E se Enéas não tivesse morrido?


O ano de 2007 marcou o início do segundo mandato do ex-presidente Lula à frente do Brasil. Marcou também a morte de um dos políticos mais folclóricos que o país já teve: Enéas Ferreira Carneiro, que sucumbiu a uma leucemia em maio de 2007, no início do seu segundo mandato como deputado federal.

Enéas surgiu com sua barba e seu tradicional bordão “Meu nome é Enéas” na histórica eleição presidencial de 1989, a primeira após o fim da ditadura. Seu partido, o Prona (Partido da Reedificação da Ordem Nacional), era praticamente uma propriedade de Enéas,   que mostrou, mais tarde, ter um viés nacionalista. Apesar da fama repentina com o bordão, Enéas terminou aquela eleição em 12º lugar, em pouco mais de 350 mil votos.

Poucos dos candidatos que concorreram em 1989 voltaram à eleição presidencial em 1994. Collor, eleito presidente, havia sofrido impeachment. O grande favorito era Fernando Henrique Cardoso, ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco, tido como o grande responsável pelo Plano Real, que solucionou o problema da hiperinflação no Brasil.

Como todos sabem, FHC venceu e permaneceu na presidência do Brasil até 2002. Mas a grande estrela daquela eleição foi Enéas. Com apenas um minuto de propaganda política, ficou em 3º lugar na eleição, atrás apenas de FHC e Lula, com mais de 4,5 milhões de votos.  Ficou à frente de nomes com vasta história política, como Orestes Quércia e Leonel Brizola. Seu viés nacionalista ficou mais claro:

Em 1998, Enéas concorreu novamente à Presidência da República. Boa parte de seu eleitorado acabou se afastando, depois que ele anunciou, no primeiro dia de horário eleitoral, o plano de construir a bomba atômica brasileira a fim de preservar a soberania nacional. Mesmo assim, Enéas terminou a eleição em 4º lugar, com quase um milhão e meio de votos.

Em 2002, Enéas decidiu mudar o seu modo de agir. Cansado de perder eleições presidenciais e permanecer sem representatividade, teve uma ideia genial: a de se lançar a deputado federal, e não a presidente. Sim, ele sabia das distorções do sistema proporcional, e também sabia do seu poder de agregar votos. Também por isso, autorizou a candidatura de apenas cinco candidatos a deputado federal no PRONA além dele, todos de sua confiança. O resultado foi avassalador: com mais de um milhão e meio de votos (apenas no Estado de São Paulo, é bom lembrar), Enéas é até hoje o deputado mais votado da história no Brasil. Os seis candidatos do PRONA assumiram cadeiras na Câmara dos Deputados. Se o partido tivesse mais dois candidatos, eles teriam assumido também.

Depois de assumir na Câmara dos Deputados, sempre com uma posição de “oposição independente”, que atacava Lula mas recusava qualquer relação com PSDB e PFL, Enéas disse que iria concorrer à presidência novamente em 2006. No entanto, Enéas foi diagnosticado, no início de 2006, com uma leucemia mielóide aguda. Com isso, raspou sua tradicional barba, antecipando-se aos efeitos da quimioterapia, e tentou a reeleição como deputado federal. Ainda no processo eleitoral, fundiu seu partido ao PL, formando o atual Partido da República (PR). Ainda assim, teve quase 400 mil votos. Abaixo, um vídeo de Enéas já sem a barba:

Enéas, como médico, já sabia que não teria muito tempo de vida. E, de fato, foi o que ocorreu. Em maio de 2007, morreu, após abandonar o tratamento, ao constatar que a quimioterapia já não fazia efeito. Acabava a história de um dos políticos mais autênticos que o país já viu, concorde você com as ideias dele ou não.

E se Enéas não tivesse morrido?

Muita coisa aconteceu na política nacional de 2007 pra cá. Mas, pra tentar fazer esse exercício, é necessário voltar um pouco além de 2007. A pergunta certa, nesse questionamento, teria que ser: “E se Enéas não tivesse sido diagnosticado com leucemia no início de 2006”?

Em 2006, Lula enfrentava uma crise de governabilidade, provocada pelo escândalo do Mensalão no ano anterior. Além da mácula política, sofria sem vários dos principais nomes de seu governo. Enquanto isso, Geraldo Alckmin, seu principal oponente, não conseguia grande desempenho, pelo fato de que o governo Lula, apesar de arranhado pelo Mensalão, tinha conseguido reverter, ainda que de maneira tímida, o cenário de crise econômica quase permanente que foi a tônica dos dois governos de FHC.

Se Enéas não tivesse sido diagnosticado com leucemia, seria a terceira força da eleição. Em 2006, a candidata “alternativa”, que conseguiu quase 7 milhões de votos, foi Heloísa Helena, pelo PSOL. É bom lembrar que os candidatos a presidente tinham mais de um minuto de propaganda política cada, e Enéas estava fortalecido por conta de seu desempenho na eleição de 2002 e da bancada do PRONA na Câmara dos Deputados. Provavelmente teria um minuto e meio para falar.

Nesse cenário, poderia se apresentar como uma opção de “moralidade” e “transparência”, se contrapondo aos governos do PSDB e do PT, que ele obviamente colocaria em um balaio antinacionalista só. É impossível fazer uma projeção, mas já em 2006, com tempo pra bater nos demais candidatos, Enéas tomaria tranquilamente o posto de “terceira via” de Heloísa Helena (sim, a maioria dos eleitores brasileiros trocam facilmente um candidato de esquerda por um de direita sem nenhum remorso).

Nesse contexto, podemos arriscar que ele terminaria a eleição com algo em torno de dez milhões de votos, praticamente 10% dos votos válidos. E ainda elegeria alguns deputados. Que seriam importantíssimos para o passo eleitoral seguinte de Enéas: a eleição de 2010.

Entre 2007 e 2010, muita coisa ocorreu na política nacional. Lula viabilizou a candidatura de Dilma Rousseff, enquanto José Serra tentava passar por cima de tudo e de todos para conseguir realizar seu sonho de ser presidente. O resultado foi o processo eleitoral mais baixo, rasteiro e cheio de golpes sujos da história eleitoral brasileira. Um processo eleitoral traumático, marcado por um neoconservadorismo rancoroso.

Agora imaginem Enéas inserido nesse processo, com dois ou três minutos de propaganda. Se Marina Silva, que não teve grande destaque pelas propostas, teve quase 20 milhões de votos, é nítido que Enéas teria ainda mais sucesso. E por que?

Simples. Só existiu segundo turno na eleição de 2010 porque a campanha de Serra começou a espalhar uma série de boatos perniciosos acerca de pessoa e da campanha de Dilma Rousseff. Foram necessários esclarecimentos, como em relação à questão do aborto. Milhões de votos foram transferidos para Marina Silva mais por falta de opção do que por mérito dela. As pessoas não queriam votar em Dilma, mas também não queriam votar em Serra. A eleição de 2010, no primeiro e no segundo turnos, foi uma eleição predominantemente negativa, para “evitar o mal maior”.

Nesse sentido, a proposta de Enéas, com tempo adequado para exposição, envolvendo nacionalismo, luta contra a corrupção e negação às forças políticas tradicionais teria muita força. Serra adotaria a mesma estratégia rasteira de qualquer jeito. É o hábito dele em eleições majoritárias. Foi assim com Ciro Gomes em 2002, por exemplo. Só que o poder de catalisação desses votos, para Enéas, seria muito maior do que o de Marina Silva, porque esse neoconservadorismo vai de encontro às propostas de Enéas. Além disso, o fato dele ser um político “limpo”, reconhecidamente inteligente e de opiniões fortes também jogaria a favor.

A estratégia de Serra poderia ser um enorme tiro no pé. Porque a possibilidade de Enéas ultrapassar Serra no primeiro turno de 2010 seria real. E Serra não teria nenhum arcabouço político para atacar Enéas, tendo em vista que seu discurso visava atrair o mesmo tipo de eleitor. A chance de Enéas ir para o segundo turno contra Dilma Rousseff seria real.

Com Enéas no segundo turno, tudo poderia acontecer. Existem dois cenários possíveis:

1) A reação similar à ocorrida quando Jean-Marie Le Pen, de extrema direita, passou ao segundo turno na eleição francesa. Direita e esquerda se uniram contra ele, para evitar o “mal maior”, que seria ver um nacionalista que flertava com a fascismo no poder. Como Enéas tinha algumas características semelhantes, um eventual segundo turno entre Dilma e Enéas poderia unir PT e PSDB de um lado só do espectro político, contra o Prona.

2) O PSDB, apoiado pela postura rancorosa de Serra, poderia apoiar Enéas no segundo turno (apesar dele provavelmente não aceitar o apoio). Nesse sentido, o partido continuaria dividido entre “petistas” e “antipetistas”.

Por incrível que pareça, a chance de Enéas vencer seria maior na primeira possibilidade (ao contrário do que ocorreu com Le Pen). Líderes como Enéas, de um nacionalismo quase integralista, costumam ascender ao poder em situações em que toda a política nacional está em descrédito. E é isso o que se percebe hoje no Brasil. Hitler assumiu a Alemanha com discurso similar, em 1933. Franco encontrou espaço para organizar seu levante, que culminou na Guerra Civil Espanhola, em situação similar. Nada sugere que isso não poderia acontecer no Brasil.

E se Enéas assumisse o poder? Obviamente, teria enormes dificuldades para exercê-lo de forma democrática, conseguindo o apoio do Congresso. Tentaria pleitear o apoio da população para conseguir mais autoridade. Provocaria sérias instabilidades regionais na América do Sul. Como ele morreu antes, não teríamos como saber a posição dele a respeito da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Mas provavelmente ele não as descartaria: as usaria como formas de promover o nacionalismo, como Hitler fez nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. Mais do que isso é impossível especular.

Conclusão

Por incrível que pareça, a leucemia acometeu Enéas logo antes do que seria o melhor período da vida política dele. Hoje o país estaria muito mais vulnerável ao Enéas do que esteve há 20 anos. Porque ele era um exemplo único de político que sobreviveu aos governos do PSDB e do PT sem máculas. Era um nome para o qual a população olharia com outros olhos, ainda mais com seu discurso nacionalista que atacava diretamente a descrença do povo brasileiro em relação à política.

Analisem o minuto de vídeo em que ele se destacou em 1994. Se ele usasse esse mesmo discurso na eleição de 2010, teria um sucesso retumbante. O discurso folclórico de Enéas, na década de 90, é muito similar ao discurso que as pessoas espalham em correntes do Facebook hoje em dia. E faria um sucesso tremendo.

Com seu discurso e a percepção atual da população em relação a política, é certo que hoje ele seria um dos maiores nomes da política nacional. Se é uma sorte ou um azar para o país Enéas não estar vivo para desfrutar de seu provável sucesso, nunca saberemos.

Em todo caso, só sobraram os discursos e a lembrança do famigerado slogan “meu nome é Enéas”. É o retrato de uma carreira política quase solitária, que alcançou um patamar inacreditável. E poderia ter ido ainda mais longe.

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24 respostas para E se Enéas não tivesse morrido?

  1. Pudim disse:

    Enéas foi um grande homem e com certeza teria sido o maior presidente do Brasil de todos os tempos. Contudo, há várias falácias nesse texto e citações doentias que só dão abertura para a extrema-esquerda atacar, tais como: neoconservadorismo (de certo o autor deve concordar com a pecha neoliberalismo), “extrema-direita” (seja lá o que isso significa para o autor), fascismo como sendo de direita (aposto que o autor deve pensar que nazismo também é de direita), e por aí vai.

  2. JÚLIO disse:

    Cada povo tem o governo que merece. Se os brasileiros não tiveram Enéas com seu Presidente é porque aqueles, certamente, não mereciam este.
    Fazendo breve análise do movimento político de 1988 até os dias hodiernos, não consegui encontrar, dentre os que se destacaram no meio político, um sequer candidato honesto e com pretensões de tão-somente ajudar o país a crescer e sair dessa merda em que está, exceto o Enéas.

    • Eduardo disse:

      Possivelmente teríamos uma eleição histórica em 2010: a esquerda contra a legítima direita, dois candidatos que nunca haviam vencido uma eleição majoritária, Dilma e Enéas e ambos sem a simpatia da grande mídia que pela primeira vez na história se veria na obrigação de permanecer neutra no embate. O povo já estava de saco cheio dos políticos tradicionais e experientes (a reeleição de Dilma foi o estopim para agravar essa situação), o que fortalecia ainda mais a decisão,e os que em viam em Aécio a “salvação” em 2014 e hoje apoiam Bolsonaro sem dúvidas teriam somado forças a Enéas, não é possível supor como seria seu Governo caso fosse eleito Presidente mas ao menos uma coisa é certa: sua ascensão ao poder serviria de estímulo para que boa parte dos jovens se dedicassem mais aos estudos tendo Enéas como exemplo.

    • gorobol disse:

      “Cada povo tem o governo que merece. Se os brasileiros não tiveram Enéas com seu Presidente é porque aqueles, certamente, não mereciam este.”
      Na verdade o método de votação influencia MUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIITO no resultado final, o nosso método é chamado de segundo turno.
      Por exemplo, existe um método de votação chamado Anti-plurality Voting, nesse tipo de eleição não tem segundo turno, e no primeiro turno ao invés de votar no candidato que você quer que ganhe, você vota no candidato que você quer que perca. Esse método favorece candidatos que ninguém conhece e assim ninguém vai votar contra.

      Isso foi só para explicar como o método usado para votar influencia na votação e resultado final.
      O nosso método de votação (segundo turno ou em inglês two round system) é um dos piores. Entre um dos pontos ruins ele faz com que candidatos menores sejam prejudicados, pois o pessoal deixa de votar neles com medo de perder o voto (seria pior ainda se não tivéssemos o segundo turno). Outro problema é que se tiver dois candidatos parecidos o voto se divide, se jair bolsonaro e eneias se candidatassem ao mesmo tempo, os dois iriam perder, pois os votantes iriam se dividir entre os dois, cada candidato tendo apenas mais ou menos a metade do que teriam se tivessem se candidatado sozinho.
      PS: Esse não são os únicos problemas da votação de segundo turno.

      Mas acredito que se (estivesse vivo e) candidatasse sozinho em 2018 (sem bolsonaro), o eneias iria ganhar.

      Lembre-se que tudo que eu falei nesse post aqui é independente de ideologia politica, inteligencia ou seja lá o que for, esses problemas acontecem mesmo se você tivesse escolhendo qual seria a bandeira oficial do seu time de futebol, qual vai ser o tema da festa de aniversário do seu pai e etc…, não problemas logicos, matematicos e de teoria de jogos, que influenciam o resultado da eleição.

      Se quiser conhecer o mais diferente esquemas de votação, entre aqui: https://en.wikipedia.org/wiki/Voting_system

  3. Marco Feitosa disse:

    Saudoso Enéas! Sou um dos muitos que lamentam não poder ter votado nele por ser muito jovem. Realmente tenho a impressão que não teremos um líder forte, honesto e inteligente como ele tão cedo. Li “Um Grande Projeto Nacional” e “O Brasil em Perigo”, e são ótimos, além dos vários vídeos e entrevistas no YouTube. Faz falta um político como ele. Hoje em dia não temos escolha alguma nesta República. Por isso me tornei monarquista.

  4. Aharon disse:

    ” Mas provavelmente ele não as descartaria: as usaria como formas de promover o nacionalismo, como Hitler fez nos Jogos Olímpicos de Berlim, ”
    Voce intendeu alguma cosia do que ele dizia ? ele jamais aceitaria a copa tendo tremendos problemas internos como o brasil tem, saude, seguranca, etc…

  5. KATHERINE disse:

    SE ELE ESTIVESSE VIVO A FAMOSA FRASE “PALAVRA TEM PODER” SERIA TOTALMENTE VERDADE

  6. Jonas disse:

    Ola! concordo plenamente sobre o DR. Enéas. Realmente o carra foi um homem genial, mal compreendido pela população.
    Eu, como estou com 22 anos atualmente, não tive chance de dar-lhe meu voto.
    Porem na ultima eleição em 2010, meu voto não foi para nem um dos 3 primeiros colocados sitados no texto, foi de Plínio de Arruda Sampaio.
    Se pararmos para analisar (apesar de Plínio ser esquerdista), os seus princípios são bastante parecidos assim, como seu intelecto bem desenvolvido. E sem falar que ambos foram indevidamente ridicularizados durante suas candidaturas a presidência.
    Ainda preferiria Enéas, mas na falta dele precisamos de alguém, e na minha humilde opinião, a melhor escolha seria o Plínio.

  7. eli disse:

    é engraçado como as pessoas só dão valor as coisas preciosas depois que as perdem,Enéas era um mito , um gênio incompreendido,vítima da mídia sensacionalista, homem de vanguarda; porem seus ensinamentos foram deixados à nós , que sirva de exemplo para as futuras gerações de políticos do brasil.

  8. Paulo Freitas disse:

    Leiam o livro “Um grande projeto nacional”. O Dr. Éneas Carneiro foi o homem mais inteligente da nossa política contemporânea. Fico muito triste por sua morte, pois acredito firmemente que ele teria grandes chances na eleição de 2010. Parem de dizer que ele era de extrema direita, ele era nacionalista! Nós nacionalistas não somos de esquerda ou de direita, somos uma terceira via que acredita num estado forte pelo interesse nacional, sem se curvar pra qualquer outro país, garantindo assim nossa soberania! Nosso país poderia ser a maior potência do mundo, isso é fato, temos tudo que precisamos e que o mundo precisa! Nossa independência econômica não aconteceu até hoje por pura submissão de políticos covardes e sem compromisso com seu povo (além dos interesses particulares)! Infelizmente sou muito cético e pessimista pra acreditar que surgirá alguém como Enéas novamente na política nacional, o que nos resta é sentar e assistir nosso país morrer.

    • philgeland disse:

      Paulo, você deve admitir que – em geral – o termo “nacionalista” é associado à direita. Mas, tudo bem …

      Na minha opinião, a palavra que mais se destaca no seu comentário é “soberania”.

      Soberania econômica, soberania cultural, principalmente.
      Isso é importante sim – e como!

    • JN disse:

      Era um gênio… Um homem do bem! Porém, no Brasil, quando surgem políticos honestos, íntegros… A mídia (corrupta) trata de tirá-los do cenário e infelizmente o povo é alienado pela mídia. O povo só sabe assistir novela… Imagino que hoje ele faria muita gente tremer… You tube… redes sociais… etc

  9. clayton disse:

    Tenho 37 anos. E vi boa parte de Lula e Enéas.
    Lula, no início de sua vida política fez discursos que eram de extrema esquerda. Disse um monte de asneiras, mas sempre era apoiado pelos intelectuais de esquerda que suavizam o que ele dizia. Ninguém ficava relembrando o que Lula dizia. Mas o povo chamava Lula de lunático, preguiçoso, fazedor de greve e coisas assim.

    Enéas, no início de sua vida política fez discursos que beiravam a extrema direita. A esquerda se aproveitou disso e o transformou numa caricatura sempre exagerando o que ele dizia. O próprio Jô Soares o chamou de fascista e recebeu um grande processo judicial.

    Bom, se Enéas estivesse vivo ele seria o Eneasinho paz e amor. Manteria sua integridade, sua transparência, e inteligência. Mas aprenderia ser um político de resultados também.

    Infelizmente, eu que sou de esquerda tenho que admitir: o Brasil não estava preparado para um gênio incompreendido como ele.

  10. philgeland disse:

    P. S.
    Por falar em Enéas …
    Alguém se lembra de Pim Fortuyn?

  11. Orígenes Duarte disse:

    Li muito sobre o Enéas ( estou lendo atualmente o livro dele, Grande Projeto Nacional) e depois de ler essa sua análise sobre o quadro político brasileiro caso Enéas ainda estivesse vivo só fez nascer em mim um sentimento profundo de tristeza por ele ter tido a infelicidade de contrair esse mal e ter sucumbido à essa infame doença.

    Acredito muito no que foi exposto por você. Feliz daquele que conseguiu ver no Enéas, ainda vivo e como candidato a presidente da República, um homem íntegro, inteligente, patriota, honesto, nacionalista e que tinha total possibilidade de transformar o Brasil na maior potência mundial, o seu maior sonho. Aos jovens, como eu (tenho 20 anos), que o viram na TV, mas eram apenas crianças, ou os jovens que não chegaram a vê-lo, faço o convite a conhecer um pouco mais desse homem que pôde ter sido o símbolo da salvação nacional. Nós jovens, o futuro da nação, podemos sim dar continuidade no ideal de Enéas, nas suas idéias. O Brasil precisa de pessoas íntegras, honestas e inteligentes no seu comando e nós jovens podemos ser essas pessoas. Chega de alienação! Chega de corrupção! Salve a nação! Salve o verdadeiro patriotismo!

  12. philgeland disse:

    Infelizmente, a possibilidade de surgir um “novo Enéas” é só uma questão de tempo, não somente no Brasil. A tendência atual de “cair na onda da direita” ocorre em muitos paises, embora – na maioria – ainda não tenha “rosto”, ou seja, não tenha um político “atraente” que saiba como se apresentar e divulgar tal ideologia de forma sedutor (de forma efetiva) diante do público. Na França, por exemplo, já está dando certo. Marine Le Pen chegou em terceiro lugar nas eleições presidenciais. Sem dúvida, ela é uma mulher inteligente. Ela aprendeu dos erros do seu pai, ela é mais “charmosa” do que o pai dela. Ela representa uma “nova geração” de demagogos populares.

    A ascensão da direita ao poder sempre precisa de uma “celebridade” para suceder, alguém no qual as “pessoas comuns” possam focar seus próprios desejos e fantasias.

    No caso do Enéas, não deu certo. Ele agiu na época errada, por assim dizer. Concordo com você que uma “figura” como ele faria sucesso, hoje em dia, nas redes sociais. A tendência já existe. Só falta um “rosto”.

    De qualquer forma, obrigado pelo post. Não sabia muito sobre Enéas, mas mesmo eu, sendo estrangeiro já ouví falar dele. Achei bem informativo. Parabéns!

    • Nicole disse:

      A direita que vem surgindo atualmente é diametralmente oposta à direita do Enéas. Vemos a ascensão da direita liberal, enquanto o discurso da nossa velha direita nacionalista é anti-liberal em essência. A direita nacionalista praticamente desapareceu no Brasil, para dar lugar aos entreguistas e aos fanáticos religiosos. Uma pena, pois eu procuro em quer votar e não acho. Gostaria de encontrar alguma reminiscência do Prona em algum lugar.

      • philgeland disse:

        Nicole, acho que entendí o que você quis dizer. A “direita dos fanáticos religiosos” parece ter pouco a ver mesmo com aquela “direita nacionalista dos velhos tempos”. Mesmo assim, eu vejo certos “laços” que conectam o passado com o presente, por assim dizer.

        É um processo em andamento. Tanto como na Europa, nos Estados Unidos quanto no Brasil. Vivemos em tempos “interessantes”.

        • philgeland disse:

          P. S. Por falar nos “velhos tempos”: me parece que uma personagem como Enéas simboliza uma fase de transição (da direita). Não sei se me expressei bem. Espero que deu pra entender …

  13. (Wagner Sarmento) disse:

    Você ainda é insuperável, FOM, não se preocupe.

  14. Felipe disse:

    Já li muita besteira na internet, mas nesse nível e com essa pretensão, é a primeira vez. Parabéns.

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