A sutileza de um craque


O futebol em geral rende bons momentos, em que você pode aprender. Às vezes é justo, às vezes nem tanto.

A Inglaterra passou para as quartas de final da Eurocopa com uma vitória questionável sobre a Ucrânia na terça-feira. Menos pelo gol não validado, mais pelo futebol apresentado. Quem assistiu o jogo viu a Inglaterra sendo envolvida pela seleção ucraniana, que, convenhamos, não está entre as melhores do mundo (e jogou sem Shevchenko a maior parte do tempo). O que é preocupante, se considerarmos que a Ucrânia está no grupo da Inglaterra nas eliminatórias para a Copa de 2014, no Brasil.

Neste domingo, a Inglaterra encarou a Itália. A coincidência entre as duas seleções está no descrédito de ambas ao início do torneio. Enquanto os ingleses perderam jogadores importantes por contusão, os italianos se viram envolvidos em mais um escândalo de apostas, que culminou na saída de Criscito da seleção e levantou suspeitas até sobre o goleiro Gianluigi Buffon.

Nesse cenário, a seleção italiana foi capitaneada por um jogador. Andrea Pirlo, provavelmente o último representante de uma geração de jogadores italianos caracterizados pela elegância e pela classe, em todas as posições. Nesta, Cannavaro, Maldini, Pirlo, Del Piero, Totti, entre outros. Todos jogadores clássicos, que jogam de cabeça erguida e enxergam o jogo como poucos.

Nesse time da Itália, Pirlo destoou. A Inglaterra também tinha alguém que podia reivindicar a alcunha de maestro. Em um time sem Lampard, Gerrard teria que fazer esse papel.

No entanto, em campo, Gerrard foi engolido por Pirlo. A Itália jogou muito melhor que a Inglaterra, covarde durante toda a Eurocopa sob o comando de Roy Hodgson. A análise da participação no jogo de Gerrard e Pirlo feita pela Four Four Two mostra bem isso:

Só que a Itália também tem sérias limitações. Uma delas é no ataque: Balotelli não faz uma boa Eurocopa e Cassano só está na seleção por falta de opção (deviam convocar Pippo Inzaghi). Graças a ineficiência ofensiva e ao esquema defensivo inglês, a disputa foi pros pênaltis após 120 minutos.

Pênalti é loteria? Não, não é. É vantagem psicológica. E a vantagem psicológica estava com a Inglaterra, depois que Montolivo, o Steve Buscemi italiano, desperdiçou sua cobrança.

Só que havia Pirlo. E nessas horas os gênios se distinguem dos jogadores comuns. Com Hart caindo antes em todas as cobranças, Pirlo arriscou-se executando um lindo Panenka (cavadinha, para quem não curte Antonin Panenka, o pioneiro nesse estilo de cobrança).

Fonte: abola.pt

Se existia alguma vantagem psicológica inglesa, ela desapareceu. Ashley Young cobrou seu pênalti desesperado, no clássico estilo “bicuda no meio do gol”. E mesmo assim acertou o travessão, com Buffon já tendo pulado. Ashley Cole fez uma cobrança ridícula, nas mãos de Buffon. Nocerino e Diamanti marcaram para a Itália, classificando o time para enfrentar a Alemanha na semifinal da Eurocopa.

O próprio técnico Roy Hodgson admite que o panenka de Pirlo desestabilizou o time. Pirlo, ontem, deu um tapa na cara de quem considera disputas de pênaltis uma loteria. Mostrou de forma sutil como se reverte uma desvantagem. Assumiu a responsabilidade de mudar uma história desfavorável em uma única atitude. E também, até agora, o posto de craque da Eurocopa.

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Uma resposta para A sutileza de um craque

  1. Ernesto disse:

    O Pirlo foi genial mesmo, meu primeiro gol na escola bati assim meio parecido, querendo imitar o djalminha e me dei muito bem. Isso em 1996.

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