A ajuda aos bancos


Fonte: telegraph.co.uk

Hoje o FMI se disse que se dispõe a pagar até 100 bilhões de euros no resgate aos bancos espanhóis.

É desnecessário explicar que, na esteira da crise européia, desencadeada pela crise norte americana, o crédito na Espanha vive dias difíceis. O excesso de inadimplência, especialmente no setor imobiliário, é a principal causa da crise nos bancos espanhóis. O Bankia já anunciou que precisará de 19 bilhões de euros para se livrar dos “ativos tóxicos”.

O cerne dessa questão, que é o setor imobiliário, está em situação semelhante no Brasil. Eu já comentei sobre o assunto aqui e aqui. Portanto, é bom estarmos atentos aos próximos passos do que ocorre lá fora.

Cada vez que um banco é ajudado por um governo, ou por um pool de governos (se você não sabe, o dinheiro do FMI é consignado através de ajudas governamentais internacionais, por parte de diversos governos – até o Brasil colabora), ocorre um fenônemo perverso: a socialização das perdas para benefício de um grupo específico, vítima dos próprios abusos. O dinheiro que as nações emprestam ao FMI são fruto das arrecadações governamentais com impostos. Essas arrecadações, que muitas vezes ocorrem em regimes regressivos e cruéis com os mais pobres, beneficiam, na maioria dos casos, alguns poucos magnatas do setor financeiro, em larga escala. É dinheiro que deveria ser investido na melhoria das condições de vida e é desviado para a manutenção das condições desiguais atuais.

Muitos se questionam se “deixar os bancos quebrarem” não seria pior. O exemplo islandês, nesse caso, nos diz que não. Ao menos no médio prazo, é melhor deixar quem foi ganancioso demais pagar por seus erros, remontando a economia em outras bases.

Pra não falarem que o discurso é inocente e de esquerda, coloco aqui o resumo da direitista Veja sobre o resgate aos bancos: foram mais de 2,5 trilhões de dólares disponibilizados para ajuda aos bancos durante a crise de 2008, incluindo EUA, União Européia, o G-20 e as ajudas feitas via FMI.

Agora, vamos refletir: é justo dar 3 trilhões de dólares, quantidade pouco maior que o PIB brasileiro em 2011, para ajudar bancos? Quando sabemos que o 1% mais rico da população mundial (onde certamente estão os acionistas desses bancos) já detém 40% da riqueza do planeta? Quando sabemos que a metade mais pobre do planeta detém apenas 1% da riqueza do planeta? Com um PIB mundial de quase 70 trilhões de dólares, isso dá 700 bilhões de dólares para 3,5 bilhões de pessoas. Metade da população mundial convive, em média, cm 200 dólares por ano.

Agora imagine se, ao invés de ajudarmos as instituições financeiras, os governos fizessem um fundo monetário internacional para ajudar essa metade da população que vive com 200 dólares por ano? Esses US$ 2,5 trilhões, nesses últimos 4 anos, poderiam dobrar a renda dessas pessoas, tornando a vida das mesmas mais dignas. Infelizmente, os governos não enxergam isso e não trabalham na perspectiva de tornar a vida melhor para todos, mas apenas em manter o status quo atual.

Nesse contexto, a Rio+20, que será realizada nessa próxima semana, no Rio de Janeiro, pode ser uma chance de pensar em um mundo melhor, mais sustentável, em que as pessoas mais pobres tenham a devida atenção e os recursos do planeta não sejam explorados de maneira predatória, do jeito que são hoje.

No entanto, as esperanças se reduzem cada vez que percebemos que os governos se reúnem apenas para salvar empresas do setor financeiro, que ganham bilhões explorando a boa fé das pessoas com juros exorbitantes. Quando poderiam ter essa mesma mobilização para ajudar de fato aqueles que mais precisam, ao invés de negligenciar essa ajuda através do apoio aos que promovem a desigualdade social.

E o grande problema do mundo não é a pobreza e a simplicidade. É a desigualdade social, promovida por uma sociedade cujos comandantes preferem ajudar bancos do que ajudar pobres.

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