quer ganhar nada e só quer usar o futebol pra ganhar dinheiro.

      Você está corretíssimo. Tá tudo muito longe de estar bem. Tá tudo péssimo, se você for ver. Campeonatos restritos e desequilibrados, clubes que participam do mesmo campeonato com mais de 10 vezes de diferença no faturamento, uma tendência forte à elitização em duas frentes: além do futebol ser voltado pro ricos, ainda teremos alguns poucos clubes dominando. Até falei sobre isso (e se bobear você já leu):

      http://leorossatto.wordpress.com/2012/02/16/do-brasil-a-escocia-passando-pela-espanha/

      E muito obrigado pelo comentário. Contribuiu demais.

      • Mauricio disse:

        Muito obrigado pela publicação do meu texto.
        Há algum tempo venho procurando um espaço na internet para discutir estes assuntos. A maioria dos sites das grandes empresas de mídia não aborda este tema, e quando surge alguma notícia sobre isso, os comentários dos leitores saem do foco principal. Exemplo: Se o assunto é sobre dinheiro público em estádios, os comentários dos torcedores focam apenas as rivalidades entre os times; Se assunto são as cotas de TV os leitores preferem discutir quem tem a maior torcida; Se o tema é a regionalização dos campeonatos, os comentários viram ofensas bairristas e assim por diante. Não vale nem a pena entrar para comentar.
        Sabemos que os problemas do futebol no Brasil vão muito além destas análises superficiais e lendo seu Blog constatei que você escreve muito bem sobre estes problemas e percebi que seus leitores fazem ótimos comentários. Sou a favor do bom debate.
        Recomendei seu Blog para outras pessoas.

  8. Fabiano Dias disse:

    Se for adaptado ao calendário europeu, a proposta seria “quase” idêntica a essa com algumas modificações. E até teríamos uma certa folga no alinhamento das competições.
    Descartes:
    Junho – férias ou competições disputadas pela seleção
    Julho – pré-temporada
    20/dez a 15/jan – recesso festas de fim de ano (os jogos só começariam mais ou menos em 15 de janeiro para darem tempo aos clubes voltarem aos treinos normalmente, seria uma inter-temporada)
    Datas -fifas – Setembro, outubro, novembro e março (3 datas cada – no ciclo quarta/domingo/quarta)
    Teríamos 36 datas de finais de semana entre agosto e maio com essas pausas citadas acima, pois as séries A e B começariam no segundo ou terceiro domingo de agosto, deixando o fim de julho e começo de agosto para os clubes fazerem aquele “marketing” de amistosos pré-temporada na Europa ou sei lá onde. Para isso as séries A e B continuariam com 18 clubes cada, somando 34 datas ao total, com rebaixamento direto do 18º colocado e o 17º disputando um play-off com 2º colocado ou um vencedor de play-off também entre 2º e 3º por exemplo, no caso da série B.
    A série C também seria disputada pelos 28 clubes (dois grupos de 14), da mesma forma apresentada anteriormente, o que daria no minimo de 26 datas para cada clube em sua primeira fase. E a segunda fase seriam dois grupos de 4 clubes, sendo o campeão de cada grupo classificado para a série B e fazendo a final da série C. Os dois últimos de cada grupo seriam rebaixados a série D/Estadual.
    A série D também seria os estaduais, mas jogado entre agosto e dezembro em sua fase estadual, e de janeiro/fevereiro a maio a sua fase final (nacional) na mesma formula bem simplificada: 32 clubes sendo os 27 campeões estaduais mais 5 vices dos estados melhores rankeados – 8 grupos de 4, classificando 16, e fazendo um mata-mata até o seu final, tendo todos os semi-finalistas classificados para a série C. As copas estaduais seriam disputadas no mesmo período da série D (fase nacional), sendo a mesma classificatória para a Copa do Brasil.
    A Copa do Brasil seria disputada na mesma forma, nos meios de semana, intercalado com as competições continentais com alguns ajustes.
    1ª fase – 128 clubes (64 clubes das séries A, B e C + 32 clubes que disputaram a série D da temporada anterior + 32 clubes vindos das copas estaduais) – partida única sendo jogada na casa do clube com pior rankeamento (Poderia ser feito no primeiro domingo de agosto como início de todas as competições oficiais). Obs.: se houver empate, seria disputada uma partida desempate com o mando invertido.
    2ª fase – 64 clubes classificados da fase anterior – partida única com mando de campo também do clube com pior rankeamento (setembro) Obs.: se houver empate, seria disputada uma partida desempate com o mando invertido..
    3ª fase – 32 clubes classificados da fase anterior – partida única com mando de campo sorteado (outubro) Obs.: se houver empate, seria disputada uma partida desempate com o mando invertido..
    Oitavas de final – ida e volta (janeiro).
    Quartas de final – ida e volta (fevereiro/março).
    Semi-final – ida e volta (abril).
    Final – ida e volta.(os dois últimos domingos de maio, marcando assim o fim da temporada)
    Total: 12 datas (15 datas contando partidas desempates).
    As competições internacionais seriam assim distribuídas:
    – Agosto (Recopa e Pré-Libertadores) – 2 datas
    – Setembro a Dezembro (fase de grupos Libertadores e fases iniciais da Sulamericana, simultâneas) – 6 datas
    – Dezembro (Mundial de Clubes) – 2 datas – caso haja participação de brasileiros.
    – Fevereiro a Maio (Libertadores e Sulamericana – fase finais) – 8 datas.
    Totalizando no máximo 18 datas.
    Com o sistema europeu, até sobrariam uma ou duas datas no período de janeiro a maio, que ficariam vagas para o clube que disputasse o Mundial de Clubes disputar suas partidas atrasadas, caso fosse brasileiro é claro.
    Algumas observações:
    – Se acaso um clube chegasse a todas as finais ele poderia fazer entre 64 e 67 partidas ao todo na temporada.
    – As partidas realizadas no período entre outubro/novembro e fevereiro/março deveriam ser disputadas preferencialmente sem luz natural, ou seja, após as 18 ou 19 horas nos sábados e domingos (isso já deveria ser feito atualmente, devido ao forte calor no nosso verão, mas enquanto não ocorrer uma tragédia, não irá mudar nunca).

    PS: Leio seus escritos sobre outras áreas e tenho gostado muito.

  9. Fabiano Dias disse:

    Leonardo, fiz uma pequeno esboço de como seria esse calendário. Primeiro temos que fazemos descartes de algumas datas:
    1) Janeiro: pré-temporada;
    2) Junho/Julho: Competições de seleções (Copa do Mundo/Copa América/Copa das Confederações e até Olimpiadas, mesmo sendo uma competição não-oficial);
    3) Dezembro: férias.
    4) Datas-fifas: Março, setembro, outubro, novembro (3 datas cada – no ciclo quarta/domingo/quarta) – estou desconsiderando a data-fifa de junho por já estar inserido no recesso para preparação da seleção no que tange as competições disputadas por ela.
    Diane disso sobrariam dois períodos que seriam entre Fevereiro a Maio e entre Agosto a Novembro.
    Para as séries A e B acontecerem durante esse período, sendo ela jogada somente nos finais de semana e com pausa nas datas-fifas, teriamos 17 datas em cada período, perfazendo um total de 34 datas no final, ou seja, 18 clubes em cada uma dessa divisão. Haveria rebaixamento de 2 clubes em cada divisão.
    A série C poderia ser disputada nesse mesmo período com 28 clubes, dois grupos de 14, que daria no minimo de 26 datas para cada clube em sua primeira fase. E a segunda fase seriam dois grupos de 4 clubes, sendo o campeão de cada grupo classificado para a série B e fazendo a final da série C. Os dois últimos de cada grupo seriam rebaixados a série D/Estadual.
    A série D seria os estaduais, sendo ela jogada de fevereiro a junho/julho em sua fase estadual, e de setembro a novembro a sua fase final (nacional) em uma formula bem simplificada: 32 clubes sendo os 27 campeões estaduais mais 5 vices dos estados melhores rankeados – 8 grupos de 4, classificando 16, e fazendo um mata-mata até o seu final, tendo todos os semi-finalistas classificados para a série C. No segundo semestre os clubes que não estivessem disputando a série D, jogariam as suas copas estaduais, sendo a mesma classificatória para a Copa do Brasil.
    A Copa do Brasil seria disputada nos meios de semana, intercalado com as competições continentais (nesse caso teriam que combinar com a Conmebol que Libertadores e Sulamericana fossem disputadas simultaneamente e com datas fixas, tipo a primeira fase de grupos em 6 ou 7 datas, e não em 11 datas como ocorre atualmente). Levando em consideração o calendário de jogos entre fev-maio (12 datas) e ago-nov (13 datas), a CB teria que ser jogadas nas suas primeiras fases em sistema de jogo único, porque a Conmebol ficaria com 16 datas, sobrando 9 para a CB. Seriam mais ou menos nesse sistema:
    1ª fase – 128 clubes (64 clubes das séries A, B e C + 32 clubes que disputaram a série D do ano anterio + 32 clubes vindos das copas regionais) – partida única sendo jogada na casa do clube com pior rankeamento (março).
    2ª fase – 64 clubes classificados da fase anterior – partida única com mando de campo também do clube com pior rankeamento (abril).
    3ª fase – 32 clubes classificados da fase anterior – partida única com mando de campo sorteado (maio).
    Oitavas de final – partida única com mando de campo sorteado (agosto).
    Quartas de final – partida única com mando de campo sorteado (setembro).
    Semi-final – ida e volta (outubro).
    Final – ida e volta.(novembro)
    Total: 9 datas
    Se um clube brasileiro brasileiro chegar a todas as finais de Copa do Brasil e Libertaddores, sendo um clube de série A, o mesmo vai disputar no máximo 59 partidas no ano, isso se ela entrar na pré-libertadores, se não disputará no máximo 57 partidas.
    Caso os clubes queiram fazer aquele “marketing” e ir jogar na Europa no fim de julho e começo de agosto, poderiam ir sem problema algum, mas essas partidas atrasadas teriam que ser repostas nas datas-fifas.
    Essa seria a minha proposta de calendário anual e tenho outra no calendário europeu. Até estou fazendo um calendário virtual no Excel, tanto anual como no estilo europeu.

    • Léo Rossatto disse:

      Proposta bacana também. Daí é questão de contrapor mesmo e aprofundar a discussão nos pontos que não coincidem. Um amigo (o @tomiate) também me mandou um calendário no Excel baseado na proposta do texto. Mas, em princípio, a única discordância mesmo seria a de reservar datas para amistosos no meio do ano. Se for pra fazer isso, adota calendário europeu logo. Os times europeus, inclusive, SÓ fazem esse tipo de amistoso na pré-temporada, com raríssimas exceções (como o Ajax, contra o Palmeiras), e a intenção é justamente dar ritmo de jogo pro time antes da temporada começar efetivamente.

      Interromper a temporada e reservar data pra amistoso com time europeu é um negócio que vai atrapalhar muito e quebrar completamente o ritmo dos times.

  10. Carlos Alexandre disse:

    Perfeito, muito boa a ideia, mais acho muito dificil isso acontecer algum dia… O pessoal que manda no futebol brasileiro são “Dinossauros”.

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