Modalidades que precisam estar na Olimpíada


Os Jogos Olímpicos são o principal evento esportivo do mundo, em abrangência. Enquanto o futebol tem na Copa do Mundo o seu ápice, a Olimpíada representa esse momento para a maioria dos esportes. Enquanto a Copa do Mundo tem apenas um vencedor, os Jogos Olímpicos tem centenas de vencedores, de dezenas de países.

Pensando justamente nessa questão importante de abrangência, esse texto sugere modalidades novas, que podem conferir brilho aos jogos. Modalidades que vão além das sugestões óbvias que aparecem toda vez, como o Rugby e o Golfe (que serão incluídos nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro), o Cricket – que pode ser incluído na disputa em 2020, junto com a escalada esportiva e a corrida de lancha (!!!) – o beisebol/softbol, que foram esporte olímpico entre 1992 e 2008, o futsal e o Sepaktakraw.

No entanto, constam nos Jogos Olímpicos esportes muito peculiares, como adestramento de cavalo, peteca (Badminton) e saltos ornamentais sincronizados. Isso abre espaço para a inclusão (ou reinclusão) de alguns esportes que certamente trariam muito mais atratividade para os jogos.

1) Cabo de Guerra

A maioria das pessoas não sabe, mas Cabo de Guerra já foi esporte olímpico, entre 1900 e 1920. As disputas eram sempre em melhor de três “puxadas”, e a equipe que ganhasse duas delas passava para a próxima fase.

Em 1900, em Paris, as equipes eram de seis pessoas. Em 1904, em Saint Louis, de cinco. Em 1908, em Londres, as equipes tinham nove pessoas. Entre 1912 e 1920, as equipes foram padronizadas em oito pessoas. A Grã-Bretanha tem duas medalhas de ouro, os EUA tem uma e a Suécia uma. A medalha de 1900 foi conquistada por uma equipe mista.

Imagina o quão sensacional seria o retorno do esporte ao programa olímpico. Equipes se preparando durante quatro anos, treinando, se especializando. Histórias olímpicas comoventes, como a do cara que perde a final da luta olímpica nos jogos anteriores, entra pra equipe de cabo de guerra e ganha o ouro na disputa seguinte. A estratégia de deixar os mais pesados atrás, fazendo o apoio. Os perdedores chorando e se lamentando com a cara na lama.

A separação, obviamente, seria por peso. Sendo assim, o programa olímpico da categoria ficaria assim:

2) Queimada

A queimada não é esporte olímpico, mas é um dos grandes passatempos infantis nas escolas brasileiras. E não só nas escolas brasileiras. Nos Estados Unidos o esporte também é largamente praticado nas escolas, e existem até ligas organizadas. É o Dodgeball.

Só que lá, como cá, o esporte é praticado quase que exclusivamente em escolas. O grande motivo é aquele que todo mundo já sabe: a queimada é o sonho de todo professor de Educação Física. Como não há limitação de jogadores em cada lado, basta dividir metade da sala em cada lado da quadra e partir para o jogo, sem aquela horda de alunos revoltados do lado de fora porque vão esperar três jogos para chegar a vez do seu time. Meninos e meninas jogam juntos. Se o aluno sai, continua torcendo para a “sua” equipe até o final do jogo. Nada melhor para passar o tempo sem stress do que isso.

Vamos chamar essa modalidade de queimada de modalidade clássica. Para fins olímpicos, é necessário fixar um número de atletas por equipe para a disputa não se tornar algo completamente anárquico. Vamos fixar em 15 pessoas. E vamos fixar o jogo em melhor de 3 sets, com cada set terminando com a eliminação do último remanescente de uma das equipes.

Para enriquecer o torneio, é importante criar uma nova variante do jogo, disputada em duplas ou em quartetos. A modalidade de pontuação consiste numa variante em que a “queima” não elimina, mas dá um ponto ao adversário. Jogada em melhor de três sets, indo até 15 pontos, o modo de pontuação ampliaria o horizonte do esporte em escala mundial, incentivando a prática em lugares em que não existem quinze pessoas de cada lado.

Imaginem os grandes momentos que isso ia proporcionar. A história comovente do jogador que estava lutando pelo ouro no set decisivo contra quatro adversários e conseguiu a vitória. A história do sujeito que se tornou o grande herói olímpico do seu país ao conquistar cinco ouros na queimada em uma mesma Olimpíada, na modalidade clássica, nas duplas masculinas, nas duplas mistas, no quarteto masculino e no quarteto misto.

Apenas alguns esclarecimentos. Queimada olímpica é profissional, então esqueçam frescuras do tipo “pé é neutro”. Se a bola bate em alguém depois que pingar no chão não vale ponto ou eliminação. E se alguém agarrar a bola arremessada pelo outro lado antes dela pingar no chão, sem soltar, o jogador adversário que arremessou é eliminado (na modalidade clássica) ou a sua equipe ganha ponto (na modalidade de pontuação).

Abaixo, o programa olímpico:

3) Bilhar

A Olimpíada tem um grande pecado. O salão de jogos da Olimpíada abriga um único esporte: o ping-pong (eles chamam de tênis de mesa). Outros espaços clássicos do salão de jogos são negligenciados pelo movimento olímpico, e o principal deles é a mesa de bilhar.

Bem, o bilhar clássico é um esporte muito organizado, inclusive em federações. Conhecido no Brasil por causa de craques como Rui Chapéu, o esporte chegou a ser transmitido por algum tempo na TV Bandeirantes. E parou de ser transmitido por um único motivo: a modalidade clássica é, de muito longe, a mais chata de todas. Cada bola tem uma pontuação específica, e ninguém no público tem saco de ficar contando. Daí ninguém assiste. Só que, como é a modalidade mais praticada por profissionais, tem que constar no programa. Em melhor de três jogos.

Então, além do bilhar clássico, devem ser incluídas mais duas modalidades no programa: a par vs. ímpar, em que você coloca a bola 1 (ou 15) na mesa só ao final do jogo, um jogador mata as bolas pares, outro mata as ímpares (sempre com a bola branca) e a disputa também é em melhor de três jogos.

A terceira modalidade é a modalidade de cores, tradicional nos bares do Brasil. A bola branca é excluída, colocam-se cinco bolas vermelhas de um lado e cinco bolas amarelas do outro (ou azuis, toda disputa com duas cores na Olimpíada, em qualquer luta, é entre vermelhos e azuis – exceto no judô, onde é entre brancos em azuis). No melhor esquema mata-mata, a missão é acabar com as bolas adversárias. O mais legal é que você faz isso com as próprias bolas. Ou seja, não existe “ajeitada”, é um tipo de jogo mais bruto e sincero.

A vibração de uma dupla virando uma disputa em qualquer uma das modalidades deve ser algo marcante. O bilhar pode proporcionar momentos inesquecíveis (exceto a modalidade clássica, que só vai entrar na Olimpíada porque é mais praticada por profissionais – vai ser praticamente o adestramento de cavalos da sinuca).

Sinuca é um esporte que é mais de habilidade do que de força. Portanto, não é legal separar homens e mulheres. Abaixo, o programa olímpico:

4) Totó (ou Pebolim)

Outro esporte negligenciado pelo Salão de Jogos da Olimpíada é o Totó, também conhecido como Pebolim em muitas partes do Brasil. Tá lá, um simulador de campinho de futebol repleto de ripas de metal, uns bonequinhos, dois buracos retangulares que chamam de gol. Poucas coisas tem uma engenharia tão simples. E poucas coisas envolvem mais. Geralmente são cinco ou sete bolas por “ficha”, dependendo o lugar. Por conveniência olímpica, faremos a disputa em melhor de 3 jogos, cada um deles terminados em dez.

Como existem diferenças relevantes quanto ao estilo de jogo entre homens e mulheres, consideramos separar as disputas. E, além disso, incluímos um modo mais heroico: o pebolim individual, em que o cara tem que se virar pra controlar o goleiro, o zagueiro e o atacante ao mesmo tempo, exigindo muito mais perícia.

Imagine a vibração de uma dupla ao fazer um ponto, ao ganhar uma parcial, ao vencer um chinês num esporte que está do lado da mesa de ping-pong. Nada pode ser melhor.

Abaixo, o programa:

Outros Esportes

Existem outros esportes que podem ser incluídos no programa olímpico por exigirem habilidade e precisão. A Ginástica Olímpica podia incluir em seu programa a disputa de pula a mula, em que um jogador pula o outro tentando cair o mais longe possível. Disputas de cabra cega e pique esconde poderiam ser incluídas também, como provas de perícia e acuidade.

Considerando que o programa olímpico está cogitando incluir corrida de lancha, como já foi dito acima, incluir o turfe não seria nenhum absurdo também. Talvez até a corrida com sacos tenha seu espaço no programa olímpico.

Os esportes precisam dar a Olimpíada uma face mais humana. Precisam estar inseridos nos hábitos cotidianos das pessoas. Se o adestramento de cavalos foi incluído no programa olímpico há 100 anos, é porque fazia parte dos hábitos das pessoas. E hoje, cabo de guerra, queimada, bilhar e pebolim fazem bem mais parte desses hábitos cotidianos que muitos esportes olímpicos. E merecem seu espaço dentro dos jogos.

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6 respostas para Modalidades que precisam estar na Olimpíada

  1. Levi disse:

    VAMOS PESSOAL PRECISAMOS FAZER ESSES ESPORTES ENTRAREM NAS PROXIMAS OLIMPIEDAS, SÃO ESPORTES BEM LEGAIS SERIA MUITO BOM TER ESSES ESPORTES NAS OLIMPIEDAS

  2. Lucas Menezes disse:

    F1: Treinos livres durante a última semana olímpica, sábado o treino que defini a pole e domingo a corrida. Seria divertido. E outra: Os mesmo pilotos da F1, só que representando os países e não as escuderias.

  3. Gustavo disse:

    campeonato de xadrez, damas, truco, poker, buraco e video game (futebo corrida, luta e guerra) também seriam uma boa

  4. Rafael Leite disse:

    Na moral, totó (sou do RJ) e queimada caiam bem mesmo, eu assistiria fácil, fácil. Sinuca e Cabo de Guerra podem ser interessantes também.

    P.S.: lembrei de um jogo de SNES, Super Dodgeball, as regras dele podiam ser usadas como referência.

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