Encaixotando chocolates


Ontem dei uma passada na Cepam, a Carlos Bakery da Zona Leste de São Paulo, com uma imensidão de pães, salgados, doces, bolos, colombas e sorvetes. Programa de gordo, eu sei. Você vai pedindo as coias lá e, quando vê, já gastou mais de dez Big Macs lá, e fica feliz com isso, porque Big Mac é uma porcaria superestimada que nem se compara às costelas e frituras do Sul dos EUA, apesar de engordar tanto quanto.

Havia uma promoção de Ovos de Páscoa Village (a marca deles) em que você comprava dois ovos ou colombas e pagava apenas por uma. Não comprei porque já estava com sacolas cheias de pães e de doces, mas eles me estimularam a falar um pouco sobre chocolate aqui.

Não sei se vocês sabem, mas o chocolate é um alimento industrial único. A manteiga de cacau, que é a base dos chocolates ao leite, tem ponto de fusão entre 33 e 37º C, dependendo do tipo. Isso faz com que os chocolates, em geral, também tenham esse ponto de fusão, proporcionando a sensação única de comer um alimento sólido e líquido ao mesmo tempo.

Como assim? É simples. Além de todas as propriedades químicas do chocolate, que fazem papel similar ao da serotonina do cérebro e ainda contém estimulantes (sim, chocolates tem cafeína), o chocolate ainda tem essa peculiaridade. Quando ele é ingerido, geralmente está em estado sólido. No entanto, sua temperatura de fusão única faz com que o chocolate chegue ao estômago como um líquido, facilitando a digestão e a absorção química por parte do organismo. É por isso que parece tão “fácil” digerir um chocolate, embora o excesso de açúcar provoque uma indisfarçável sensação de desconforto quando as pessoas exageram (na Páscoa, por exemplo).

Dito isso, fica a pergunta: como você faz para comprar um chocolate sem sofrer prejuízos, especialmente na Páscoa (do ano que vem, que a desse ano já foi). Existe uma fórmula para medir o benefício de um chocolate, criada por mim mesmo em um desses momentos de insanidade que são até bem normais:

A fórmula:

BenC  = (m x IQC) / V

Onde:

BenC: taxa de benefício do chocolate ingerido.

m = massa, em gramas, do chocolate.

V = valor, em moeda corrente, pago pelo chocolate

IQC = Índice de qualidade do chocolate, que representa a nota média, de zero a dez, que é dado para um determinado chocolate. Normalmente esse índice é melhor calculado quando medido em um teste cego, sem percepção prévia de qual o chocolate testado.

O IQC não existe hoje e é a grande falha da fórmula até o momento. A sugestão aqui é criar uma espécie de Ranking IMDB dos chocolates, catalogando todos os chocolates disponíveis no mercado e catalogando-os pela média de nota atribuída pelos consumidores. Assim, você poderia calcular o benefício de um chocolate tendo como base essas variáveis. Por exemplo:

Vamos supor que você esteja em dúvida, em uma bomboniére, entre comprar uma barra de chocolate meio amargo da Garoto de 170 gramas por R$ 5 e um Suflair de 50 gramas por R$ 3.

Vamos supor, também, que a avaliação média do chocolate meio amargo da Garoto seja de 6,4 e a avaliação média do Suflair seja de 7,3 (é só uma suposição, eu inclusive acho o chocolate meio amargo da garoto melhor)

Portanto, de acordo com a fórmula:

BenC Garoto = (170 x 6,4) / 5 => BenC Garoto = 217,6

BenC Suflair = (50 x 7,3) / 3 = BenC Suflair = 121,67 

Então, pela fórmula, o benefício supostamente proporcionado pelo chocolate da Garoto naquela loja, àquele preço, não apenas seria maior, mas seria quase o dobro do benefício de comprar um Suflair.

Para aplicar a fórmula, é simples: é só ter o IQC™ em seu smartphone e inserir os dados. Em algum tempo pode ser feito até mesmo um aplicativo que calcule automaticamente o BenC de todos os chocolates com o mínimo esforço, apenas com a inserção do tipo do chocolate (que já estará ranqueado), do valor do mesmo e do preço que a loja está cobrando.

Se você quiser saber mais de chocolates e de reflexões aleatórias, leia também:

Chocolates de Infância e Boas Recordações

O sabor de 2012: chocolate meio amargo

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Uma resposta para Encaixotando chocolates

  1. Danilo disse:

    Há um erro no cálculo: O Valor (V) não é inversamente proporcional ao Benefício do Chocolate (BenC). Pois, quanto melhor o chocolate (maior o benefício) mais caro será o chocolate (maior o valor). Mais correto seria BenC = m x IQC x V.

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