Cotas raciais, na visão de um branco (*)


O STF acabou de aprovar a Constitucionalidade do sistema de cotas raciais em universidades públicas. E isso quer dizer algumas coisas.

A primeira delas, que pouco tem a ver com o assunto do texto, é, que, de fato, o STF legisla, indo além de sua função dentro do sistema de separação de poderes brasileiro. E legisla não porque quer, mas por omissão de nosso Poder Legislativo. Até pouco tempo atrás, as decisões do STF não tinham a importância que tem hoje. Do ano passado pra cá, o STF já julgou, criando jurisprudências, diversos assuntos que deveriam caber apenas ao legislativo, como a validade da Ficha Limpa, a união entre pessoas do mesmo sexo, o aborto de anencéfalos e disputas por demarcação de terras de índios. Os deputados, cada vez mais reféns de um conservadorismo tacanho, esquivam-se de todos esses temas polêmicos. É capaz que o STF julgue até o Código Florestal, em breve, considerando a incapacidade de nosso legislativo.

A segunda coisa: a ação contra o ProUni e contra as cotas raciais em Universidades Públicas foi proposta pelo DEM, partido que está em vias de extinção, com o envolvimento de seu último grande expoente, Demóstenes Torres, com o esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira (que é criminoso mesmo, “empresário de jogos” é o dono da Grow).

O DEM, que tenta “se modernizar” há anos, só agrega descendentes de velhas raposas da nossa política, como ACM Neto e Rodrigo Maia. É um partido coxinha. Um partido de idosos conservadores e jovens almofadinhas criados à leite com pêra. E um partido que é contra qualquer iniciativa de cunho social. Que, como todo almofadinha, prefere ignorar os problemas, deixando-os longe ao invés de enfrentá-los.

O Brasil não é um país racista. É pior. É um país que se esforça para ignorar o seu próprio racismo. É um país em que as classes dominantes tradicionais, que o DEM representa tão bem, sempre excluíram os negros de seu convívio social. Racistas eram os americanos na década de 60, quando de fato havia uma segregação e o negro era relegado a funções subalternas na sociedade. No Brasil, nem isso acontece: o negro, quando não supera barreiras imensas, nem subalterno é. É excluído.

Nos EUA da década de 60, o negro muitas vezes era o garçom, o faxineiro, o servente. No Brasil, nem isso. O negro é escondido, a ponto de um desavisado que visita o Brasil e passa só pelos locais tradicionais achar que existem uns 97% de brancos por aqui. Enquanto nos EUA o negro é o garçom ou o limpador de vidros, aqui no Brasil o negro é relegado à cozinha, à favela, ao quarto da empregada. É escondido da sociedade por seus patrões. E, se consegue superar essa realidade, precisa de um esforço muito maior que o branco para isso.

Eu era contra cotas raciais. Sempre fui a favor de cotas sociais, ao invés de cotas raciais. Mas a pobreza de uma pessoa sempre é relativa. No Brasil, sempre é simulável. A cor de uma pessoa não. É uma marca que a pessoa leva por toda a vida, e todo tipo de preconceito em relação a essa marca deve sim ter compensação.

Se não houvesse racismo no Brasil hoje, poderíamos sim pensar em barrar cotas raciais. Mas ele existe. Não é reconhecido, mas está nas entranhas da sociedade. Nunca tivemos um presidente negro. Nosso primeiro Ministro do STF negro foi nomeado há menos de 10 anos. Somos uma sociedade racista, hipócrita, conservadora e que não quer se enxergar. A ponto de não conseguir entender o básico. A constitucionalidade da cota é uma liberdade, não uma restrição. Aplica a cota a Universidade que quiser.

A cota racial não é uma “compensação histórica”. É uma forma de enxergar e consertar, ainda que de forma arbitrária, o que acontece na sociedade hoje, o que ocorre no dia a dia, o que nossos olhos se recusam a enxergar. A cota racial é uma rara autocrítica. E recusá-la é fazer o que a sociedade brasileira fez durante toda a sua história, ignorando o negro e jogando o problema do racismo para debaixo do tapete.

(*) Eu, Leonardo Rossatto Queiroz, sou branco, loiro, e tenho olhos claros. Se você achou que isso influenciaria minha opinião sobre cotas raciais, lamento te enganar.

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8 respostas para Cotas raciais, na visão de um branco (*)

  1. ONNQ disse:

    A meGaLOBO RACISMO? A violência do preconceito racial no Brasil personagem (Uma negra degradada pedinte com imagem horrenda destorcida e bosalizada é a Adelaide do Programa Zorra Total, Rede Globo do ator Rodrigo Sant’Anna? Ele para a Globo e aos judeus é engraçado, mas é desgraça para nós negros afros indígenas descendentes, se nossas crianças não tivessem sendo chamadas de Adelaidinha ou filha, neta e sobrinha da ADELAIDE no pior dos sentidos, é BULLIYING infeliz e cruel criado nos laboratórios racistas do PROJAC (abrev. de Projeto Jacarepaguá, como é conhecida a Central Globo de Produção) é o centro de produção da Rede Globo que é dominado pelos judeus Arnaldo Jabor, Luciano Huck,Tiago Leifert, Pedro Bial, William Waack, William Bonner, Mônica Waldvogel, Sandra Annenberg Wolf Maya, Daniel Filho e o poderoso Ali Kamel diretor chefe responsável e autor do livro Best seller o manual segregador (A Bíblia do racismo,que ironicamente tem por titulo NÃO SOMOS RACISTA baseado e num monte de inverdades e teses racistas contra os negros afro-decendentes brasileiros) E por Maurício Sherman Nisenbaum(que Grande Otelo, Jamelão e Luis Carlos da Vila chamavam o de racista porque este e o Judeu racista Adolfo Block dono Manchete discriminavam os negros)responsável dirige o humorístico Zorra Total Foi o responsável pela criação do programa e dos programas infantis apresentados por Xuxa e Angélica, apresentadoras descobertas e lançadas por ele no seu pré-conceitos de padrão de beleza e qualidade da Manchete TV dominada por judeus,este BULLIYING NEGLIGENTE PERVERSO que nem ADOLF HITLER fez aos judeus mas os judeusionistas da TV GLOBO faz para a população negra afro-descendente brasileira isto ocorre em todo lugar do Brasil para nós não tem graça, esta desgraça de Humor,que humilha crianças é desumano para qualquer sexo, cor, raça, religião, nacionalidade etc.o pior de tudo esta degradação racista constrangedora cruel é patrocinada e apoiada por o Sr Ali KAMEL (marido da judia Patrícia Kogut jornalista do GLOBO que liderou dezenas de judeus artistas intelectuais e empresários dos 113 nomes(Contra as contra raciais) com o Senador DemóstenesTorres que foi cassado por corrupção) TV Globo esta mesma que fez anuncio constante do programa (27ª C.E. arrecada mais de R$ 10,milhões reais de CENTARROS para esmola da farsa e iludir enganando escondendo a divida ao BNDES de mais de 3 bilhões dollares dinheiro publico do Brasil ) que tem com o título ‘A Esperança é o que nos Move’, o show do “Criança Esperança” de 2012 celebrará a formação da identidade brasileira a partir da mistura de diferentes etnias) e comete o Genocídio racista imoral contra a maior parte do povo brasileiro é lamentável que os judeus se divirtam com humor e debochem do verdadeiro holocausto afro-indigena brasileiro é lamentavel que o Judeu Sergio Groisman em seu Programa Altas Horas e assim no Programa Encontro com a judia Fátima Bernardes riem e se divertem. (A atriz judia Samantha Schmütz em papel de criança no apoteótico deste estereótipo desleal e cruel se amedronta diante aquela mulher extremem ente feia) para nós negros afros brasileiros a Rede GLOBO promove incentivo preconceito raciais que humilha e choca o povo brasileiro.Taryk Al Jamahiriya. Afro-indigena brasileira da Organização Negra Nacional Quilombo – ONNQ 20/11/1970 – REQBRA Revolução Quilombolivariana do Brasil quilombonnq@bol.com.br

  2. antonio sergio ferreira baptista disse:

    Prezado Sr. Rossatto
    Primeiramente parabéns pelo seu blog. Ilha de inteligência na internet brasileira (se é que podemos assim falar), mas discordo veementemente de sua posição em relação às cotas raciais. O sistema é absolutamente dispensável pois, além de reforçar a conceituação de raça (abandonada no meio científico), gera verdadeiros párias que , aí sim, passam a ser deiscriminados por terem se graduado nas Universidades pelo sistema de cotas. A tendência nos EUA é acabar com este odioso sistema e nós queremos copiá-lo, quando até a Africa do Sul também se mobiliza para acabar dcom ele. Além de sua ineficiência (há vários artigos mostrando a dificuldade dos alunos cotistas serem aprovados no Bar Examination etc), como determinar no Brasil quem é negro e quem não é? Vamos inventar um “melanometro” para medir a qantidade de melanina cutânea? Ou aceitar os verdadeiros tribunais (semelhantes aos do III Reich) da Universidade de Brasilia, que vão olhar para você e dizer: “Sim você é judeu (ops! desculpe) você é negro , você não é… (lembre-se dos irmâos gêmeos que um foi considerado negro pela comissão da universidade e o outro foi considerado branco). Quem merece entrar na universidade pelo sistema de cotas ? O menino negro filho de um neurocirurgião (conheço um, excelente profissional por sinal) bem sucedido profissional e financeiramente ou o filho da minha empregada (branca) que trabalha como um legionário romano para pagar o cursinho pré-vestibular de seu menino? Caro articulista, os negros foram muito discrminados, não há quem discorde, mas não são pessoas portadoras de necessidades especiais. Quer ajudá-los ? Sistema de cotas sociais nas escolas do ensino fundamental, depois que vençam os que tem mérito. Receba meus cumprimentos e meu profundo respeito por seu trabalho neste blog.
    Antonio Sergio Ferreira Baptista

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  5. Fabiano Dias disse:

    Tivemos uma guerra fria entre EUA e URSS, e hoje vivemos num racismo frio, onde quase ninguém percebe, mas existe e está do nosso lado. E infelizmente por causa desse racismo temos as cotas raciais. Mas ainda assim ficam algumas questões polêmicas. Vou dar um exemplo prático de um conhecido: o mesmo fez vestibular para o curso de TI de uma federal e praticamente não estudou nada, isso mesmo, não pegou no livro, nem fez pesquisa, fez uma redação meia-boca como ele próprio disse, só não zerou a prova literalmente, mas mesmo assim passou. Então, surpreso, eu fiz a pergunta pra ele, como assim passou? Sim, claro, cotas raciais, foi a resposta. De repente ele tinha a informação de quantas pessoas estavam prestando vestibular via cota racial, mas isso não sei precisar se ocorreu. Mas mesmo assim pode até soar meio injusto esse processo: e a pessoa que estudou e se preparou, e por ter essa cota, ela ficou de fora, mesmo tendo um desempenho melhor?

    • Léo Rossatto disse:

      São questões não respondidas (e complicadas). O fato é que a cota, apesar de transitória, hoje é necessária, infelizmente. Gera outros problemas menores, mas, no geral, tende a diminuir a tensão em relação a um problema maior, que é o preconceito racial.

      E pense comigo: o preconceito racial explícito, que muitas vezes é uma reação natural às cotas raciais, é algo MELHOR que o preconceito racial escondido, por incrível que pareça. As pessoas já eram racistas, mas a cota incomoda a ponto do preconceito ser explicitado, “sair da casinha”. E tudo que é explicitado pode ser combatido. É um preço que vale a pena ser pago.

  6. Muito bom o seu texto, Leonardo. Indico a você o documentário “Blue Eyed” sobre violência estrutural, onde uma professora tenta fazer com que crianças brancas sintam o que crianças negras sentem com relação a discriminação e segregação racial. =)

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