A importância estratégica de ilhotas desabitadas no Atlântico Sul


Você já se perguntou por que países fazem questão de manter a posse de ilhotas desabitadas no meio do Oceano? A nova crise entre Argentina e Inglaterra envolvendo as Ilhas Falklands (ou Malvinas, para os argentinos) colocou a questão em voga novamente: afinal, por que países fazem questão de manter sob domínio ilhotas no meio do oceano, ainda que as mesmas estejam desabitadas?

A resposta está nas Zonas Econômicas Exclusivas. Zonas Econômicas Exclusivas são áreas costeiras delimitadas por tratados internacionais para exploração comercial. Essa área normalmente é de 200 milhas náuticas, e as riquezas minerais encontradas nessas áreas são exploradas exclusivamente pelos países colonizadores. França e Inglaterra são os países que detém mais zonas econômicas exclusivas em territórios ultramarinos no mundo:

Zona Econômica Exclusiva do Reino Unido

Percebam que a Inglaterra, por exemplo, tem nas Ilhas Falklands uma de suas Zonas Econômicas Exclusivas. Essa zona específica, no sul da Argentina, mostrou recentemente ser muito rica em riquezas naturais, como Petróleo. Além disso, permanecer comandando a área confere importância estratégica à marinha inglesa, que recentemente fez manobras militares para aumentar a  presença na região.

Outros países também tem presença na região. Os casos mais óbvios são os do Brasil (que pediu extensão de sua ZEE em 2004), da Argentina e da África do Sul:

Zona Econômica Exclusiva Brasileira

Zona Econômica Exclusiva da Argentina

Zona Econômica Exclusiva da África do Sul

Existem outros casos menos óbvios também. Como o da Noruega, que mantém a hegemonia sobre a desabitada Ilha Bouvet (que é uma montanha de gelo no meio do oceano) para permanecer com influência na região:

Zona Econômica Exclusiva da Noruega

É bom ressaltar que as Zonas Econômicas Exclusivas não incluem o continente antártico. Em 1959, um tratado suspendeu todas as reivindicações de posse na região, tornando o território um continente destinado exclusivamente à exploração científica.

Argentina e Inglaterra brigam pelas Falklands (ou Malvinas). Outros países, como o Brasil, brigam para aumentar suas Zonas Econômicas Exclusivas. O principal objetivo, no final, é explorar economicamente, de maneira exclusiva, cada vez mais partes do mar, nessa era em que as tecnologias finalmente estão tornando lucrativas a exploração do leito marítimo a 2 ou 3 Km de profundidade, assim como eventuais reservas naturais.

O problema é que essa ânsia pela exploração econômica só destrói progressivamente as reservas naturais. Algumas espécies importantes de peixes já perderam mais de 90% de suas populações nativas, em alto-mar. Estima-se que, para o nível de peixes no mar se recuperar a um nível aceitável (aceitável, mas muito abaixo da média histórica), é necessária uma moratória total da pesca industrial por pelo menos 10 anos. E a proibição definitiva da pesca de fundo realizada com redes de arrasto, que está deixando muitas espécies de peixes e crustáceos em níveis próximos à extinção.

As ilhas, obviamente, tem muita importância. O grande problema, no caso, é saber lidar com tais questões, administrando-as de forma a realizar toda e qualquer atividade econômica com vistas à sustentabilidade e à manutenção dos habitats naturais das diversas espécies.

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