Caminhos do Jornalismo – Leonardo Bertozzi


A terceira entrevista da série sobre jornalismo e novas mídias é com Leonardo Bertozzi, comentarista dos canais ESPN desde 2009. Bertozzi também foi colunista e editor na Trivela entre 2007 e 2012, e antes disso teve passagens pela FX e pela Bandsports como comentarista.

Na entrevista, ele fala sobre sua atuação nesse novo momento do jornalismo, que concilia o trabaçho televisivo em um emissora consolidada, as interações através das redes sociais, e os trabalhos jornalísticos que já nasceram no modelo de disseminação de informação possibilitado pela Internet, como o que foi realizado na Trivela.

1) Antes de ser comentarista na ESPN, você fez um trabalho de longo prazo na Trivela, que começou em uma época em que mecanismos de busca e as redes sociais ainda engatinhavam. Era muito mais difícil disseminar informação. Como esse trabalho começou e como ele sobreviveu nessa época?

Eu entrei na Trivela em um estágio mais avançado do projeto, em 2007, quando o modelo já era mais “profissional”, com investimento, estrutura física, redação e a revista impressa. Mas a origem da Trivela e sua afirmação como referência em futebol internacional são notáveis, tendo iniciado como um projeto de estudantes universitários e ainda assim alcançando vitrines importantes como a participação em edições do “Futebol no Mundo” da ESPN Brasil.

2) Antes de trabalhar na Trivela, qual era sua relação com o jornalismo? Você já tinha alguma experiência prévia? O modelo de jornalismo analítico praticado na Trivela e na ESPN parece ser uma alternativa viável para o momento de “crise” que o setor vive, com demissões recorrentes em redações e crise na credibilidade dos órgãos de imprensa tradicionais?

Eu não tinha grande experiência em redação. Tinha editado o FutBrasil, site extinto em 2002, mas naquilo que hoje chamam de “home office”. Como me mudei para São Paulo após me formar, por questões pessoais, e não tinha muitos contatos por aqui, acabei optando por um projeto pessoal, o site Futebol Europeu. Não foi um projeto financeiramente rentável, mas foi o que me abriu as portas para conhecer pessoas do meio e eventualmente conquistar meu espaço.

Sobre o modelo de jornalismo, é preciso entender que as mídias sociais mudaram a maneira em que a informação é disseminada e também mudaram a maneira de reagir a ela. Ou seja, o modelo de “hard news” não se sustenta sozinho, sobretudo no jornal impresso, que não traz mais absolutamente nenhuma novidade factual.

3) No seu blog na ESPN, você claramente posta notícias tendo como variável o fato de achar que aquilo é interessante e o de que muitas pessoas lerão porque acharão acharão curioso. Além disso, você interage muito com o seu público nas redes sociais (especialmente no Twitter). Essa sensibilidade de ir atrás e tentar entender o alvo da curiosidade das pessoas é uma chave pra fazer jornalismo de qualidade hoje em dia?

Há modelos e modelos de blog. Muitos acabam “engessados” por uma necessidade de comentar os jogos da rodada, ou acabam apelando à polêmica barata apenas para buscar o clique fácil. Sem ter esse tipo de exigência, só escrevo para o blog quando tenho vontade. Gosto de tentar despertar boas discussões, algo muito difícil nas caixas de comentários por aí, contar histórias pouco conhecidas, trazer outras realidades e compará-las com a nossa.

A interação nas redes sociais ajuda a enriquecer o debate, desde que seja o interesse das duas partes. Se o seguidor já chega com ofensa, não vale a pena levar a discussão adiante. Mas se há uma opinião discordante com o objetivo de trocar ideias, mesmo partindo de alguém desconhecido para você, de repente é possível até rever uma posição ou aprender algo novo.

4) Não há nenhuma necessidade de citar valores, mas o trabalho na Trivela, antes de sua saída de lá, chegou a ser tão rentável quanto seria trabalhar em uma redação tradicional? Como foi a transição de um ambiente de trabalho online, como a Trivela, para um ambiente com um modelo jornalístico mais consolidado, como a ESPN?

Como a Trivela já tinha uma estrutura profissional quando cheguei lá, acabou sendo uma transição importante. Obviamente, não há comparação de estrutura, mas a Trivela foi a escola perfeita, até por ter valores (não financeiros, mas éticos) muito semelhantes. Em termos de renda, são realidades totalmente diferentes, de fato.

5) Você acha que o seu trabalho como jornalista tem cumprido uma “função social”, sem ficar fechado a temas específicos? Como você avalia a repercussão do seu trabalho junto ao seu público?

Fico muito feliz com as respostas do público. Sempre considero que a mensagem é mais importante que o mensageiro, mas é evidente que você precisa valorizar a credibilidade e o respeito que o trabalho te traz. Sempre que o jornalismo provoca uma reflexão, ele já está cumprindo uma função social. É por isso que sigo uma certa linha no blog para evitar que o debate caia apenas no “meu time é melhor que o seu”.

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Para ver a lista completa de entrevistas, clique aqui.

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2 respostas para Caminhos do Jornalismo – Leonardo Bertozzi

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