O voto do paulista e os governos de não-intervenção


Toda pesquisa eleitoral, eu vejo pessoas se perguntando: “mas por que o Alckmin tem 54% dos votos em São Paulo mesmo com crise hídrica, pedágios caros, corrupção no Metrô, polícia violenta?”. As pessoas acham que o paulista não sabe enxergar a política ou gosta de sofrer. Sinto informar: não é nada disso.

São Paulo é um estado sui generis dentro da federação. E é leviano tentar lançar qualquer definição generalizada sobre a figura do paulista. No entanto, algumas características saltam aos olhos, e elas ajudam a explicar esses 54% de intenção de voto.

Olhando para a formação do Estado, três tipos específicos de cidadão saltam aos olhos:

O primeiro é o “colonizador”, que habita o Estado há alguns séculos. Além de ser patrimonialista, esse sujeito é tomado por uma certa arrogância semelhante ao “fardo do homem branco” na época do imperialismo europeu. E isso é presente especialmente nos fundadores da cidade de São Paulo. O lema municipal NON DVCOR DVCO (“Não sou conduzido, conduzo”, no latim) é algo que se aplica a todo o Estado. E ajuda a compreender um monte de coisas: das bandeiras empreendidas por paulistas à rápida expansão econômica impulsionada pelo ciclo do café.

O segundo é o imigrante que veio da Europa, Oriente Médio e Japão, no final do século XIX e início do século XX. Esse imigrante não precisou do Estado para se estabelecer: começou a trabalhar nas cidades ou no campo, abriu negócios próprios, e na maioria das vezes chegou em São Paulo sem nenhuma posse. Foi acumulando algum dinheiro aqui e ali, para depois reinvestir esse dinheiro em fábricas e comércios

O terceiro é o migrante, que veio de outras regiões do Brasil à partir da década de 40, ajudando a engrossar a população do estado de São Paulo em ritmo inédito. Esse sujeito vinha para trabalhar em empresas como as montadoras, juntava algum dinheiro, comprava casas em regiões periféricas e fez com que São Paulo tivesse a região metropolitana mais habitada do país: para se ter ideia, Santo André era a 10ª cidade mais populosa do Brasil em 1970 (415 mil habitantes), Guarulhos é a atual 13ª cidade mais populosa do país (1.221.000 habitantes).

O que esses três tipos específicos de habitantes do estado de São Paulo tem em comum?

É simples: todos eles fizeram suas vidas por conta própria, com pouca ou nenhuma interferência de governos. Nas periferias das grandes cidades paulistas, até a década de 60, terrenos eram loteados pelos próprios donos. Não é à toa que alguns bairros de São Paulo herdam até hoje nomes como “Chácara” e “Fazenda”. Porque antes de serem bairros, eles eram efetivamente chácaras ou fazendas. E, com o adensamento populacional, foram loteados por conta própria pelos antigos fazendeiros. Isso explica a pouca intromissão do poder público no povoamento das regiões periféricas da Grande São Paulo. E esse padrão se replicou em diversas cidades do interior.

O paulista, de um jeito ou de outro, aprendeu a se virar sozinho. Às vezes até de forma desonesta ou com acordos informais. É um provincianismo meio arrogante, a reprodução em larga escala de uma mentalidade “nós só dependemos de nós mesmos, da nossa colônia, do nosso grupo de amigos”.

E isso se reflete em seu voto: boa parte dos cidadãos do estado não querem um governo que se intrometa em seus assuntos cotidianos. E é por isso que essa parte expressiva da população vota há 20 anos no PSDB: porque o governo do PSDB se sustenta com o discurso da não intervenção, mesmo que na prática isso não se aplique de forma tão direta. O PSDB é a versão governamental da mentalidade de boa parte dos paulistas de “nós só dependemos de nós mesmos, da nossa colônia, do nosso grupo de amigos”.

O paulista sofre com a falta de água, fruto do mal planejamento?
Bem, por enquanto não está faltando nas torneiras, não deve ser tão grave assim. E se for, o cidadão confia que o governo dá um jeito.

O paulista paga um dos pedágios mais caros do mundo em estradas?
É até bom, impede qualquer um de viajar, o sujeito até se gaba de falar “paguei 100 reais de combustível e mais 120 de pedágio”. Andar nas estradas de São Paulo é quase um sinônimo de status, de “tenho dinheiro para isso”.

O paulista tem um sistema de Metrô ridiculamente pequeno em relação às cidades de porte semelhante e com sérias suspeitas de corrupção?
É bom, assim o Metrô não chega muito na periferia e não fica tão cheio. Esse paulista médio tem uma relação meio bipolar com o Metrô: ao mesmo tempo em que não o quer na periferia para “não encher tanto de pobre” também não quer nos bairros mais ricos, para que esses bairros continuem longe do alcance dos mais pobres.

Na verdade, para uma parcela de paulistas, nem deveria existir Metrô. O carro já seria suficiente. Ajuda a explicar a leniência com uma expansão tão lenta nas linhas.

Além disso, existem outros diversos problemas ignorados pelo paulista. Porque, para uma parcela expressiva dos paulistas, isso “não é da conta deles”. Importa é que haja um governo que não interfira no cotidiano deles.

Mas isso está certo?

É óbvio que não. Esse tipo de pensamento focado em um governo “não interventor” podia ter alguma razão até a década de 70 (não tinham, como explicarei mais adiante). Depois disso, o estado mudou completamente. E essa mudança demográfica, em razão da urbanização e da migração, não pode ser ignorada. De 1970 a 2000 a Região Metropolitana de São Paulo aumentou em quase 10 milhões de pessoas a sua população, de acordo com o IBGE:

População SP

Nesse ritmo inédito de crescimento, a autogestão dos loteamentos pelos proprietários passou a não dar mais conta da população que chegava. A situação foi agravada pela Lei de Proteção aos Mananciais, de 1976, que, apesar de extremamente necessária, foi a senha para que os governos municipais e estaduais, durante e após a ditadura, ignorassem as ocupações populacionais que ocorriam nessas áreas. Com isso, um imenso cinturão de pobreza e violência urbana se formou não apenas na periferia de São Paulo, mas também na periferia de diversas cidades do interior, como Campinas e São José dos Campos, por exemplo.

Nesse contexto, governos “não interventores” não funcionam mais. Porque essa parcela de paulistas que habita esses cinturões de pobreza depende dos governos mais do que ninguém. Não há mais tanto espaço para esse sujeito “se virar” e conseguir alguma coisa por conta própria, porque esses grupos já estabelecidos – de colonizadores, imigrantes e migrantes de primeira leva – não usam mais a abordagem inclusiva que foi usada no Estado em outros momentos de sua história.

E isso se reflete inclusive no voto: esses grupos consolidados preferem alguém que continue não interferindo, porque a situação atual, de uma forma ou de outra, é conveniente para eles.

Qual é a Solução?

A solução é relativamente simples na teoria, mas na prática é muito difícil: a superação dessa lógica de “governos não interventores”. Porque em todos os momentos de sua história, o estado de São Paulo se caracterizou por receber e dar oportunidades às levas de pessoas que vinham para o estado, ainda que de forma bem manca.

É impossível ignorar que a sociedade paulista também se montou sob bases muito desiguais e que sempre existiu pobreza no Estado. Sempre existiu uma massa de pobres, e essa massa aumentou consideravelmente no final do século XIX, quando os escravos foram libertos sem receber nenhum tipo de indenização. No entanto, essa massa sempre se constituiu em uma parcela da população historicamente desprezada pelas autoridades do Estado.

Essa parcela da população cresceu de forma exponencial com as migrações da segunda metade do século XX. E passou a ser impossível aos governos ignorar esse crescimento populacional. Infelizmente, os governos continuaram negligenciando essa parcela da população, com o aval da grande parte dos paulistas que sempre achou que São Paulo sobreviveria bem com governos “não interventores”.

A questão não é que o estado “sobreviveu bem até uma época” com governos não interventores. É que o estado “sobreviveu bem para uma parcela da população”. Para o restante da população, mais pobre, a política de “governos não interventores” não foi uma bênção, mas uma maldição. Mesmo porque a intervenção governamental, quando chega para a população mais pobre, chega na mais terrível das formas: a repressão policial.

Nesse caso, a solução passa por três etapas:

1) Reconhecer que governos não interventores, em São Paulo, não funcionam mais (nunca funcionaram plenamente, na verdade), e que de só empurrarão o problema com a barriga.
2) Compreender que nessa altura, governos não interventores são prejudiciais inclusive para a boa parte dos paulistas que defendem governos de não intervenção, porque atualmente geram mais efeitos colaterais do que benefícios INCLUSIVE para essa parcela da população.
3) Construir um governo voltado para a inclusão, através da integração dessa parcela de cidadãos paulistas historicamente relegada, fazendo o paulista compreender que o desenvolvimento econômico do estado só vai se manter se essa parcela da população também tiver as mesmas oportunidades que os grupos dos colonizadores, imigrantes e migrantes de primeira leva tiveram quando chegaram a São Paulo.

É óbvio que, no cenário eleitoral atual, é muito difícil encontrar um projeto que faça o estado de São Paulo se reconciliar com sua história, dando condições para que todos os habitantes do Estado tenham oportunidades e possam fugir do círculo vicioso de pobreza, violência e repressão policial das periferias. A utilidade de uma política pública deve ser medido pela diferença que essa política pública faz na vida de seu beneficiário. E, nessa lógica, quem mais necessita da atuação do estado em seu favor é quem vive numa situação de maior vulnerabilidade.

Porque quando se fala em igualdade de oportunidades, a intenção não é agir de forma repressiva, tirando o oportunidade daquele que nunca dependeu do Estado. Ao contrário disso, é dar a oportunidade para aquele que REALMENTE precisa, que sempre foi desprezado e que tem uma visão extremamente negativa do estado, porque a única coisa do Estado que chega até a porta da casa dele é o policial dando geral toda semana na molecada que fica na rua até mais tarde.

São Paulo é a maior população e a maior economia do Brasil. E precisa entender que o problema não está em ser a maior economia, em produzir riqueza, em ter um enorme grupo de pessoas que empreendeu e teve sucesso. O problema é que é impossível ser um estado bem sucedido se, apesar do sucesso de alguns, continuar existindo um enorme contingente de pessoas desprezado pelo Estado, vivendo com menos que o mínimo.

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10 respostas para O voto do paulista e os governos de não-intervenção

  1. Candido disse:

    A verdade é uma só. Existem os que trabalham, se responsabilizam pelos seus atos e destinos e aqueles que transferem as suas responsabilidades para os outros pois acham que o governo tem que dar de graça o que não conseguem por ineficiência. O PSDB tem sim bons gestores e não está no poder apenas pelo poder. O PT, no qual já votei antes, da moral e ética pregadas no passado, é um bando de aloprados que quer ficar no poder a todo custo, não tem capacidade para administrar nem uma loja de 1,99, não cria nada, não gera novos recursos e gasta a poupança que encontrou e está quebrando o país. Quem conhece o interior do estado de São Paulo vota sim no Alckmin e no PSDB. Lá as coisas funcionam, não é como nos estados dos coronéis. PS: Sou da Capital.

  2. Carol Kk disse:

    Eu pude ler vários dos comentários, e li sobre orçamento restrito e falta de recursos, o que para SP não consigo imaginar, em vista de qnto se paga de impostos neste Estado, porém ok., que seja ainda essa a justificativa de tanta incapacidade na gestão. Contudo, qndo se fala daqueles que não precisam do governo, veja bem: eu estudei em escola pública minha vida toda (usei o Estado), depois fui para a faculdade paga (não usei o Estado), sempre tive convenio médico (não usei), porém em SP tem tanta tanta gente, que os convênios têm tido um atendimento pior que o SUS, então saí de meu trabalho e passei a rede de hospitais do Estado, moro em casa própria e não é CDHU (não usei), tenho carro, mas com o trânsito caótico prefiro o metrô (Estado, não Estado), queria poder colocar minha filha na creche do Estado, mas não tenho coragem, então pago a escolinha (não Estado)…enfim, o Estado ineficiente também interfere na vida de quem (teoricamente) não necessita dele. Não voto no Alckmin, mas ainda não tenho outro candidato. Um governo realmente eficaz seria aquele que ajudasse ambas as classes, pois uma depende e interfere na outra. Mas ainda que eu tivesse que escolher, votaria em alguém com propostas para os menos favorecidos, já que eu considero que levo uma vida confortável, há pessoas por aí que sofrem até na hora de ir ao trabalho.

  3. Kluk Neto disse:

    Exemplo 2
    O autor escreve
    O paulista sofre com a falta de água, fruto do mal planejamento?
    Bem, por enquanto não está faltando nas torneiras, não deve ser tão grave assim. E se for, o cidadão confia que o governo dá um jeito.
    Parece que esse tema vai ser usado e reusado na campanha contra “o governo não intervencionista do Alckmin”.
    Entre
    1- Ter consciência do problema ambiental que conjuga crescimento populacional com possibilidades de estiagens longas agravadas pelas mudanças climáticas
    2- Planejar alternativas para combater o risco
    3- Decidir dar prioridade à isso em situação de restrição orçamentária (que é o dia a dia de todos os gestores) e
    4- Se encontrar cara a cara com a conjuntura real de estiagem

    Parece que os dois itens primeiros não foi uma lacuna do governo
    O item 3 não foi decidido ex-ante diante de centenas de outras decisões que o governo tinha que tomar.
    O item 4 era uma probabilidade, grande, mas com alto grau de imprevisibilidade

    Resumindo, a questão novamente é simplificada para uma coisa muito fácil de entender e colar na mente das pessoas. “Falta de Planejamento”
    Talvez o paulista tenha uma condição um pouco diferente dos eleitores de outros Estados para compreender que a questão é um pouco mais complexa do que a simplificadora falta de planejamento de um “governo não intervencionista”. Até por que aqui o que mais se precisa é intervir.

    • Léo Rossatto disse:

      Na verdade eu fico feliz com esse tipo de comentário vindo da sua parte porque sobe muito o nível da discussão.

      Quando eu montei o texto, nem mesmo pensei em fazer um diagnóstico completo sobre a formação demográfica, política, econômica e social do estado de São Paulo. Nem de longe, eu jamais teria competência pra isso e todo diagnóstico tecido a respeito soaria simplista, como de fato soou.

      Quando montei o texto, o título original era “Uma Pensata que pode ajudar a explicar o voto do Paulista”. Talvez fosse o caso de deixar esse nome, porque “O Voto do Paulista e os Governos de Não-Intervenção” parece um nome que se propõe a explicar algo que o texto não explica.

      Confesso que o texto é bem simplista sim. Muito. Assim como é simplista colocar toda a explicação acerca do tema na questão demográfica. Talvez o “voto de pertencimento” seja outra parte possível da explicação (http://www.brasilpost.com.br/henrique-braga/voto-de-pertencimento_b_5601774.html?utm_hp_ref=tw). Quais os demais motivos para Alckmin ter essa intenção de voto expressiva? Um monte deles, passando pela máquina de propaganda do governo do Estado e pelo crescimento do antipetismo dentre determinados estratos sociais.

      O meu conceito de “não-intervenção” foi simplista também. Porque, quando eu escrevi, julguei que a “percepção de não intervenção”, ou seja, o que o cidadão percebe como governo que não planeja e só resolve os problemas pontuais, fosse algo amplo e pacificado. Não é. O governo Alckmin intervém sim. Podemos questionar a forma, mas os convênios com os municípios e as obras feitas “sob demanda” provam isso. Mas, por fazer as coisas sob demanda e tentar tratar o cidadão como “cliente”, a percepção para a maioria das pessoas é de um governo não intervenção.

      Por fim, não defendo “intervenção” pura e simples. Governos militares fizeram intervenções e o país saiu da ditadura muito pior do que entrou. Eu defendo um tipo específico de intervenção, voltado para a inclusão social da imensa massa de pobres que já existia antes da explosão demográfica em São Paulo e que se amplificou muito nas últimas décadas. Uma intervenção voltada para a harmonização da convivência dos diferentes estratos sociais em São Paulo. Algo que não acontece “do nada”, e que só é feito com planejamento prévio.

      Mais uma vez, obrigado pelas considerações.

  4. Kluk Neto disse:

    Achei o artigo um pouco simplista André. Tenta resumir as coisas e quando fala meias verdades, fala meias mentiras.
    O tempo todo tenta defender a ideia de que é necessário hoje, por razões históricas que haja um Estado interventor versus um estado não interventor que seria defendido pelo PSDB. Classifica o PSDB sem maiores explicações como defensor de um Estado não interventor. Quanto a isso, acredito que nem antes nem hoje e nem nunca houve algum Estado não-interventor. Aliás o que foi feito na era FHC em termos de intervenção do Estado em todas as estruturas administrativas com a reforma do Estado, a criação das agências reguladoras, a privatização de setores econômicos inteiros, assim como as obras viárias e a estruturação do programa de expansão do Metro são sempre intervenções do Estado. Mesmo as ações estruturadas com as PPPs são a ação do Estado intervindo. Estado atuante, regulador, planejador, e voltado para a defesa do interesse público não é sinônimo de estatismo nem de formas de governo que acreditam que tudo pode e deve ser feito por estruturas organizacionais estatais. Creio que a questão é que tipo de intervenção se quer do Estado. As diferenças entre as posições do PSDB e de outros está aí.

    O texto, é uma semeadura de frases de meias verdades e portanto plantadoras de meias mentiras, capazes de impressionar e convencer a mente que se convence por uma análise superficial dos problemas.

    Abaixo alguns exemplos do que falo acima, com a frase simplificadora do autor do texto, acrescida de um comentário meu que humildemente dá conta de apenas mais um grau de complexidade em cada questão.

    Exemplo 1 – O autor escreve
    É um provincianismo meio arrogante, a reprodução em larga escala de uma mentalidade “nós só dependemos de nós mesmos, da nossa colônia, do nosso grupo de amigos”
    Eu me pergunto qual seria a postura que deveria se contrapor à esse suposto provincianismo meio arrogante ?
    Creio que os grupos populacionais descendentes dos imigrantes europeus e asiáticos, que foi o que constituiu o corpo da classe média paulista até gostaria de poder usufruir de serviços públicos melhores oferecidos pelo Estado. Independente disso, de forma pragmática e até mesmo devido à essa ideologia de autonomia ( que o autor classificou de provinciana e arrogante) são forçados de um lado e procuram o quanto podem com esforço contínuo não depender dos serviços públicos, mesmo os mais essenciais.
    Já a massa empobrecida, seja a oriunda da população ex-escrava ou as demais que empobreceram ao longo da história, também lutam para se libertar da ineficiência do Estado o quanto podem.
    Do ponto de vista da política pública, para entender as razões pelas quais o Estado não atende essa população como deveria, é muito simplificador querer fazer crer que é por que se trata de um Estado não intervencionista e que despreza essa população. As razões são complexas e passam por questões como a das limitações da administração dos orçamentos ao longo do tempo, e por questões estruturais como os processos de sucateamento de diversas estruturas de gestão estatal, como por exemplo o sistema educacional .
    Do ponto de vista da ação dos grupos marginalizados, a condição educacional crítica de grande parcela da população, aliada à pobreza econômica e à escassez de outros recursos intangíveis, que decorrem também dos anteriores, impulsiona uma enorme massa de pessoas, por pura falta de alternativa a se inclinar a buscar tudo no Estado.
    Creio que nesse estado crítico é do Estado e das políticas públicas que o impulso de desenvolvimento inicial deve vir até que as condições de autonomia dos indivíduos e grupos empobrecidos sejam resgatadas.
    O embate aqui de muitos de nós cidadão, filósofos e sociólogos de facebooks e blogs que nos tornamos todos, se dá nos campos dos estereótipos fáceis de se criar. E aqui novamente o autor não contribui tanto para elevar o nível da discussão quando carrega nos adjetivos.
    O pessoal da dita “esquerda” (detesto usar esse termo velho da Revolução Francesa que acho que não serve mais pra nada) acredita que o pessoal “mentalidade classe média” “de direita”, “neoliberal” (outros termos dos séculos 18 a 20 que acho que não servem mais pra muita coisa hoje) que é “provinciano e arrogante”, só falta completar, “paulista” e “psdbista” é contra o bolsa família por que acham que os pobres vagabundos querem mamar na teta do Estado eternamente, sem se dar conta de que se o bolsa família tiver que durar mais 12 anos, 20 ou o que seja é por que o tipo de intervenção estatal dos governos intervencionistas não está funcionando para libertar as pessoas desse tipo de condição que exige assistência.
    É fácil falar e taxar o outro como sendo contra a intervenção, especialmente se temos uma fé cega de que as intervenções que defendemos são as suficientes e que bastam.
    O debate fica extremamente prejudicado. Isso é debate de político e não de estadista. Serve pra convencer a mente simples, pra ganhar voto. O cenário da discussão é recheado disso e quase que só disso. Infelizmente não é esse nível de compreensão da realidade acredito que vai conseguir dar o caminho para mudar as coisas.

  5. Rodrigo disse:

    Pra mim só não é mais burro que o eleitor gaucho, que se gaba de nao reeleger nenhum governador.

    Em qualquer ranking , voce ve o RS caindo em educação, distribuição de renda e outros do genero. Como ir bem, se nunca um governo tem continuidade?

    Nesse ano é pior ainda, por que quem está na frente nas pesquisas pra governador e senador, são duas pessoas que até poucos anos atrás eram comentaristas da RBS/Globo.

    Peguei o gancho, por que acho que os 2 estados tem os seus extremos burros.

  6. Não! O eleitor Paulista vota no PSDB por pura e simples birra do PT, nada mais que isso.
    São Paulo por muito tempo se tornou o que é hoje, sim, por pouca influência do estado no passado. Mas, a partir do momento em que foram criados cada vez mais tributos sobre uso da terra, em que se tornou cada vez mais oneroso construir vários imóveis, fazendo com que a oferta de moradia ficasse cada vez mais restrita, pra uma população cada vez mais crescente, logicamente quem acabaria tendo pouca opção pra morar seria o pobre, que, para poder sobreviver na cidade (em qualquer cidade grande do país, diga-se de passagem), acabou tendo que achar meios ~alternativos~ pra morar (leia-se: Foi pra favela). Ou seja, foi por intromissão do estado que o pobre ficou cada vez mais marginalizado do cotidiano.
    Foi o estado que por vários governos, décadas, ditaduras (A Militar não foi a única ditadura no país), fez colocar na cabeça do povo comum que era necessário “povoar o país”, e prometeu que ele seria o provedor desse bem estar, mas, por maiores promessas de trazer o bem estar, o resultado tem se provado cada vez mais diferente disso.
    Não é de hoje que governos de diferentes “ideologias” prometem uma maior participação na vida do cidadão, com o propósito de prover melhorias na sociedade, mas esse é só o discurso que o governo NECESSITA fazer pra que ele consiga se tornar aquilo que mais deseja: Ser maior, e mais poderoso, etc etc…
    A gente que mora na capital, tem a maior sensação de que o governo tucano não tem sido um bom governo, e em pesquisas de intenção de voto, fica claro que a vantagem do PSDB não é soberana como no interior do estado. Nas cidades mais pobres da região metropolitana, partidos que se dizem de oposição conseguem ter intenções de voto com vantagens pra vitória até em primeiro turno. É necessário fazer uma análise bem mais profunda pra saber como e porque o PSDB tem uma vantagem confortável, e não só definir a população em “3 tipos”.

  7. Rudi Pereira disse:

    Deveria ser possível quantificar as pessoas que creem que não precisam do governo, e simplesmente tirar o título de eleitor delas. Afinal se elas não precisam, elas não tem que se preocupar com isso.

    • Garibaldi disse:

      Deveriam tirar o título eleitoral das pessoas que recebem diversos benefícios do Estado, inclusive benefícios em dinheiro! Essas pessoas que não precisam do Estado para terem vida plena são exatamente as pessoas com nível intelectual que deveriam gerir o país!
      O governo compra os votos e as pessoas que não necessitam de benefícios pagam a conta, arcando com os custos de um governo absurdamente corrupto e fascista que beneficia uns em detrimento de outros, gerando perseguições políticas e intelectuais, pois uma população comprada e burra é o que eles necessitam.

      • Fabio disse:

        Desde quando nível intelectual tem a ver com dinheiro? E pesquise antes de falar besteira, absurdamente corrupto é o governo do PSDB, DEM e PMDB. Parece que sua elite não é tão abençoada intelectualmente quanto pensa… Ignorante!

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