Maquiagem


A maquiagem, em definição livre, é um incremento estético dado para uma pessoa parecer algo melhor, em tese, do que ela realmente é.

Não gosto de maquiagens pesadas. Mulheres muito maquiadas acabam sofrendo o mesmo problema  de Panicats, por exemplo: tornam-se muito artificiais. Com a diferença óbvia de que a maquiagem sai depois de um banho. O crescimento de músculos e de formas moldadas por esteróides e silicone não.

Obviamente, isso é uma preferência minha, cada mulher se maquia da forma que quiser (desde que mantenha a higiene – e isso também vale para homens). Mas prefiro maquiagens mais suaves, que não mudem as formas do rosto ou não façam você ver algo que, no fim, não é real.

Porque o objetivo da maquiagem, no fim das contas, é esse. Mostrar as coisas de uma maneira diferente da que ela realmente é. E, para todos os efeitos, isso é péssimo.

Só que o tema do texto não é exatamente esse tipo de maquiagem. É a maquiagem feita por políticos de diversas esferas e partidos para mostrar para os outros algo que eles não são ou não fazem.

Poderia citar diversos exemplos aqui, de praticamente todos os partidos. Não apenas os que estão no poder, mas todos eles. É prática banal entre os grupos políticos a distorção da realidade para benefício próprio. E não quero fulanizar a questão aqui, falando que “partido tal fez assim”. É prática generalizada.

A comunicação para os governos, seja por meio das assessorias de imprensa ou por meio meio das peças de marketing, deve ter um único foco: a comunicação acerca das políticas públicas daquele governo. Mostrar para a população quais são os novos equipamentos públicos, onde ela pode encontrar serviços públicos, evitando a tradicional (e lamentável) peregrinação do cidadão atrás de um serviço público.

No entanto, a imprensa e as peças de marketing sofrem um importante desvio de função: elas são usadas para promover uma realidade que não existe. É aí que entra a maquiagem. Diversos governos tentam vender, através de suas assessorias de imprensa, a imagem de uma cidade, um estado ou um país que não existem. Tentam vender serviços ruins como sendo “de excelência”. O objetivo não é apenas construir uma boa imagem do governo. É a próxima eleição.

E essa maquiagem dura eternos ciclos de 4 anos. Porque os governos não conseguem pensar além disso. O ciclo, no máximo, é de oito anos (eleição + reeleição). E é esse o motivo pelo qual a maquiagem funciona. Maquiando serviços ruins você consegue esconder o problema por algum período. Depois disso, dá pra ir retocando a maquiagem. Só que, com o tempo, a maquiagem se desgasta, e fica cada vez mais difícil esconder o cenário desfavorável por trás dela. Daí o governo, ao invés de revelar a verdade, fazumanova maquiagem, mais pesada do que a anterior. E os governos tornam-se cada vez mais artificiais, com uma grossa camada de pó e tinta por cima.

E existe um outro aspecto importante de se frisar. Mulheres bonitas, em geral, não precisam de maquiagem. Apenas de um ou outro retoque, coisa mínima. Com governos, também é assim. Bons governos não precisam de maquiagem. Não precisam de assessorias de imprensa falseando e manipulando informações, e nem de investimentos pesados em marketing. São como mulheres bonitas, dignos de admiração mesmo quando se mostram por inteiro.

Essa é uma boa forma de avaliar um governo. Antes de votar, em outubro, verifique se o governo em questão, que quer se reeleger ou eleger um aliado, gasta muito em publicidade para ter uma avaliação positiva da população. Verifique se aquilo que os governos falam condizem com suas impressões cotidianas. E não deixe maquiagens te enganarem na hora do voto. Porque um dia elas não conseguem mais esconder as imperfeições do governo. E nesse dia já pode ser tarde demais para você fazer algo.

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