Grandes momentos da publicidade – o nome que foi extinto por uma propaganda


Até meados de 1995, o nome Bráulio era relativamente comum no Brasil. Não era nome de cantor sertanejo, nem de esportistas ou artistas famosos. Mas era um nome comum, meio de tiozão, estilo Vicente ou Antônio.

Era comum ter conhecidos com o nome, geralmente na faixa dos 40 anos (na época), geralmente com o perfil do senhor de classe média do início da década de 90, que andava aos fins de semana por aí com seu Fusca, seu Chevette ou seu Monza, lavava o carro nas tardes de sábado e passava algum tempo no bar que ficava na rua de casa comprando rifa de frango assado enquanto tomava umas cervejas.

Alguns pais escolhiam o nome de Bráulio para seus filhos. Assim como, até hoje, muita gente escolhe nomes como Vicente e Antônio. No entanto, é uma tarefa quase impossível encontrar pessoas com menos de 18 anos que tenham Braúlio como nome. E isso por um motivo simples: nenhum pai quis dar esse nome para seus filhos após uma série de propagandas extremamente infelizes do Ministério da Saúde associando o nome Bráulio ao pênis. Eram propagandas contra a AIDS, cujo intuito inicial, de acordo com essa matéria da Folha de São Paulo da época, era o de provocar polêmica, incentivando o uso de preservativos.

O tiro saiu pela culatra. A associação do nome “Bráulio” ao pênis, dada por um publicitário contratado para a campanha, ofuscou completamente o intuito inicial de conscientização, e muitas mães de garotos com o nome Bráulio reclamaram que os mesmos passaram a ser alvo de bullying na escola. A propaganda foi retirada do ar em pouquíssimo tempo. Mas está no Youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=rKpUQKnjKJc

Para se ter ideia, até hoje as pessoas batizadas com esse nome sofrem. Um exemplo é o de que, em setembro de 2012, em Santa Catarina, um rapaz de 17 anos batizado como Bráulio ganhou o direito de mudar seu primeiro nome, argumentando que o nome Bráulio lhe causou constrangimentos terríveis durante toda a vida escolar.

Conhecendo o nível de galhofa de nosso sistema escolar, não é de se duvidar que o rapaz tenha tido uma vida sofrida mesmo. Triste, para ele, ter tido a chance de mudar de nome apenas aos 17 anos de idade.

E, apesar de todo o efeito nocivo da propaganda, o governo federal (na época, estávamos no primeiro ano do governo FHC) não teve que arcar com nenhum ônus. A justiça concluiu que não existiam evidências suficientes para se condenar o governo, tendo em vista que, de acordo com a desembargadora que julgou o processo, “apelidar o órgão sexual masculino de Bráulio não ofende”.

Considerando que quase não existem registros civis de pessoas com o nome Bráulio após a veiculação da propaganda, parece o apelido ofende sim.

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4 respostas para Grandes momentos da publicidade – o nome que foi extinto por uma propaganda

  1. josé edir disse:

    Agora os proximos que sofrerão são os que tem o nome edir com essa turma inconsequente de gays que relacionam o anus com esse nome.

  2. Marcus Pessoa disse:

    Eu lembro desse comercial. Impressionante como alguém faz um negócio desse sem atentar para as consequências.

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