Desmistificando os Gastos da Copa do Mundo


Já foi comentado aqui que, apesar de todos os problemas políticos (que não devem jamais ser negligenciados), vai ter Copa sim.

Nesse contexto, o governo já divulgou o valor da conta da Copa do Mundo: R$ 25, 6 bilhões, sendo que, desse valor, R$ 21,4 bilhões vieram de recursos públicos. A “boa” notícia da prestação de contas é a de que os estádios representaram apenas 27,7% desse investimento: R$ 7,09 bilhões.

Falando assim, com naturalidade, nem parece que isso é MUITO dinheiro. Mas é dinheiro pra caramba sim. Tudo isso em um evento em que a FIFA, apesar de todas as reclamações, vai ter lucro recorde:

“(a FIFA vai lucrar) Mais de US$ 4 bilhoes. Trata-se da Copa mais rentavel da historia, com um resultado duas vezes superior ao da Alemanha. A Fifa lucra vendendo os direitos de imagens dos jogos, ingressos, produtos de marketing e dando o direito a algumas multinacionais a usar de forma exclusiva os estádios para suas promoções.” Jamil Chade, correspondente do Estadão em Zurich, aqui

Só a FIFA vai lucrar mais de US$ 4 bilhões com a Copa do Mundo. Numa conversão com o câmbio de hoje (14 de maio, US$ 1 = R$ 2,21), só a FIFA vai ganhar R$ 8,84 bilhões com a Copa do Mundo. Considerando que o investimento do órgão foi ESCOLHER A SEDE, é provavelmente a maior taxa de retorno de investimento em um evento da história da humanidade.

Mas por que a FIFA reclama, então? Óbvio, a entidade quer proteger seu investimento e maximizar seu lucro. Além disso, a Copa do Mundo é uma marca conhecida mundo afora, e seria melhor para a FIFA que essa marca não estivesse associada à incompetência governamental, violência ou outros valores que podem manchar a imagem do torneio. Essa percepção justifica as inúmeras cobranças, por vezes em tom jocoso, da dupla Sepp Blatter/Jérome Valcke ao Brasil, nesses últimos anos.

Isso autoriza a primeira conclusão: vai ter Copa sim. Os direitos de transmissão já estão vendidos, os ingressos também, as cotas de marketing idem. Os transtornos que as pessoas contrárias à Copa são capazes de causar entram até na previsão do Comitê Organizador Local, que tem outros casos similares, como o dos pro Jogos Olímpicos de Londres, para se espelhar.

Agora, vamos aos fatos: o quanto representa DE VERDADE esse valor gasto, em comparação com outras obras públicas?  Eventuais cálculos de inflação foram feitos pelo IGP-DI, que é o índice mais usado no setor público e serve como  indexador das dívidas dos Estados com a União.

Para isso, vamos “criar” duas moedas aqui:

A moeda “gastos públicos da Copa”, em que o valor 1 = R$ 21,4 bilhões, o total que o setor público gastou na Copa do Mundo

A moeda “gastos com estádios da Copa”, em que o valor 1 = R$ 7,09 bilhões, o total gasto para construir/reformar os estádios da Copa.

Vamos aos dados:

Usina de Belo Monte

A última notícia sobre o orçamento da Usina de Belo Monte é de maio de 2013: R$ 30 bilhões. O preço total da usina ainda pode subir mais, mas esses são os dados atuais.

A inflação entre maio de 2013 e hoje é de 8,10%, o que faz com que a obra tenha o valor corrigido de R$ 32,43 bilhões.

Convertendo nas duas moedas criadas por nós:

1) Belo Monte consumiu o equivalente a 1,509 gastos da Copa do Mundo. Ou seja, com o que foi gasto em Belo Monte dá pra fazer uma Copa do Mundo e meia.

2) Belo Monte consumiu o equivalente a 4,574 gastos com estádios da Copa do Mundo. Ou seja, com o que foi gasto em Belo Monte dá pra construir mais de 4 vezes e meia todos os estádios da Copa do Mundo.

Tudo isso lembrando que a usina ainda não foi inaugurada e esteve envolvida em polêmicas das mais diversas, como as que envolvem desapropriações e danos ambientais, por exemplo.

Rodoanel de São Paulo – trecho Sul

Inaugurado em março de 2010, o trecho Sul do Rodoanel (sim, só o trecho sul) custou, de acordo com o próprio governo de São Paulo, R$ 5 bilhões.

A inflação entre março de 2010 e hoje é de 34,74%. Em valores atuais, o trecho Sul do Rodoanel custou R$ 6,737 bilhões.

Convertendo:

1) O Trecho Sul do Rodoanel custou 0,315 gastos da Copa do Mundo. Isso quer dizer que, com todo o dinheiro gasto na Copa do Mundo, daria pra construir pouco mais de 3 trechos sul do Rodoanel.

2) O Trecho Sul do Rodoanel custou 0,95 gastos com estádios da Copa do Mundo. Isso quer dizer que, apenas com o que foi gasto na estrada, seria possível construir 95% da estrutura de TODOS os estádios da Copa do Mundo.

Lembrando: o Trecho Sul do Rodoanel é apenas uma parte do Rodoanel, com cerca de 70 quilômetros. O Rodoanel é importantíssimo para escoar o trânsito da Região Metropolitana de São Paulo, mas o Trecho Sul custou cerca de R$ 72 millhões por quilômetro de estrada.

E o Trecho Leste do Rodoanel, que está em obras, já custava aos cofres públicos a bagatela de R$ 3,8 bilhões no último mês de fevereiro.

Transposição do Rio São Francisco

A transposição do Rio São Francisco, para abastecimento de regiões secas do Nordeste, está orçada em R$ 8,2 bilhões. O valor está cerca de R$ 1,1 bilhão acima do orçamento inicial da obra.

Como esse valor total é relativo a maio de 2014, não há cálculo de inflação.

Convertendo:

1) A Transposição do Rio São Francisco vai custar 0,383 gastos da Copa do Mundo. Isso quer dizer que os gastos da Copa do Mundo seriam suficientes para fazer pouco mais de duas transposições e meia do Rio São Francisco.

2) A Transposição do Rio São Francisco custará 1,157 gastos com estádios da Copa do Mundo. Isso quer dizer que, com o que está sendo gasto no Rio São Francisco, seria possível construir todos os estádios da Copa do Mundo, e ainda sobraria cerca de R$ 1,1 bilhão. Exatamente o R$ 1,1 bilhão que a obra está custando acima do orçamento previsto inicialmente.

Linha 4 – Amarela do Metrô de São Paulo

De acordo com o  próprio governo de São Paulo, o custo total da Linha 4 – Amarela do Metrô, feito em parceria com o setor privado, era, em março de 2012, de R$ 5,6 bilhões aos cofres públicos.

A inflação entre março de 2012 e hoje é de 17,30%. Com isso, o valor atual da Linha Amarela do Metrô é de R$ 6,569 bilhões.

Convertendo:

1) A Linha Amarela do Metrô de São Paulo custa 0,307 gastos da Copa do Mundo. Isso quer dizer que com tudo o que foi gasto na Copa do Mundo seria possível pouco mais de 3 Linhas Amarelas do Metrô de São Paulo.

2) Por outro lado, a Linha Amarela custa 0,927 gastos com estádios da Copa do Mundo. Isso quer dizer que todo o custo da intervenção nos estádios para a Copa custou pouco mais do que aquilo que está sendo gasto na linha de Metrô que liga a Estação da Luz ao Butantã.

É bom lembrar que as obras da Linha Amarela já se arrastam por mais de dez anos, como comprova a foto do governador Alckmin vistoriando a Estação Higienópolis, AINDA NÃO INAUGURADA, em setembro de 2004 (cortesia do Alexandre Giesbrecht)

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Orçamento Anual do Bolsa-Família

Em 2014, o orçamento do governo federal com o Bolsa-Família sera de R$ 24,65 bilhões. Valor para o qual não cabe cálculo de inflação, uma vez que é orçamento ainda em execução.

Convertendo:

1) O gasto anual no Bolsa-Família equivale a 1,151 gastos da Copa do Mundo. Isso quer dizer que todos os anos o governo gasta mais com o programa social do que em gastou em todos esses anos com as obras da Copa.

2) O gasto anual no Bolsa-Família equivale a 3,476 gastos com estádios da Copa do Mundo. Isso quer dizer que, a cada ano, daria pra construir três vezes e meia os estádios da Copa com o que o governo gasta no Bolsa-Família.

Mas, por favor, não usem isso como argumento para coisas estilo FORA BOLSA ESMOLA, porque essa transferência de renda isso tem impacto positivo na economia, especialmente nas localidades mais pobres, ajudando a reduzir a desigualdade social, junto com outras políticas, como a do aumento do salário mínimo.

Conclusões

Foram programadas 167 obras para a Copa do Mundo. Algumas não serão entregues, e apenas 41% delas está concluída, faltando um mês para a Copa. Os atrasos em obras públicas são uma característica triste de nossa gestão pública, que, além de ser incapaz de cumprir prazos, também não é capaz de cumprir orçamentos, sempre estourando os valores iniciais projetados para as obras.

A questão, no entanto, é uma só: a Copa do Mundo não foi a responsável pelo início da má gestão dos recursos públicos no Brasil. A má gestão sempre esteve aí. E, nesse aspecto, as obras da Copa do Mundo foram até positivas, porque expuseram os políticos que não governam com eficiência e gastam demais, enquanto produzem poucos benefícios para a população.

No entanto, é alentador ver 167 obras (ou grande parte delas, ao menos) sendo realizadas com um orçamento menor do que o empregado em obras individuais, como a Usina de Belo Monte. E sem tanta margem para atrasos, visto que a Copa do Mundo é um evento com data marcada.

E também é necessário criticar. Não apenas em relação aos gastos, que poderiam ser bem menores, mas também em relação a todos os outros temas. Se a Copa do Mundo servir para discutirmos a sério temas como as desapropriações, a questão fundiária nas grandes cidades e a falta de segurança na construção civil, por exemplo, gerando melhorias importantes nesses setores à partir de agora, já terá valido a pena.

Se a Copa servir para as pessoas lutarem a sério por saúde e educação, então, melhor ainda. Aliás, se houve um efeito positivo das manifestações de 2013, foi que elas forçaram o Congresso a aprovar o investimento dos recursos públicos que serão obtidos com a extração de petróleo no pré-sal em saúde e educação. E isso já é por si só uma conquista.

A Copa do Mundo, como tudo na vida, deve servir de aprendizado. Para que tudo, daqui em diante, seja melhor. E o primeiro passo para isso é reconhecer que, dentre outras coisas, a gestão de recursos e o cronograma de obras foram ruins. Mas que, como vimos, isso é uma característica de praticamente todas as obras públicas no Brasil (e é isso que deve mudar).

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19 respostas para Desmistificando os Gastos da Copa do Mundo

  1. Pingback: Como a Ascensorista Que Não Veio Trabalhar Explica a Estrutura Social do Brasil | Um Pouco de Prosa

  2. Essa paixão babaca que o brasileiro tem por futebol e religião é a deixa que todo tipo de bandido quer nesse país pra meter a mão no dinheiro público.

  3. helio disse:

    A única obra que deve ser comparada a essa e a do rio s. Francisco parece que a única coisa que não conseguem desviar e agua ou seja duas obras surreais

  4. Pingback: A Copa e a realização de um sonho | palpitandoocotidiano

  5. Marcio disse:

    Não sou partidário, mas tem de considerar que o Brasil tem dimensões continentais, é um pais muito grande e com muita diversidade, acredito que os valores altos tem la uma justificativa…. complicada mas tem, agora oque não tem justificativa é termos os mais altos impostos, termos um dos custos administrativos mais caros do mundo, e a falta de infraestrutura, isso não tem justificativa, o governo investe em bolsas(importantes sim) mas não quer investir na produção, geração de renda, e geração de empregos, o agricultor brasileiro é um herói, pois saibam que é a agricultura que mantem o PIB em alta, que mantem a entrada de Dólares no Brasil. o governo esta interessado em somente aumentar os impostos, taxar tudo que pode afim de manter as Bolsas(caça votos) e manter as tetas cheias.

    Quanto aos futuros candidatos que estão se apresentando… é lamentável mas não tem nem um digno, mas eu espero que mude pois ficar como esta atualmente não da, teve presidente caçado por muito… muito menos que ocorreu no governo da Dilma, tem de ocorrer uma mudança, espero que para melhor.

  6. O artigo não lista quais são as obras.

    Dividiria as obras em dois grupos:
    * Finalidade “exclusiva” para a Copa
    * Finalidade geral

    Colocaria estádios como na primeira categoria. Não são exclusivos, mas é duro argumentar uma reforma paga ou financiada (lembrando que os estádios particulares receberam empréstimos que terão de ser pagos) pelo governo seria feita tão as pressas se não fosse pela Copa.

    Mas grande parte delas, como você mesmo disse, são de melhoria da infraestrutura de transporte: urbano, aéreo e até marítimo. Elas vão ficar. Tudo isso tem utilidade igual os exemplos dados como rodoanel, usinas… Só foram agilizadas.

    Vale ressaltar que, ao correr com obras, acaba se pagamento mais caro. Aí vale uma avaliação do sobrevalor por conta da correria. Quanto hipoteticamente custaria se fizessemos isso sem a data da Copa como alvo?

    *****

    O post não deveria misturar os lucros da FIFA, pois é irrelevante. O Brasil tem de fazer avaliação de custo/benefício de suas proprias contas. A pergunta central é: qual é o retorno deste investimento de 25b para o proprio pais?

    • Léo Rossatto disse:

      O ponto que você ressaltou (aumento dos gastos com obras apressadas) é muito importante e mostra como a s obras sofrem aumentos expressivos quando feitas em regime de urgência.

      O problema aqui é que a área de custos no serviço público é dificílima de mensurar, principalmente em obras de longa duração. Existe cálculo até de depreciação de partes da obra feitas anteriormente, e é bem complicado chegar a um valor “ótimo”.

      E os lucros da FIFA foram só um adendo, que acabou meio deslocado no texto. Quanto a isso, concordo.

  7. marcos davi disse:

    Petista! Parei de ler seus artigos. É o 3º q leio. 2 quase enaltecem o PT, e um apedreja a direita. Bolsa-família é importante sim, mas desde q hajam maiores e massivos investimentos em educação, pois só assim é q a desigualdade social e intelectual será realmente reduzida. Na França as bolsas de auxílio, bem como de seguro-desemprego, são bem mais poupudas e gordas; entrementes e um país q já não tem onde aplicar os impostos arrecadados, já q sua infraestrutura é excelente e o IDH, um dos maiores do mundo, enquanto no Brasil baronil tudo é de patamares africanos.

    • Léo Rossatto disse:

      Certamente é uma acusação muito inteligente a de ser “petista”, sem embasamento nenhum, e pra mim é muito óbvio que investimentos massivos em educação são a solução pro problema.

      Só não entendo que a crítica “petista” seja feita justamente NESSE artigo, em que eu digo claramente, baseado em números, que obras federais (ou seja, de um governo do PT) custam caro demais e existem fortes indícios de superfaturamento.

      Ah, e se o conceito de direita que tá aí é o “prego a meritocracia, no entanto fiz minha vida toda com base em uma posição inicial privilegiada” eu critico mesmo. Um país ideal não é o que tem “histórias do cara que nasceu na pobreza a se superou para chegar onde chegou”, que são a exceção da exceção, e sim um país onde todo mundo tem oportunidades.

    • Max disse:

      O cidadão começa um comentário com “petista” como adjetivo depreciativo já sei que só vem lixo na sequência.
      Ser “petista” já te desqualifica num debate na opinião desse sujeito, qualquer argumento, mesmo o mais concreto que você colocar será automaticamente ignorado, afinal você é “petista” e não merece ter opinião.

  8. fabiy alexia disse:

    as veze a gente nao o que fala mais eu sei oque eu falar vai brasil ganha dessa outra vaz:) to torcendo pra vcs

  9. tuliol disse:

    Faltou as fontes

  10. Pingback: O perfil das 15 famílias mais ricas do Brasil | Um Pouco de Prosa

  11. GILBERTO ALVES disse:

    Leio esse artigo e me deparo com uma real constatação bíblica: tudo me é lícito mas nem tudo me convém.
    Para tudo há uma explicação plausível e é ilimitada a possibilidade dos fatos. Em suma podemos fazer o uso que quisermos da realidade.
    A copa está sendo uma lição sobre a ineficiência do poder público. Ela não só nos traz a idéia de que a gestão pública precisa se tornar privada, mas também a idéia de que o privado precisa ter consciência pública. Governos não erram sozinhos pois não atuam sozinhos. Da mesma forma o privado. Há nisso tudo um ar de ingenuidade e má fé. A donzela que se veste de lobo para enganar o lobo. O lobo que se veste de donzela para enganar a donzela. Os dois se enganam. O tempo passa. Há nisso tudo a má fé do privado e a impotência do governo e vive e versa. Os dois são maus e impotentes… Difícil isso. No final o que vemos eh uma crise de valores e identidades distorcidas para o propósito humano. Governo e privado deixaram de ser humanos. Trabalham pelas causas próprias sem a distinção social que importa. Nossa chance de melhora será “UM ENORME ZEPELIM pairando sobre os edifícios com seus dois mil orifícios” nos ameacando e trocando todos os nossos atos e todos os nossos títulos pela mais vulgar das prostitutas, para nos mostrar que ela tem mais nobreza do que os demais e todos os seus atos. Isso mesmo: certos atos humanos são de menor valor do que os de uma puta que vende seu corpo para dar prazer a outro. Exagerei?! Talvez! Mas que estamos cercados de putas da pior espécie tenho certeza. Que venha a copa pois mal pior não será. Esse artigo abaixo mostra maus muito piores que ainda nem estão no fim.

  12. Rouco disse:

    Essa comparação deveria ser em valor presente liquido. Nada a ver comparar nominalmente o valor gasto numa linha de metrô, que gera receitas financeiras diretas e externalidades positivas imensas, com estádio no meio do nada que vai ser deficitário.

    Não entendo essa compulsão em dar opinião sobre o que se entende lhufas.

  13. Lasgna disse:

    Concordo com o artigo. A comparação é ótima para dar dimensão do “investimento” na Copa (que não é investimento NA Copa, mas basicamente nas cidades), mas infelizmente o debate nunca foi nem será objetivo. O assunto “Copa” está contaminado por uma deturpação intencional que não respeita fatos. Vejo sempre a designação geral para tudo: “obras da Copa” atrasam. Ao ler o detalhe, constato que o texto se refere a uma obra que nunca teve e não terá NENHUMA relação com a Copa, torcedores, futebol ou bola. Foi inserida pela prefeitura num esforço concentrado DURANTE as obras da Copa para que, por fim, saísse do papel. Mas atrai audiência dizer que é da Copa e que está atrasada. Este é o caso de vários BRTs na minha cidade, que jamais servirão à Copa, mas entram na conta do “atraso da Copa”. Ou remoções de famílias que nunca terão ligação nenhuma com a Copa, mas aparecem na crítica do “autoritarismo”, “ditadura”, “OPRESSÃO” do evento esportivo, quando na verdade estavam em uma área proibida pela segurança aérea, ou de risco, ou sujeita a inundações e desabamento.

  14. Eduarda disse:

    Piada isso, né? Você tem que comparar o custo dos estádios da Copa com outros estádios já construídos. A Juventus gastou menos de R$ 300 milhões para fazer um estádio. Aqui no Brasil, TODOS, foram superfaturados.
    As 167 obras, você pega uma a uma e compara com uma similar. Verá que grande parte é superfaturada também.

    • Léo Rossatto disse:

      Mas eu não neguei isso em nenhum momento. A conclusão do texto é que a qualidade dos gastos públicos foi ruim, como tem sido ruim sempre por aqui, e isso precisa mudar.

      Em resumo: o problema vai muito além do evento Copa do Mundo. É sistêmico por aqui

    • Daniel Keppler disse:

      É, mas se for comparar com a reconstrução do Estádio Olímpico em Berlim, feito para a Copa-2006, tanto os valores quanto o aumento nos gastos batem. Uma reforma de R$ 250 milhões se transformou em uma reconstrução de R$ 820 milhões, e o prazo de entrega do estádio atrasou em 35 meses.

      A impressão que tenho, cada vez mais, ao ler notícias sobre obras de grandes eventos (Copa, Panamericano, Olimpíadas de Inverno e Verão, é que elas SEMPRE são mais caras do que as feitas em circunstâncias comuns. Foi assim na Alemanha, está sendo no Brasil. E se formos continuar nessa comparação, lá os gastos subiram 50%.

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