Por que o Facebook vai morrer?


Quando analisamos as redes sociais, vemos que elas contam com uma história muito própria (são quase dez anos já), cheia de reviravoltas. Quando uma rede social chega à sua maturidade, ela parece indestrutível, agregando praticamente todas as pessoas de seu círculo social. Mas a experiência nos mostra que as redes sociais costumam ter um ciclo de ascensão e queda, se não contarem com boa capacidade de adaptação. Foi assim com o orkut, que, em seu auge, chegou a ter comunidades vendidas “por um bom dinheiro”(1). E será assim com o Facebook, que, mesmo acessada por 1 bilhão de pessoa, não está sabendo se renovar e já está perdendo milhões de usuários nos EUA e em mais alguns países (2).

Quais são os principais motivos para essa queda do Facebook? O que vai acontecer daqui pra frente? Não temos todas as respostas, mas é bom considerarmos algumas coisas:

1) O Facebook não é uma referência informativa confiável 

Um conceito consagrado nas redes sociais é o de “linha do tempo”. O próprio Facebook ajudou na popularização desse conceito, juntamente com o Twitter. Só que “linhas do tempo”, para funcionarem, precisam ser confiáveis, disponibilizando a informação mais recente produzida por aqueles de quem você quer obter informação. Como ocorre no Twitter, por exemplo, em que você recebe, em uma sequência temporal clara, todos os tweets das pessoas a quem você segue.

O Facebook não funciona assim. É uma miscelânea de publicações e páginas recentes, “mais curtidas” e patrocinadas, permeadas por configurações pouco acessíveis para a maioria dos usuários. Em resumo, a linha do tempo do Facebook é uma enorme bagunça. Parece não seguir lógica nenhuma. E, para piorar, o espaço das publicações pagas é cada vez maior. Assim como os pedidos para que você “impulsione suas publicações” (ou seja, pague para elas alcançarem mais gente). Esse tipo de coisa tira totalmente a confiabilidade da rede social, fazendo com que boa parte das pessoas comece a pensar em abandoná-la.

2) O Facebook não tem uma plataforma móvel de qualidade

Um dos grandes motivos pelo qual o Orkut definhou foi a ausência de qualquer facilidade na interação com dispositivos móveis (Tablets e smartphones). Com o Facebook pode acontecer a mesma coisa.

A Internet Móvel fez com que as redes sociais fossem obrigadas a adotar um caráter minimalista em suas versões móveis para obter sucesso. E o Facebook fracassou miseravelmente nisso. O aplicativo para IOs e Android é pesado, trava sempre e tem os mesmos problemas de confiabilidade da versão web da rede social. Não é algo que te encoraje a usar. Nisso, redes sociais como o Twitter estão muito à frente.

Além disso, há redes próprias para smartphones agora. Redes como o  o WhatsApp e o Viber, que permitem contatos privados com as pessoas com quem você realmente quer manter contato. Ou o próprio Instagram (comprado pelo Facebook recentemente). O Facebook não permite isso com tanta facilidade (a versão do Facebook Messenger para IOs e Android, inclusive, é tão fraca quando o aplicativo do Facebook para esses sistemas).

3) Conteúdo ruim e e falta de especialização em nichos

Frequentemente ouvimos falar que “Orkutização do Facebook” (3), como culpado pela “queda de nível” da rede social. Na verdade, essa “queda de nível” é menos culpa dessa “popularização” do que da cultura prévia das pessoas que você conhece.

Alguém falou uma vez que “no Facebook você perde amizade com as pessoas que conhece, enquanto no Twitter faz amizade com pessoas que não conhece”. Essa frase, apesar de despretensiosa (e não consegui achar a fonte, mas foi um Tweet), revela muito sobre as duas redes sociais. O Facebook é tratada pela maioria como uma rede social de “transposição”, no sentido de que seus amigos “da vida real” também são seus amigos no Facebook.

Isso faz com que você conheça no Facebook um lado dessas pessoas que não conhecia antes, por conviver muito superficialmente com elas. E nem sempre essa experiência é agradável. Para falar a verdade, é bem triste saber que boa parte de seus amigos tem muito mais diferenças do que afinidades com você. E isso embasa o discurso de que as redes sociais mais afastam do que aproximam as pessoas.

Em redes como o Twitter, em que você segue pessoas baseando-se na qualidade da informação que ela posta, a especialização em nichos é muito maior. Por isso você “faz amizade com pessoas que não conhecia”. Porque descobre interesses em comum com elas. Enquanto isso, no Facebook, você é obrigado a conviver com o “baixo nível” das postagens justamente porque o contato não é baseado nos interesses em comum, mas no conhecimento prévio. E isso acaba afastando as pessoas do Facebook no longo prazo.

Dá pra reverter esse quadro?

Seria muita presunção dizer que uma rede social do tamanho do Facebook está morta, de forma irreversível. Mesmo porque Mark Zuckerberg já faz investimentos para se eternizar como empresário de Internet, mesmo que o Facebook venha a acabar como rede social um dia.

Existem iniciativas capazes de prolongar a vida útil do Facebook. Simplificar e tornar mais confiável a linha do tempo é uma delas. Fazer plataformas melhores e simplificadas para dispositivos móveis é outra. Tentar se especializar em nichos e agregar pessoas por interesses é uma terceira.

Mas o fato é que redes sociais vem e vão. Se analisarmos a imagem abaixo (4), vemos que muitas redes sociais já morreram ou foram abrangidas por outras. O que define a vida e a morte de uma rede social é a sua capacidade de se alinhar às novas demandas dos usuários, de forma a não perdê-los. É isso que o Facebook precisa aprender a fazer, se quiser ter vida longa como rede social, sem definhar nos próximos anos, como ocorreu recentemente com o Orkut, com o My Space e com outras diversas redes de informação e interação.

Redes sociais que existem ou já existiram (Fonte: http://www.sharingforsocial.com.br/)

Redes sociais que existem ou já existiram (Fonte: http://www.sharingforsocial.com.br/)

Referências:

(1) http://blogs.estadao.com.br/link/maior-comunidade-do-orkut-e-vendida/

(2) http://oglobo.globo.com/tecnologia/facebook-perde-milhoes-de-usuarios-em-paises-ricos-8241708

(3) https://poucodeprosa.wordpress.com/2012/04/03/orkutizacao/

(4) http://www.sharingforsocial.com.br/estar-em-redes-sociais-e-facil-nao-e-bem-assim/

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2 respostas para Por que o Facebook vai morrer?

  1. philgeland disse:

    Bom, o tal “Facebook ” não é um ser vivo, mas uma construção virtual. Por isso, ela não “morre”, embora esteja prestes a enfrentar a perda do seu impacto na mente das pessoas que a usam atualmente – seja isso num “futuro bem distante” ou bem perto. Muito provavelmente, o Mister Zuckerberg será o “Bill Gates das redes sociais” por um bom tempo.

    Quanto a mim, eu não vejo necessidade alguma de me “conectar” a essa lula virtual, estou “ligado” aos meus amigos mesmo assim – e vice-versa. I don’t judge: Entendo porque as pessoas usam esta “plataforma”, mas acho que – na grande maioria das ocasiões – eles simplesmente desperdiçam seu tempo com algo inútil.

    Existem bons argumentos para se livrar do bicho.

  2. De certa forma eu concordo com a análise, mas acho que ela vai um pouco além. O Twitter é excelente mesmo, mas ao mesmo tempo ele é um pouco desmotivador. Quem não é “famoso” não consegue ter muitos seguidores – e isso é a grande maioria, claro -, fazendo com que a pessoa esteja sempre falando pra meia dúzia de gato pingado. No Facebook é um pouco diferente, já que qualquer um consegue juntar uns 200 ou 300 amigos na conta.
    Se o Facebook conseguisse dar um jeito em pequenos detalhes tinha tudo pra engolir o Twitter, mas não acredito nisso também.
    O bom do Twitter é que você consegue eliminar os chatos, já no Facebook tem que fazer uma boa faxina na lista do feed. Dá trabalho, mas dá pra fazer também.

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